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domingo, 31 de julho de 2011

No Lago

Está escurecendo
ele se aproxima
hoje mais lento
do que ontem,

Ele posiciona os dois pés
nus
na borda
cimento-água
Ele ainda não sabe de nada,

A luz se fecha um pouco mais
nos seus olhos, porém
escuridão rima com seguir,

Ele adentra o espaço da água
e sente a própria lhe dizer
venha a mim, submergir.

Falo agora com a boca ainda livre
ainda agora foi-se o peito
os ombros manchados
foi-se a adolescência
e o ferver
da genitália.

Tudo quase está submerso
mas ele segue
hoje mais lento
que ontem,
rumo ao centro.

Que pode haver
num esconderijo d'água?

Ele avança
e se falo agora
é só porque minha boca
ainda não foi
afogada.

Morreram-se os braços
as mãos e os dedos,
todos,
hoje,
já morreram.

Mas ele segue
ciente do pecado
que hoje
parece ser
ele mesmo.
                       

sábado, 30 de julho de 2011

Muco

Reveste
o desejo
de hoje
mais uma vez
estar louco

Protege o íntimo
anuncia o tombo
e recheia
o ser insoso:

desesperado por acerto de contas consigo mesmo.

Ele pára
tosse quatro vezes
uma sobre a outra
induzida
Ele força a barra
a barra desloca
e ele amanhece
nu e
sem
poesia.

Agora ele se olha
Que pode haver de não-suscetível
nessa vida?

Tudo morre só
em seu movimento,
tudo parte seguro
no esquecimento
no jogo
no se lançar
sempre sem freio

Quem foi que inventou essa coisa de freio?

Isso não existe,
ele agora insiste
premendo as mãos
contra o peito:

Que espaço pode ser esse que sempre parece meio assim ao meio?

Café estala na cozinha
calor se move sob a camisa
e o Muco
o Muco
dentro dele faz fantasia
movendo salivas distintas
o Muco hoje
separa o cara
do fim de sua vida

É o corpo, meloso,
tentando não ser
desperdício.

É o corpo, odioso,
tentando fazer
sinfonia
que seja
de gemidos.
                               

sexta-feira, 29 de julho de 2011

camomila

é tarde
os dedos resvalam
trocam entre si
opiniões
sobre fatos
consumados
ele queria poder se dizer
mas segue dizendo dele
outro ele que ele inventou
para ver se nisso
ele se permite ser de novo
outro ser
é tarde
fecho os olhos
ele me vem
ele me fita
obscuro
e duvidoso
uma tonteira me invade
mas eu não sei o seu cheiro
caso soubesse
dormiria
esta noite
nele absorto
                   

quarta-feira, 27 de julho de 2011

to cross this page


i think i should think about the sun
i think i should write not poetry
but only
recipes of cakes.

i think i should not think anymore
i think i should believe
that would my think
won't provide me
any other thing.

i think this is my new game
i believe
it won't give me softness
it won't make me bigger
or even
better.

but
and there's always one more "but"
to cross this page
i should read it all

for bottom to the top
since the top to the start
i mean
i won't make more poetry
from this principle.


that green envelope
is outside there.
              

no oh oh oh


she said to me
you have already done everything
she said
now, you should wait
(i hate this game,
i could have said to her)
but now i know
she is right
i cannot do anything more
i must wait
while
here inside
my feelings tries to stay in moving
trying to be something
that not just
oblivion

my oblivion of what we cannot be now
my oblivion of what we're both incapable
to create.
   

segunda-feira, 25 de julho de 2011

quis

sim, eu quis
me ver de novo
lá atrás

quis lembrar do moletom vinho
do all star hoje nem sei onde

quis fechar os olhos
para ver
aquela paciência
hoje de mim
tão distante

não quis ser criança de novo
sei que ela persiste em mim
agora de novo
agora
tão sempre
quanto antes

quis
eu quis, posso dizer
me perder
na ressonância
de algum segundo
em mim morrido.

não tem problema
não há dor
nem eufemismo

tudo hoje em mim coexiste
só porque o que fui
trago aqui
inda hoje
comigo.

e se um dia eu for
e se um dia eu tiver partido
irei cheio e repleto
feito sorriso
de amigo.

por que existem palavras tão lindas
como moletom
areia e amigo?

Para Kellytcha!    
                                                

ur

enquanto você não vem
eu sigo indiferente
machucando meu corpo
entupindo minha
mente

não terá jeito
isso que faço é gesto
demente
gesto automático
insistente

enquanto você não vem
eu fico
eu duro
eu persisto
como posso a ti
ser frio
rígido
e ausente?

seu sorriso
escancara o céu
anoitece meu inconsciente
em você
eu vou contínuo
e de novo
mais uma vez
seja eu,
talvez impaciente.

como posso a ti
ser descrente
se quando durmo
durmo ciente e
se quando acordo
mais uma vez
por ti
sou
torrente?

eu fico.

não é pergunta
é fato
insígnia dormente
é o que me toma
me avassala
e faz ser poente

toda nova tentativa

minha
a ti

de novo
e mais uma vez

urgente.
 

Perguntas Que Marcelo Faria - 02


Divulgação.


Marcelo - Diogo, noite de domingo, dia 25 de julho de 2011. Havíamos conversado no início do ano e você prometeu que eu voltaria com mais perguntas, mas acabou demorando a me chamar de volta. Por quê?
Diogo - Oi, Marcelo. Pois é, eu jurava que ia te chamar no mês seguinte, mas aquela coisa, correria geral, muita coisa acontecendo e eu jurei que você não fosse se importar. Peço desculpas.

Marcelo - Você tá me pedindo desculpas?
Diogo - Tô. Me desculpa?

Marcelo - Claro, claro, sem problemas. Mas fala ai. Como estão as coisas?
Diogo - Que coisas?

Marcelo - As suas coisas. O entrevistado aqui é você. Conta pra gente. Como você tá?
Diogo - Tô com sono, vou ser sincero. Na verdade, não tenho muitos motivos pra estar acordado até agora, mas sabe?, depois que você passa semanas dormindo muito tarde, seu corpo meio que duvida quando a madrugada começa e ele está de bobs.

Marcelo - De "bobs"?
Diogo - É, de bobeira, sem nada a fazer.

Marcelo - Você está de bobeira, então?
Diogo - Agora não. Agora eu tô conversando com você. Tava com saudade, é verdade. Faz quanto tempo? Você falou desde janeiro. É muito tempo. Podia ter ligado, mandado mensagem, eu ia te responder.

Marcelo - Não quis incomodar, mas me conta. Já estreou aquela peça que tava te tirando o sono?
Diogo - Pois é, ainda não. E confesso, não é por causa dela que eu não tô dormindo. São muitas peças, muitos projetos. Às vezes eu fico me perguntando se eu não tô embaralhando o caminho e me perdendo pra nunca mais encontrar. Sabe como é?

Marcelo - Não. Como é isso? É como você tá se sentindo? Alguém que embaralha o próprio caminho e tropeça logo ali na frente?
Diogo - (Risos) Não é bem isso. Não é pra tanto. Eu sou exagerado. Eu quero dizer, às vezes é tanta coisa que parece não fazer sentido. Parece que vai dar tudo errado. Eu não sei explicar...

Marcelo - E mesmo assim você continua? Você tem quantos anos?
Diogo - Eu continuo. Eu não vou te responder. Eu sempre acho esse tipo de pergunta muito babaca, com o perdão da expressão. Eu já sou maior de idade, faz uns cinco anos, ou seja, eu sou responsável pela velocidade das minhas pernas. Apesar de não controlar tão bem assim minha cabeça nem meus sentimentos.

Marcelo - Opa, "sentimentos"... Tai um papo que quase nunca eu te vejo falar. Como anda esse coração? Fala pra gente...
Diogo - Meu coração anda bem. Eu acho. (Risos). É, eu acho. Não tenho certeza. Tá batendo. Tá mexendo. Às vezes ele engasga, mas é coisa de um momento ou outro. Essas paixões fulminantes e repentinas, essas coisas que te consomem durante uns dias e depois... Continuam te consumindo. (Risos). (Silêncio). (Constrangimento).

Marcelo - Por que você ficou constrangido?
Diogo - Eu não fiquei constrangido. Eu fiquei? Eu não fiquei constrangido. Eu fiquei?! Acho que fiquei. (Risos) Eu fiquei. Quer dizer, é isso, que eu tava falando. Tô meio que in love. Mas acho que só eu tô sabendo. Só eu, eu mesmo e Irene.

Marcelo - Quem é Irene?
Diogo - Uma amiga. Falecida já. Amiga íntima. Que conversa comigo quando eu não tenho ninguém pra conversar.

Marcelo - Você costuma falar sozinho?
Diogo - Muito, Marcelo. Eu converso comigo mesmo nas horas vagas. Às vezes fico eu silêncio repentino, com vergonha de que alguém possa ter escutado. Mas é assim mesmo, eu falo comigo, né? A gente tem que conversar, tem que se saber, tem que falar, se ouvir, se corresponder...

Marcelo - E como é o nome da peça?
Diogo - Qual delas?

Marcelo - A que ainda não tá te tirando o sono?
Diogo - A que daqui a pouco vai me tirar o sono, você quis dizer. Bom, se chama COMO CAVALGAR UM DRAGÃO...

Marcelo - É o seu primeiro espetáculo infantil?
Diogo - Não é infantil.

Marcelo - Perdão. É adulto?
Diogo - É. É adulto. Não é infantil. É uma peça adulta. Tudo bem. Deixei você constrangido. Não tem problema. Desde o início eu sabia que isso ia acontecer. Esse tipo de confusão. Entra lá no blog. No blog do espetáculo. Divulga ai pra gente. É atravessar ponto blogspot com tê mudo ponto com. Entendeu?

Diogo - Isso. Divulga e aparece no processo. A gente vai apresentar um processo dentro do TEMPO_FESTIVAL das Artes, que é um festival de teatro que tem aqui no Rio de Janeiro. No domingo, dia 07 de agosto, às 18h no Parque Lage, saca? Vai ser lá. Vai ver a gente.

Marcelo - A gente quem, Diogo?
Diogo - A gente da equipe, Marcelo. Eu tô escrevendo a peça e dirigindo junto com a Flávia Naves. No elenco estão Dominique Arantes, Fred Araújo, Marília Misailidis, Nina Balbi e Vítor Peres. Tá divertido, apesar de ser um drama.

Marcelo - Eu vou sim. Mas antes de me despedir, que pelo visto hoje você não tá pra papo, me responde uma coisa. O que você tá sentindo nesse momento?
Diogo - Cara, Marcelo. Você é foda. Como assim? O que eu tô sentindo?! Eu tô sentindo muita coisa. Eu hoje falei ao telefone com uma amiga que faz meses eu não via, porque ela tava morando em Buenos Aires, na Argentina. Ai ela voltou a gente se falou quase uma hora no telefone e combinamos de nos ver amanhã. Eu tô muito feliz. Tô ansioso. Saudade despertada, sabe? Sabe? Quando a saudade tava dormindo, hibernando, mas crescendo, crescendo?... Sabe? Pois então, amanhã eu mato ela de vez. E tem mais? Já disse que tô me apaixonando, e tô escrevendo as cenas finais de uma peça. E hoje é aniversário de um amigo que eu também amo muito. Teo Pasquini o nome dele. Pois é... Muita coisa. Tô sentindo muita coisa. Poderia explodir tranquilo, sem pestanejar. É bom se sentir vivo quando a sensação de estar vivo vem de fora pra você. Compreende?

Marcelo - Claro, Diogo, é claro que compreendo. Obrigado por hoje. Peço a você que, por favor, não deixe de me convidar. É sempre bom conversar com você. Até a próxima.
Diogo - Até, Marcelo. Escuta, vai ouvir o cd novo da Adele. Você vai se apaixonar!



Perguntas Que Marcelo Faria volta no próximo mês,
se você curtiu esta entrevista, confira a primeira

3, 1, 2


                           
dramaturgia consciente.
           

hug

you
but
i do
think
so
i ask
you
hug
me
for
then
on
my
thoughts
become
song
and
not
blur
                               

sexta-feira, 22 de julho de 2011

allow me that


here i am
ready to travel
away from here
away from we
that is it
me and you
or
you but nor I
you see?

i'm in this situation
it's your fault
it's also mine

but
whatever
i'm never gonna find
someone
like you.

that's not my wish
my wish
is find
someone
dot.
   

esc-me

I DID IT
I HAVE ALREADY SAID
NO TERROR
NO MORE TERROR GAMES
I NEED TO BELIEVE
THAT THIS LIFE
THAT I'M WRITING
IS NOT POETRY
BUT IS SOMETHING SAFER
THAN IT HAS BEEN.


quinta-feira, 21 de julho de 2011

Deep

Safe place
in this case
Soft grave
where i'll stand
till have your
embrace.
           

Shaved


And then i saw
everything that was undercover
and then
now i know
i am made of skin and blur
i am made of
blood and lost attempts,
but
It all lives in here
without any chance
of being lost
in this cold game called
Waiting.
         

AREJAR

optei sair para arejar a respiração. meu dentro clamando por algo que não tenho aqui, nem em mãos, nem sobre a mesa, nem em local algum. eu precisei sair para não esquecer que dentro de mim poderia cessar meu coração. sair para abraçar o perigo das ruas ao invés de se viciar na batida redundante do meu peito e de suas mãos. suas, mas minhas. suas do peito, eu quero dizer, não suas. meu peito gerencia todas as partes, todos os pedaços de mim (que remenda sem cessar). meu peito tentando segurar a queda que vem vindo, eu sei, eu sinto, eu sei. a queda, a tontura, o baque, a falta de vontade imensa para tomar uma ação e virar noutra curva que não seja essa mesma sobre a qual tenho tanto me perdido. ai, você. que foi que fui fazer? que foi que me permiti sofrer? no bom sentido, tudo de boa, eu aqui pensando que eu preciso sair para arejar essa minha escolha, a longo prazo. eu escolhendo para mim mesmo aquilo sem o qual eu me mato. eu escolhendo o mais difícil. eu sem ter escolha. como pode de uma hora para outra você perder o controle, a decisão, o ato livre de escolher se será feijão preto ou carioca? sair para a cidade velha de tantas outras horas. sair para os escombros, me encontrar com bueiros querendo, se possível, correr o risco de explodir num acidente qualquer. eu estou atrasado. a vida me chamando e eu aqui relutante, poetando. que boçal. que indiscreto. era pra ser leve, mas essa leveza não faz parte do meu canto. eu tô tenaz e endurecido. tô fritando a mufa e me jogando em todo e cada abismo. mas não é pra ver se você vem me socorrer. eu sei que não virás. eu tô tentando entender como faz pra te ajudar (pretensioso) a brincar aqui comigo? se você quiser, me avisa de maneira torta. eu interpreto, eu faço a tradução. eu te pergunto com clareza: você quer me dar sua mão? e pronto. a gente começa a caminhar pelo bosque.
                                      

e se

eu nada tivesse perguntado
meu corpo teria então
amanhecido tranquilo
controlado?

se eu não tivesse perguntado nada
estaria eu agora voltando pra casa
ao invés de somente agora
estar saindo do quarto
rumo à sala?

estaria eu
ainda possível
visto que agora
respiro a dificuldade
que está sendo
descobrir
dia-a-dia
isso sem nome
entre a gente.

e se
eu parasse
de supor
como seria?

seria tudo mais tranquilo
ou seria minha vida
inda mais rima?
   

quarta-feira, 20 de julho de 2011

ei

eu escrevo hoje
para não me cair
em esquecimento.
escrevo não para cessar
segue sem fim
meu tormento.

e ele tem asas
e ele tem suas pernas
seus rostos
suas caras
ele tem seu medo
meu tormento
é você
convertido em caixa-preta

velada
esperando a morte
para ser revirada
esperando o fim
para dizer
eu também te amava muito
eu também tive medo
ao descobrir que sim
poderia um dia
ter gostado
de ti
de você
simples assim
por que você não vê?

você
você que tanto sobre o você se debruçou
você querendo entender o você
se esqueceu de você mesmo
e nisso
atraquei.

como pode?

quer ajuda?

eu não sei responder
mas me divertiria
essa busca, apenas

como quem vasculha
e se desorienta
certo
de que a aposta
tinha sido
apenas
partilhar sorrisos.
 

Fiz.

fiz
falei
fui
sustentei
fui
direto
disse
inconcreto
quero
não
disse afim
disse muito
muito
três vezes
muito
muit
muito
você
ou
foi
afim?
muito afim
muito afim
muito enfim
nada disso
tenha valido
eu calo
hoje
ciente do risco
mas sabe?
queria só ter dito:

pode confiar,
eu cuido da sua incapacidade.
  

Lábios Azuis

Caramba
não é nada
poderia ser tudo
mas eu
em vão
tento não dinamitar
tudo
em forma-novelo
da loucura

Tudo bem
eu me afasto
eu retrocedo
eu espero você fazer anos
e ficar mais velho
eu nisso
também embruteço
eu cresco
eu padeço
eu endoideço
e as cedilhas
quedam
pelas esquinas
e ceder
seria o mesmo
que fazer rimas

Volta
fica
Eu fico
não é pra ti
é a mim que eu suplico
é a mim
perdido nesses dias sem chão nem teto
sem início nem freio
eu em mim alcoolizado
eu em mim de mim partindo
ansioso
sim
pq não?
porra
sim
ansioso por seu abraço
por seu afago
ansioso por sustentar nos meus dedos
mais finos que os teus
os teus descompassos
suas incertezas
deixa

eu abandono
a ordem das falas
abandono a forma
eu não quero mais nada
quero apenas
deixar de mirar
aquilo
que hoje
toma tempo
e morre pensando

não
não era isso
mas eu estou tentando
eu estou
tentando.
 

domingo, 17 de julho de 2011

Simples

tempos distintos
quem sabe
a gente
não se cruza
num segundo
num abraço que fica mais
que um simples
cumprimento
nas mãos
que se entrelaçando
deixam via rudeza
transparecer
desejo

por que a embriaguez
quando tudo o que é preciso
é clareza
obscura, mas convicta?

parar de fumar
parar de beber
para que tudo isso
se o que eu desejo
mesmo
é só você?

\

sábado, 16 de julho de 2011

NeoGODOT

Nao
minha vida nao esta em suas maos
Nao controlas meu ar
apesar de transtornar minha inspiraçao
Nao
nao, nao se trata de negaçao minha
nao se trata de negaçao
Aguardo duvidoso
tudo isso que esta
porvir
tudo isso que
nem dois ontens atras
fui capaz de te fazer
refletir.
Mas venta, vento
para que mais dois amanhas
sobre mim
faleçam.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

TERRENO BALDIO


Não é só encanto com criança nova.
É, de fato, surpresa que fica
e cola.
Abraço morno
clamando eternidade.
É doce,
seguro,
algo enfim,
capaz de ser
durante o dia
durante a vida
durante a tarde

É um convite
à manutenção de seus fracassos.

Obrigado,

FORCEDSHAPE


                                                                                                                               

o que a gente tá fazendo, de fato, não tem nome.

teatro inominável \\


_ON

dorme
quero ver dormir
esse seu corpo
inflamado em potências mil
dorme
eu quero ver
você se despedir
com destreza
dessa sua vontade imensa
vontade travestida de ira
de revolta
de irredutibilidade à não-presença
dessa ida
dessa forma de se ver o mundo
dessa coisa chamada corpo
criada na fornalha
viva
que é
o segundo
deste instante
momentâneo.

domingo, 10 de julho de 2011

sor-te

dormi molhado
e acordei macio
dentro as partes
se comoveram
e me permitiram
de novo
mais uma vez
o princípio.

onde estava
quando em mim
não estive?

que pavor este
o de se encontrar
em tudo
menos aqui
sob este peito
sob estas marcas
já tão conhecidas
já tornadas
pretexto.

quero te falar
tão logo seja possível
de tudo o que carrego
aqui
comigo,
graças ao convívio
que tenho tido
contigo.

e é lindo
tudo isso
é algo
muito
lindo.

sábado, 9 de julho de 2011

soap

posa
nu
escuridão
pousa
leve
o braço
a mão
o peito
a mão

e sim
por que não?

e sim
constatação:

todo mundo pode ver através de mim.

fordismo

muito
em pouco
tempo
eu tento
pouco
em muitos
jeitos
eu faço
remendo
junto as partes
oficializo
o consenso
eu sofro
a inconstância
da ignorânsia

eu
desisto
mais uma vez
de ser
possibilidade

eu
assumo
hoje de novo
ser desastre
essa
poesia.

postergo

ficou tudo para amanhã
as cinzas
os medos
eu deixei para amanhã
o meu amor por ti.
deixei a música dormindo
e caminhei calado
com o silêncio sorrateiro
colando-se
aos meus pés

sem passos.

por favor, eu me peço
reinvente o processo
refaça tudo com todo mundo
ao seu lado.

que solidão necessária é o caralho.

o sol foi embora
essa noite é fria
e o gelo
no congelador
aguarda
o vinho.

tudo que exige princípio
anuncia a explosão
do amanhã.

resta
sorrateiro
o desejo trêmulo
do desejo.

virar imagem
virar recreio
virar poesia
ação
despejo.

maninfesto

tremulo
feito bandeiro
flamejo
me perco
no vento
e ouso
ficar rouco
e bruto
ficar burro
e denso
mas não
não para
bater
nem chocar
nem dizer
sob doçura
horror
mal
estar
não
eu peço
eu
de novo
e outra vez
processo-me
contra a cadeira
sobre a parede
ao redor da mesa
sem fim
este meu
descontenta
minto
não posso
pressinto
eu julgo
antes de mim
o que houve
antes de mim
que suplício?

porque existir
é por vezes
ser
improfícuo.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Casaco Despido

O que tenha praticado
Talvez fosse desistência
Talvez fosse olhar ao mundo
E só lhe ver descrença
Incompetência.

O que tenha visto
Talvez sequer existisse
Talvez fosse desejo
O desejo de querer-me
Somente assim
E, logo assim,
Sozinho e triste.

O que tenha acontecido
Talvez tenha sido a inversão
O cansaço da lia
A vontade do sol
O casaco está despido
E o meu peito corrói o mundo.

O que tenha acontecido
Talvez tenha sido amor
Paixão pela essência
Desobediência aos nomes
Desejo que não se reduz
Pois acorda preso ao corpo
E a ele, deve sua
Existência.

O que tenha acontecido
Foi que disse o contrário
Do que gostaria
Foi que fiz menos
Do que poderia.

Foi que fui sincero
Mas mediano,
Sem pedir nem dar
Fazendo por você
Mas sem lhe escutar.

Ter-me dado demais
Torna-me inquestionável
E, no entanto,
Nas é justo também
Que eu receba o mundo?

Dar-me demais
Causou-me medo em querer
Dar-me em excesso
Afastou-me do eu
Que quero ser.

E o eu que quero ser
Precisa, essencialmente,
E neste momento,
Conhecer você.


13/10/07

ocupo o escuro
desse espaço
que me abriga
e não me cobra
entrada
e não me permite
saída

até que o banho se faça
que o pranto desfaleça
que a dor se
converta
em lágrima
calor

saudade
afeto
mãe
pai
em não saber
em nada saber
exceto da agonia deste viver

estou escuro
olhos brilham
quando há água
e a sede
me faz chorar
bebo o pranto
de minhas próprias dores

o que me faz ficar
e não correr?
o que me faz aceitar
que é justo te perder?

eu não sei
mas existo
e dôo
e fico
e me canso

desejo um piano
para nele encostar
minha dúvida
e converte-la em
canto

um piano
com ou sem calda
como a sobremesa
o acréscimo
o presente à criança
delicada.

para dizer aleluia
ouvindo-se a si mesmo
num tempo seu
próprio
mas como os outros
passageiro.

eu desejo um piano
de teclas amareladas
para nele sentir as horas
e através delas resistir
à sacada
ao vôo
e ficar presente
no amanhecer do sol
e na beleza nele acumulada

falo de sóis
de agrestes que não sei quem são
falo do que me é maior
e do que é menor nessa amplidão

falo desta lágrima que seca
desde quando iniciei estes versos
deste som que cega meu ouvido
mas mantém-me vivo
pulsante

falo de feridas
que sangram
e eu não sei
cicatrizar

do sangue que não vejo
mas que jorra

eu falo disto
de você
daquilo que não sei
em mim prender.

do amor
da família
da saudade
do medo
enfim
da vida.

as mãos tocam acordes
pintam cores e sortes
ao mãos junto aos dedos
tecem linhas e gracejos

as mãos aceleram-se
em mim
precisam correr
para vazar o que desejo
contar
o como quero me ser.

as mãos me obedecem
na precisão do que ouso
ser (para mim e para elas)

as mãos correm
voam, me esperam

são estas mesmas mãos
que enchem o mundo
as profissões

as mãos dos que já as perderam
para onde foram?

de quem morreu,
onde encontrar?

Mãos que viveram
Que tocaram
E que carícias
Receberam

Para onde foram
As mãos que já não consigo
Tocar?

E se as amo
Para onde?
Como acha-las agora?

Mãos de mãe
Mãos com tempo
Que passavam-se pelo mundo
Dando a ele e aos homens
Um calor que os
Assegurasse
Da morte prematura.

As mães que me receberam
Que me fizeram
E me perderam

Eu choro pelas mães
Que em vão filhos perderam
Pois não haveria em si,
No mundo,
Amor capaz de detê-los?

No dia do meu aniversário
Marco um encontro com a
Morte
Encontro apenas para conhecer
Ainda mais de perto
O futuro dos homens
O meu futuro,
Por certo.

No dia do meu aniversário,
Que poetizar o mundo
O seu real estar
Conferindo-lhe as cores
Que por ventura
Precisarei inventar.

Cores que digam ao mundo
A mistura que me tornei.
Ao mundo, o quem sou.

Em meu aniversário
Tentarei, com força,
Assimilar os abraços.
Tentarei receber os beijos
E não duvidá-los.

No dia do meu aniversário
Quero perceber que
Morri um pouco mais
E que assim
A vida me importa ainda
Pois é ela
Fulgás.


15/10/07

Existe uma ponte
Nebulosamente longa
Tão grande é a verdade
E tão fraco o copo
Que diz a sustentar.

Uma ponte
Que parte
Do dizer
E que se por acaso chega
É quase capaz
Do outro lado
Falecer.

Ponto que culmina
Em ação
Em concretude
Em atitude.

Da verdade
A sua exibição.

Não como produto
Vitrine
Mas como conhecimento
Afirmação.

Ponto, travessia, colisão!
É preciso bater para sair do lugar.

Eu que escrevia a poesia
E você que adorava
Declamar.

Eu que fazia a piada
E você que a ganhava
E descontrolava  mundo
Fazendo-o rir
Ate chorar.

Eu que inventei certas feridas
Que só vi existirem
Pois você se dispôs
A fazê-las reais:

Eu no papel
Você no corpo

Eu com caneta
Você num soco

Eu na tinta
Você no sangue

Eu aqui
Você já longe

Onde nos encontramos
Agora?


segunda-feira, 4 de julho de 2011

distantes

eles falam de tudo
o tema não é problema
eles debocham

eles lançam a cabeça para trás
rindo a ignorância

como podem?
eu me pergunto
com ares
de sabedoria
póstuma

como podem?
ser tão imersos
no tempo
como podem
crer
que ser o que são
é ser outra coisa
que não somente
esquecimento.

pergunto sem duvidar
questiono sem dor
na alma
ou no peito
eles ainda assim
estão rindo
a eles
indifere
se fim
ou começo.

eles riem de ignorantes que são
eles riem de juventude extrema
eles riem como eu ri
naqueles idos dias
eles riem
porque a queda
ainda neles não se deu
porque a queda
permanece em pause
intrépida
mas contida.

na hora do quedar
eles haverão de mostrar
o sorriso que há
numa boca
sem dentes.

domingo, 3 de julho de 2011

Over Capacity

Ele dormiu quinze horas
seguidas
Acordou para o banheiro
para um gole água
e mesmo assim
acordou molhado

Perdido em sonhos aquáticos
em encontros memoráveis.

Ele se ergue
ele faz um café
ele come o bolo
o bolo inteiro
ele come
e depois
diz querer fazer poesia.

Ele tem nove anos de idade
ele teima em ser aquilo que lhe diz para ser
a própria vida

Ele se ergue
as janelas estavam fechadas
ele as abre
ele encontra dentro do armário
da área de serviço
um violão
velho ele encontra um violão velho

Ele olha para a mãe
ao telefone
ao pai, ele olha o pai
arrumando o televisor da sala
ele vai para o seu quarto
e em silêncio velado
compõe sua primeira sinfonia
para as coisas abstratas


Elas também precisam de amor.
 

EN

contro
cruzilhada
doscopia
xergar
tregar
o, brian
glish
tired
tropia
...

don't know why this
but, inside
everything that doesn't make sense
helps me
to cross the lines
what lines?

don't know
there are too many

\

sexta-feira, 1 de julho de 2011

DEPOSITÁRIO

resta aqui
cibilante
advento improvável
doído
mas operante

parte
se fica
adormece

no entanto
respiro seguro
ciente de que o
amanhã
floresce

lento
imóvel
dorme}
e acorda{

para dentro
para o cima
para o baixo
para fora

este caixote ensaístico
filosófico
jornalístico
e acadêmico

era ele.