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sexta-feira, 24 de julho de 2015

Em noite, escondido

Foi preciso esperar a noite escondida dentro da madrugadaPara alçar voo e me permitir chorar.Sem amigos, sem familiaresLonge de casaSuspenso em meio ao arEntre cidades que desconheçoSem raiz a me germinarEu, avulsoHoje, enfimMe permiti chorar.Foi preciso esperar a moça ao lado dormirEsperar os cintos se afivelaremPara, enfim, desistir.Uma gorda gota escorreu pela esquerda do meu rostoMeus olhos arderam de tanto cansaçoJá há tantos meses eu sendo forteHá tantos meses eu não me permitindo morrer a cada passoQue canseiE foi preciso voarSob pressão outraPara desafogar a vistaDesse peito que me bateE rebate.Quão grande é a dor de um amor que ao fim chegou?Não temo o que viráNão sei o que não veioMas hoje, choro, enfimCerto de que o meu cansaçoMerece respeito.Choro, poisExista em mim ainda um tanto não desbravadoEm mim ainda tantas mãos a serem dadasTantos passos em comunhão a seremCaminhadosMas não- e por isso choro –Não mais com meu amorQue não é mais meu.Foi preciso voarDe tudo se distanciarPara chorar-se livreDa imposta forçaDe ser homem feridoEm multidão foi precisoSubirSem querer voltarFeito balãoFoi precisoSubirPara brilhar em sol nascendoA certeza de que se não fosse o tempoNão teria havido amorNão haveria dor

Nem haveria algum remendo.

Voo entre Brasília e São Paulo
24 de julho de 2015, 06h25

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