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domingo, 30 de dezembro de 2012

prepare yourself

to drop water
over your body.

in the middle
of this room

you will drop water
to wash your shame
of you.

in ten minutos
i imagine
you'll resolve yourself.

dropping water
over you
as if it was fire

buring rules.

free yourself

while freedom

do not come
to you.

teria medo de tirar uma foto para lhes mostrar meu estado.


4 N O S


NATÁSSIA VELLO + CAROLINE HELENA + DIOGO LIBERANO + FLÁVIA NAVES + ADASSA MARTINS
= TEATRO INOMINÁVEL [http://teatroinominavel.com.br/]

fiel retrato

rio de janeiro, 30 de dezembro de 2012

meus filhos,

seu pai tem agora a pele machucada. ele cuida do que tem. medica. lava. se pudesse, tal qual se (não) faz com as roupas, passaria a ferro quente. pele a pelo. e deixaria tudo mais apresentável. mas acontece, filhos meus, que seu pai está faz dias em silêncio. faz dias, dentro de casa. e mesmo quando sai (dentro permanece).
e mais um ano se encerra, e o corpo do papai se enche de melancolia. se enche (talvez) de culpa. me entendam: é muito o já dito, ainda mais o já feito. e mesmo assim, a paz no corpo está longe de chegar. o papai pensa na guerra que pode vir a ser o próximo ano. e tem medo. tem mais, eu diria, tem preguiça. não quer brigar tanto para ver acontecer a própria vida.

a vida deveria ser autônoma.

ou não, meus filhos. talvez nem seja isso. seja só um descontentamento de estação. está tão calor nesta minha cidade do rio de janeiro que eu nem sei. sinceramente, nem sei. não sei do que se passa sobre meu corpo, nem dentro, quiçá fora. fora, vejo avenidas encharcadas de cerveja, vejo suor seduzindo a todos e a todas. tudo é tão bruto tão escuso que eu me tranco em casa na esperança de parecer menos comum.

eu ouço música como quem toma morfina.

que medo o papai tem de ser multidão.

salvem-me versos. salve-me melodia.

mas escrevo. vejam: eu escrevo. eu acho que nisso preservo em mim algum digno desassossego. alguma coisa digna de um grande poeta de nossos tempos. mas todos eles morreram. eu sei. já não existem. os grandes poetas sempre nascem no momento em que você morre, filho. vocês hão de ver - quando um dia morrerem (caso morram) - nascerá um lindo triste um poeta.
quanta confusão esse calor me traz. eu deixo que me tragam. eu deixo ser assim expresso feito confissão. bebo um café faz já horas. e ele ainda está quente, acreditem-me. é só para que tenham ideia deste instante. desta neblina aghora. sim, aghora.
filhos, estou de cueca. sentado frente ao computador. está claro o dia, apesar de pouco ensolarado. mormaço, se chama. sobre a minha frente um cinzeiro branco, com algumas guimbas vermelhas. uma tampa de caneta vermelha. a caneta solta, sem tampa. uma cartela de comprimidos (anti-inflamatório) e muitos comprovantes de compras inúmeras que fiz nas últimas semanas. e é só isso.
num só gole bebi o café. teria medo de tirar uma foto para lhes mostrar meu estado. mas não é bonito isso de se mostrar despedaçado. o meu coração também dói. para além de tudo já dito, dói ainda um pouco o peito. mais uma vez de novo hoje perdido. ah, sim. também há um isqueiro branco. pequeno. uma calculadora. e o ventilador, atrás de mim, sobre o chão, gira e entretém a minha desrazão.

se eu virar um poeta, um dia, me sentirei amado. não por mim. nem pelos outros, mas por vocês mesmos. por vocês, filhos - todos - amaldiçoados.

o próximo ano vem chegando assustadoramente doce. cheio das mil maravilhas. que medo o pai tem de tanta festa. de tanta armadilha. queria crescer logo e ter o corpo velho para aguentar a poeirice da minha alma.
mas não, fausto. não queira que eu seja a poesia que seu poema te obrigou a ser. eu não sou verso. eu sou, apenas, movimento.
deixe-me ser livre. e faxinar a casa. para não esquecer - jamais - que quanto maior o voo, maior a falta de ar.

do seu,
diogo liberano

e então o dia chegou

e eu acordei.

vivo. ainda.

sem pressa.

não sem dor.

o dia chegou
e aqui sobro eu
volvido em música
entornando café
e mastigando
frutas mortas.

eu acordei

o dia veio

e a vida

se posso dizer



continuou.

a vida continuou, poema épico.

sábado, 29 de dezembro de 2012

recomeço

tentativa se confunde
com inércia,

já não distinguo
poesia do
dia-a-dia.

o suicídio
se escorre
por sobre cada ideia

mas é só imobilidade
na casa
no peito
e no sexo.

o cigarro
me espreme a consciência
e fico então
enevoado,

incapaz de alçar voo
incapaz de apagá-lo.

penso que em alguns dias
outro ano terá início

e me pergunto

o que farei nele comigo?

quando me levarei para dançar
e onde
onde
vou plantar a minha paz?

eu não vou dizer
que fiquei triste muito cedo
(eu já o disse)

nem dizer
que faz falta a mãe
(estamos nós dois
nos desentendendo
faz anos)

assim
compro livros
passo um pouco de fome
me deixo viver
que seja um momento
que seja num instante

a propaganda
a horta
a fruta

o refrigerante.

e durmo
como nunca
hoje eu durmo
certo
de que amanhã
ainda será noite.



Família²


E então a viagem.
Minha, rumo a minha atual casa.
Perdão.
Eu me desliguei da família,
Por um segundo
Estar longe
É a menor ameaça.
E então vem o tempo
O vento
O frio
E o silêncio.
Passam tantas coisas por mim
Que se me vejo sozinho
É só questão de ser solteiro.
Não me lembro da mãe
Nem do pai
Poderia esquecer inclusive que morreram,
Caso o tivessem.
Uma paz sem nome.
Por vezes, ameaço-me
Em esconderijo
És filho de mentira!
És do demônio!
És seco tal qual rio.

Mas não
Sei que no amanhã
Futuro
Hei de lembrar
De tudo
De todos
Das faltas
E dos invisíveis contornos
de nossos laços
Hoje,
Desembrulhados
E sem força alguma.
Que falta faz a cicatriz da infância.

Família¹


Já não sei se me culpo
Ou aceito a cova precoce
E escancarada.
Se o que vejo
É como vejo
Que fazer então
Se a vista
Me desagrada?
Hei de cegar-me
Ou seguir-me
Vendo tal como
Vejo?

Família.
Tema pesadelo.
Uma ou outra
Vez ao ano
Eu me venho,
Aqui estou
Entre os meus
Eu aqui
Entre todos
Mães pais
Filhos irmãos
Sobrinhos
E eventuais
Estrangeiros.
Uma vez ao ano
Eu cedo
E venho
E vejo
E fico
E persisto
Mas não
Tudo me expulsa
E, se agora, todos foram
Tomar seu banho
De cachoeira

Eu a Deus, agradeço
Porque fiquei só
Com minhas palavras,
Aliadas aos dramas pequeno
– burgueses.

Não se trata disso.
Não.
Não é pouco.
O como vejo me entortece
Eu fico sem jeito
Eu quero chorar
Mas nem pena me é possível
Pois Família minha virou estrofe
Improvável
Neste tempo nosso
De versos somente livres.

Rimada
Tudo termina em cifrão
Família Letra pegajosa
Desde sempre
Desde antes
Desde ontem
Antemão.

Família minha rima
Com custo,
Não de escalar morros
Subir montanhas
Não custo poético
Custo façanha
Simbólico
Não
Seus custos
Pesam e despesam
Sempre apenas o bolso
E se hoje cedo chegou o cunhado
Já não o sei mais
E se hoje ele veio
Atrasado
Pós-Natal
É só porque estava a comprar
Ainda mais
E mais
E Mal.

Mal Compram.
Consomem.
Comem comem
Como ontem já não fosse ontem.
Comem o óbvio
O bacalhau que disseram
Comem as frutas que nunca souberam
Mas que são caras
E desfilam nas capas
De revistas.

E se tento
Por um segundo
Mudar o ritmo
Sofro o embargo
Generalizado
Da minha apatia –

Me dizem como sou
Dizem pra que vim
ao mundo
Dizem do que fui feito
Me fazem competir entre eles
A sua falta de respeito.
Me fazem competir
Entre todos
Quem tem mais aquilo
que nunca terei.
Porque nunca o quis
Por não acreditar
Que crianças motorizadas
Valem mais do que um sorriso

sincero

posto já esquecido.

Sofro
Em silêncio
E venho entre palavras
Me fazer abrigo.

Sofro
Caudaloso
Dentro me forma
Onda sonora
Rancor pesado
Luto que durará
Um
Ou mais
Meses
Um ou mais
“loucos”
Entreouvidos em meio a maré
De dessaranjos verbais
Fingidos à afeto.

Ainda um pouco.

O quintal vazio
Os brinquedos já quebrados
Não haveria algo estranho
Neste natal
Cujo papai noel é falsificado?
É pago?

Como foi que meus irmãos se despidiram tão rápido da inteligência que um dia me fizeram feliz por ser seu mais novo?
Ficaram burros
Brutos
Compram e não percebem que comprando tudo
Ganham o mundo
exceto a vida.
Não.
A vida se esvái. Não quer ser comprada.
A vida é terrorismo primeiro,
Incansável projeto
Alheio ao ser pego.

Meus irmãos ficaram tristes
E consomem o mundo
Para saciar a consciência
Que durante as noites
Lhes pesam
Feito crimes não todo-feitos.

E pesam
E feito cimento
Os imobilizam.

Eu bobo –
Deixo-me passar por pobre
Preto
Imundo
Doente
Coitado
E perdido.

Eu simples –
Deixo-me preso apenas no que tive até hoje
Deixo-me menos que todos
Deixo-me um pouco
Ainda mais
Pequeno.
Ciente que duelar quem pode mais
Só serve mesmo para dizer-nos
Do quanto
Podemos
Todos
Muito
Menos.

Não posso.
Não quero.
Que o próximo ano
Me leve para outro embalo
Que eu me surpreenda tendo que sinceramente
Viver outro
– que não o mesmo –
Mas outro.

E se me pergunto
Por que foi que vim?
Dói tudo dentro de mim,
Porque ingênuo
Acreditei na noção de família
(Hoje só viva em poesias antigas).
Muito antigas.

Se vim é porque acreditei que importasse a mãe
Algo meu
Um braço
Que fosse.

Mas não.
Tudo fora do lugar.
Eu não importo. Eu não sirvo mais.
Exceto caso prove estabilidade financeira.

Como foi que o dinheiro virou meu parente sem eu nem mesmo sabê-lo?
Dentro de casa ele tem mais regalias que um ente querido.
Não fossem alguns avós já mortos
O dinheiro os teria matado,
De ciúmes teriam morrido.

Porque dorme o dinheiro em bolsa blindada
Sofre carinhos de mãos ágeis e mal lavadas
Circula entre as crianças como fosse proteção.

Deus, que eu nem sei mais se não te acredito –
Está difícil manter-me assim tão vivo.
Meus olhos doem a realidade
E ela de mim não se dissipa.

Como pode o cinismo ceiar entre os entes
Da antiga família?
Poema longo
Feito pranto.
Não cessa
Não acaba
Passa o verso
E me faz lembrar
Que ainda não varri
Um tal cômodo,

A tal sala de estar.

Sofro.
Como quem mira o céu claro
À procura de chuva.
Tudo está dentro desta foto horrenda
É só uma questão do câncer
Manifestar ou não
Sua culpa.

A culpa
É a única da família
Que mesmo rejeitada
Marca sua presença,

Não maquiável,

Feito eu mesmo
Nesta reunião
Sem família.

[1] Escrito em 25 de dezembro de 2012, em Jacutinga/MG.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

e se...


eu lhes dissesse, meninos
o que venho pensando sobre mim
sobre eles
sobre todos?

aguentaríamos?

verdades
feito adagas?

aguentaríamos
o jogo
da sinceridade acumulada?

quero ir de táxi.
para suprir as pernas
da empreitada

que é

viver um dia.

Morning

Oh my
It seems i could
really
die

My words
are so like these:
death
sadness
not even one surprise

Now
for me
only what already
has crossed me.

You talk about summer
about sex
and games

but instead of smile
in silence
i'll be

locked

searching
freedom
where it does not
exist:

in you eyes.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O Natal

é a época do ano
em que mais facilmente
se percebe
aquilo que significa
presente.

Ou seja:
é tudo aquilo
que não está
em jogo.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Morte

És feito sorte
Ter por perto
A embriaguez aveludada
de verdes folhas finas.

Feito morte
O frio da tarde
convoca:

homens e mulheres
pássaros e meninos

Sintam no vento imóvel
A certeza sedutora
Do beijo abismo.

Venha.

Crave os pés à planta rala
E respire inerte
O fim
Que há em todo
Sorriso.

A vida é isso.
Só isso.

Sem mistério.

Sem posterguidão desmedida.

Hálito gelo
que convida
À narrativas.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Amanhã

É aniversário da pessoa mais importante da minha vida. Alguém que ainda não conheci.

A música alta a esta hora

só prova o quanto eu me perdi do tempo. A sujeira no chão da cozinha, o gato miando a todo o momento. Eu perdi as linhas, as agulhas, eu perdi sentido e nada me basta. Resto, amoroso com o sono, único remédio para cruzar estes dias.

A poesia por vezes morre. Ela existe. Sempre. Talvez. Enquanto houver esse ronco dentro. Mas ela por vezes morre. As vírgulas se perdem e tudo segue escorrendo como se houvesse no mundo um derretimento constante. Fico quieto e pesado.

Como posso me pesar tanto?

Ambíguo isso. Me pesar não quer dizer me ter pena. Pesar no sentido de quilo. Eu me quilo. Enquanto pela janela vejo as moças se de-maquilando. Tão magras, as moças, tão finas. Como vão sobreviver sem edredon num dia chuvoso?

Minha poesia nem sequer é triste. É inerte ao afeto. Nem mesmo muita coragem me tirará desta secura.

Só o seu beijo. É isso. Só o seu beijo.

Falir

Prova-me a morte
a fraqueza
A pouca força
A falta de norte.

Durar
Ficar
De fato resistir
Prova-se tarefa
Demasiadamente humana.

Quando foi que me perdi de mim?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

é cedo ---

para dormir.

lá fora
inda tanta coisa
me chama

que eu penso,
não é tarde
para tamanha
façanha?

é cedo para dormir

ainda resta o álcool
sobre a mesa, ainda resta
intacto
o próximo mês
expresso em calendário

não cumpri
com quase
nada
planejado

é cedo para dormir
mas se pede o corpo
que posso eu fazer
que não

ceder ao toque
do pano
da escuridão

do encontro
cansaço-sono?

não vou sofrer.

não vou.

é cedo
para ter que morrer
fazendo negócios.

sábado, 1 de dezembro de 2012

reflexão para um futuro próximo ou mesmo inda distante

sobre ser pai.

eu poderia escrever que não. seria mais fácil. negar é sempre um caminho dado. mas não. não posso ser tão simples assim. não com assunto tal que move meu íntimo e me desestabiliza.
pensar nos cabelos primeiros, nos cabelos pequenos, nos conjuntos de pano, cobrindo a pele recém-nascida. penso sempre nele andando ao meu lado, mas tão lá embaixo, tão pequeno, tão solto do mundo. tão descolado.
penso no primeiro par de sapatos. penso na altura que serei capaz de lançá-lo. apenas para brincar de medo e amor. medo e amor. assim, simples desse jeito. penso no abraço. no seu tamanho crescendo e fugindo de mim. não cabendo nos braços, nas mãos nem no sorriso.
penso tanto, meu filho, no todo. que te completo mesmo sem tê-lo vivo, sem tê-lo sequer a piscar-me um olho.
me emociono demais pensando nas danças que fará no colégio. nas paqueras, em tudo aquilo que poderá descobrir e que não temerás me contar. quero, meu filho, que você nasça pequeno como o mundo um dia nasceu. quero que sejas tão pleno, posto pequenino.
sem azia. quero que experimente cada semente. que passe a língua, sem saber se trará ao próprio corpo, doença incurável. quero que brinque em segredo de mim, que seja, apenas (eu estarei te vigiando).

por hoje é só isso.
e a cerveja, é claro.

retrato ao filho curioso de saudade

filho,
você me pede um retrato e eu lhe dou palavras. paciência. é o que tenho. o papai emprestou a máquina de bater fotos e sobraram apenas palavras, como sempre. pois eu me sento agora - ligeiramente embriagado - para escrever-lhe um retrato.
a coluna torta. o sorriso guardado. eu comi todas as minhas unhas das mãos hoje, portanto, escrevo a ti - e a teus irmãos - meio sujo de sangue já coagulado. no quarto do papai, uma música chamada "save me" toca numa altura extraordinária. é que os vizinhos estão em festa. pela primeira vez, a casa da frente, está em festa. antes era só um violão pela manhã, mas hoje, há pessoas circulando na rua e nas sacadas, sem camisa, uma promiscuidade (que o papai gosta, a bem da verdade).
a música aqui no quarto é tão imensa quanto a lá de fora. mas não se escutam, uma a outra. estou semi-bêbado, mas não menos consciente. poderia pintar estrelas, caso você me pedisse. caso você existisse.
é tudo um treino, correto? isso, de lhe escrever retratos. eu lhe escrevo quem eu estou, neste momento, e você nem sequer me promete vir junto. chegar mais perto. você não existe e não existindo eu também perco o sentido. se um dia o seu pai for mais que destemido, talvez a gente se encontre.
por agora, você é tão poesia quanto o tempo. você é possível na medida em que não existe para me provar o contrário. poderia dizer que sofro a sua existência de mentira, mas é tão verdade o que escrevo, que para mim mesmo sou pai já faz muito tempo.
fui pai precoce. antes mesmo da barba, talvez, já tivesse o sido.
talvez mais cedo até. não sei precisar.

ser pai me roubou de mim e não vi se era grande ou pequeno. lembro apenas do que senti. daquela possibilidade, entre as pernas, de dizer alguma coisa que tivesse validade. alguma coisa grande, mesmo que pequena, alguma coisa capaz de causar estrago, amor ou dúvida.

desde esse dia, em que te encontrei (você e seus irmãos), fui amigo também. e as suas vozes, ecoando dentro do meu peito ou da cabeça - não sei - as suas vozes me fazendo seguir, me fazendo companhia, sempre que alguém querido partiu. eu hoje, sinto tanto por vocês, que seria ingrato da minha parte um dia não lhes dar o corpo, tal como pregam as revistas e jornais de domingo.

ser pai, meu filho, ainda é sonho.

mas sonho morno, capaz de acordar em meio ao dia. e só depois se dissipar, feito fantasia.

eu vou estar com vocês. quando vocês vierem, de fato, pisar minha tranquilidade
e convertê-la, em amor pleno.

diogo.

to discover


i make a try.

i write a word
and then
what comes
i don't care
i won't lie -

sometimes,
a numbness
warms up
the mistery.

and it is better
to keep trying
instead of
get the better.

simple like that -

sometimes
i prefer the sadness
of don't have you
(off course,
"you" is only a word)

instead of have a happy poetry.

Este café.


Tem gosto do que já foi,
este café que eu te fiz
- e você não veio -
ele tem gosto daquilo que
não conseguimos ser
quando juntos.
Entorno o caldo negro
até o fim,
privando-me de sentir
várias vezes
o mesmo
Agora - já todo ido.
Não houve poesia
em te passar um café
e te esperar
quente
morno
e agora frio.
Teve gosto de arrepio,
depois ficou assim como antes
tudo ficou confusamente bonito.
E então,
foram noites até descobrir
o seu princípio:
toque primeiro desintegrado
capaz de fuga imprevisível
toque umedecido pegajoso
e feito carinho
morde
remorde
baba e cria vinco
depois
esfolia a alma
despedaçada
pelo desejo
abrupto e renovado
da manhã vindoura.
Este café passou.
Como você.

excedem

toda e qualquer tentativa
hoje não serve.

cansaram-se
os corpos
e as investidas,

rasta apenas
este silêncio dormente
essa nem mais sequer
vida.

pula uma linha

salta um soluço

passa uma ponte

e pronto
aqui estamos
novamente
tentando o isto:

quer vir?

acha que nos encontraremos?

te devo alguma coisa?

entre nós hoje o silêncio.

paz.

do espírito.

a morte
não vai te pegar
nem vai me assassinar
estou certo disso.

assim,
sem controvérsias
vamos nos dar um tempo
possível
vamos nos dar tempo
um pouco
ao menos
um pouco
ao menos
isso.

e quem sabe
depois
quando soubermos o rumo do poema
quem sabe depois
a gente se dê um laço
e se reinvente.

por agora,
não há nada
exceto excesso
exceto muita
muitas
tentativas.

por agora,
meu amor,
ainda me implica
te chamar desse
jeito.

pula uma linha

salta um soluço

passe uma ponte

e veja:

estamos os dois
hoje tão cansados
na beira
do abismo.

poderíamos saltar
não houvesse
tanta sorte
a costurar
nossos íntimos.

não se preocupe:
hoje ainda não é o último dia de nossas vidas.

vamos nos dar um tempo
até que ele chegue.

as unhas

ficaram deitadas
e imóveis
pelo chão da sala
como fossem
sortes que não deram
certo.

as pontas
dos dedos
todas
carcomidas,

enquanto dentro
de mim
uma satisfação tão plena
uma tão longa avenida.

silencio,
para ouvir o fim do dia
aportando tranquilo:

eu poderia estar ao seu lado
não fosse meu corpo
inda tão cheio
de espinhos.

ofício

em uma linha
o resumo

para me manter vivo

esforço-me
perduro
desentretido
a mirar olhares
mirando passos
vendo mistério
onde há apenas
sem gracidão.

o meu ofício
faz algum tempo
serve apenas
para me deixar
mais tempo
aqui imerso.

neste instante
em que a vida
lá fora
escorre
deitada
e imóvel
em esquinas
de asfalto
queimante,

neste instante em que a morte
adormece
e acorda
se faz lembrar
e se faz forte

neste momento
em que a poesia
é apenas um esconderijo
egoísta
e despropositado,

eu me vejo
sobre corpos
talhando passos
insinuando sinceridades

eu me vejo
trabalhando
apenas para me deixar
menos fraco
me deixar
mais capaz
de sobreviver
ao inevitável
corte

que faz a vida
a todo o instante
faz a vida

sobre ricos
e sobre pobres

limpando dicotomias
e instaurando
enfim

tempo.

primeiro de dezembro

falta insulina
ao corpo dormente
sobra poeira
pela casa
sobra sujeira
entre os dentes

na cozinha
o café estala
queimado
os biscoitos
amolecem
solitários

no banheiro
o cheiro
atravessa
os azulejos
tudo negro
tudo negro

na sala
a cadeira
está bamba
se foi sofá
se foi televisor
somente um pelo de gato sobrou.

a morte veio
e me levou daqui

ficaram lembranças
de coisas ainda por vir

a morte veio
e me tirou de casa

bom é bailar
sem mão que interrompa
o desejo
de ser esquecimento.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

átimo

escrevo poesias
como quem trama o futuro,

se engasgo
pensando na vírgula
é como se não soubesse
se as férias seriam
em janeiro
ou em julho.

escrevo-as
como quem trama
as reviravoltas
não-tramáveis:

não adianta dizer que vai tentar parar
ou você cessa o cigarro
ou ele estará sempre ao seu lado

feito rima
doentia com ar
que junta tudo
num só átimo
e faz amor
parecer coisa comum.

escrevo tanto
que em uma vida
talvez não me coubesse.

sorte a minha
ter página em branco
sempre que a alma
me aborrece.

sorte a minha
tramar versos
como quem trama esquinas,

ando
ando
subo ônibus
desço avenidas.

é sempre preciso
vagar cidades
até descobrir o sentido
da solidão
de um quarto
de século.

enquadro

como posso
tantas vezes por dias
ser exatamente aquele cara
que eu abomino
o qual
não desejo ser
mas que me toma
me é
me faz e azucrina
(aos segundos).

como posso
ter tanta certeza
e perder a indagação
frente
ao cúmulo?

eu queria tanto não ter mentido
hoje
não ter falado
que foram
os outros
que um dia me amaram
que foram os que me amaram
meros simples malucos.

a vida me deu tanta complexidade
e eu, poeta, trucidei tudo em resmungo.

que triste é ser homem
quando menos que isso
seria melhor
seria mais limpo
mais certo
e inseguro.

oh, sim, eu poderia


ficar aqui
escrevendo
poesias.

não que sejam
poéticas
não que sejam
belas
fruto de um engasgo
d'alma
não que sejam
fortes
dilaceradoras
que sejam
estas palavras que escrevo
capazes de afetar
alguém
ou algo
ou mesmo nada.

não são.

são bobas
desatrevidas
são palavras que não são minhas
- nunca seriam -
são descompromisso puro
sabe tipo
aquela azia?

que vem
pós-almoço
que rouba um pouco do sossego
mas que se esquece
e ali fica
doendo
sem chamariz
doendo
sem grito
ou morte
apenas presente
latente
dor de quem tem a sorte
de doer
sem sentir neblina.

oh, sim
eu poderia
ficar aqui
não houvesse o sono
o sexo
o silêncio
e a fome
a fruta
o pão

fora da geladeira

azedando.

não,
eu poderia
eu poderia
mas sabe?

eu não sei.

sabe?

eu não sei.

e isso
faz tudo parecer
necessário.

não me conte
não me faça saber
que se isso for
assim
desse jeito triste

se isso for assim
certo
como quem sabe
eu vou
eu juro
eu me mato.

estava tudo certo

é como esquecer
que o tempo
passa
e pode
nisso
te levar.

é como
- eu não sei bem -
mas é como
se eu pudesse
me acostumar:

ruim
doloroso
mas o corpo
infelizmente
sobrevive

o corpo
informa ao corpo:

há outro canto
no qual se pode
se encontrar.

e vaga
e sobra
e mira
e vai
e volta

e enfim
um dia
já do seu lado
eu vou saber

que não éramos para ter sido juntos.

que estava tudo certo

e que assim como o tempo
o desejo é falho

o desejo é fato.

decisão

acertada ou não
cruza a linha
sem temer
o distante.

as mãos
trêmulas
e operantes,

avançam

feito coreografia
deste momento

em que cientes
deparamo-nos
e de fato
- talvez pela primeira vez -
nos vemos.

olha

veja

mira

eu te escuto.

o que pode haver entre nós
que não seja isto, apenas
que não seja isto
isto?

sente?

y


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Arcano

He told me
I should cut off
The confusion

Even if
People could look at me
Like I was stupid.

And so i did it
And so i'm doing

sábado, 24 de novembro de 2012

(broken) heart,


don't worry!

we usually broke ourself
to find out again
the life that was missing.

so just give a smile
in front all of your broken pieces
to start in a new way.

cry your hurt,
being the sadness in person
(please, even for one day)

and then
and then, believe it:
it is not only with you.

hearts are broken
all the time
and that's why moon exists:

have you looked to the sky today?



the moon is always
telling us
the way to be:

sometimes it is not complete
and others times
it is full of brand new tint.

sometimes in pieces
and sometimes
in pieces too.

what does it means?

give your heart
the possibility
of be like the moon

be your heart
darkness
and full light too.

* to cheryl lam (who i never met)

decisão

de agora em diante
só vou escrever poemas
para expressar isto que não sei hoje
e que nem mesmo amanhã
terei condição de saber.

chega de usar poesia para falar do que já soube
do que provei
e gostei
do que provei
e não gostei
do que já soube
ou do que você
um dia
outro
noutro dia
me fez saber

desfilo os dedos impacientes
buscando nisso
alguma coisa
incapaz de se fazer crente

sigo esperneando
a procura do quê?

da batida
da batida
dos dedos
como fossem corpos
dançando
ágeis e sema cento
sem gravidade e por vezes
somente
somente
aquilo
aquela força
que toma
que toma
!!!
que pega
e invade
e conduz
e cidade!



pronto
num segundo
eu aqui assino
a possibilidade de ser medonho
mesquinho
de ser genial!
de ser gênio
e ser sozinho!
de ser pai

e reunido!
nos filhos!

a poesia me serve imensa
porque eu pequeno
querendo grandeza
encontro apenas
o lúdico disso.

querer ser grande
só pode mesmo
ser delírio
ser brincadeira.

to cheryl lam


dear cheryl
i do not know you
but
we are always
talking

and i imagine

how can it
be possible?

you know,

we are so distant
we are so far
but

always
we talk
and words
are so powerfull things

words can fly.
words can fly.

i do not know
what will you think about these things
i am writing here

ok

it's ok
my english is terrible
but i am a person
a good one,

really

believe me
i am a good guy
and even when i am
drunk

i can think things about the world
about justice
about some kind of ethic
(i do not know some words
that are so important for me)

but
forget

you will never know
i wrote you

all this.

escrever no escuro


pronto
fecgeu s ig
estou bebado
e estou me divertindo
escrevendo no escuro

sim
tenho olhos fechados
mas a consciencia é tão limpida quando estou embriuafadado
que mesmo nao escrevendo exatamente o que quero escrever
mesmo assim
me sinto invadido
e me sinto limpo
me sinto
vingado

si 
sei pular linhas
sei que tento e mesmo assim esotu jogando
jofa
porra
porra
 ´[e 
ó
porra
eu perdio o caminho
e e
e sigo escrevendo po
sigo escrevendo
amanha
gostaria d3e ac
gostaria de acordar
simplesmente
semc ompromisso
sem problemas
sem misterios
queria acordar
e docnt
e
acordar e continuar dore
acordar e continuar dormindo
acordar e continuar domrm
ac
e a
e continuar dormindo
é isso!
é isso!
eu queria acordar e continuar
acordar e continu
e
a
e
acordar e c
acordar e cot
p
q
porra
quero dizer
que amanhã eu quer
eu queria acordar e conntinuar dormindo
acordar e contnui
ao
acordar e continuar dormindo!
isso!

acordar!!!
acordar e continuar dormindo!
acho que agora escrevi direitinho

acordar e cotnin
acordar e contnu
porra
pq eh tao fifidididi
dificil?

fiz interrrogação
acj
merda
!!!
ecxl
ex
!
ai
to bebebebadi!
f
meu deus
que di

m
se perde am 

,er
,erda!
,erda!
é tao facil xinftgtfaaar!!!!!!

peso


pesado sem olhar rimas
deico
a mão
tropeçar
como se fosse possível
escrtever sem pensar
na tragéia íntima

íçpç
sei que estou perdido
mas de olhos
anda
fechados
tento o possível
e o não
possível

acentuo palabvras
acentua 
acentuo
eu quero dizer
eu acentuo palavras
como quem pode
quem sabe
escrever poesias
escrevo
escrevo

e pulo linhas
pular linhas é fácilç
é cmo
é como esquecer dores

e
df
euq
porra
porra
quero dizer
pular linhas é como esquecer doresa
dores
antigas
eu tento
eu tento
e as vezes
sema cento mesmo
sem gravidade
pular linhas
quero dizer
esquecer dores
é só 

eh só mera questão de velociudade
de 
de velociud
de velocidade
de vlecodididdi

merda
perdio o fluxo
meuso ol
meus olhos fechados
me invademv
me invadem
nao sei
eles me olham o dentro
me reviram e provam
o concreto
o v
o
cmo

´p

porra
tá i
é dificil até mesmo reclamar
meus olhos fechados
quem sabe
abrirsei

abrir se ao
noutra manhã

se voces 
se vo
se vc estiver lendo essa poesia
quem sabe vá duvidar de mim
quem sabe
vc
ao ler
esta poesias
se perguynte
se pergunte
se pergunte
se isso é mesmo
isso que eu desejo pra ti
e pra mim

não é
não é
quis sempre o melhor
mas hoje
isto
isto
isto
é só o que consigo ter
dar

é
é
pe o que consigo te dar
me dar
é o que ocnsigo
para ns
para nos receber

(percebam
iys3eu 
os
ousei usar uma
não ekfdso
poir
merda
merda
escrevi medda?
merda?
acho que sim
quis dizer
que fui tentar usar parenteses
mas nessa escuyridao toda
sema cento
nao sei bem o que esc
m,er
porra
´
porra
ta claro?
porra
usei uma interrrrrrrogaçã
merda
merda
merda
ok
aca
acaboui
acaboua
acanou
acanou!!!!!!

para começar

é raro
o instante preciso
em que ao escrever uma letra
eu esteja
comigo mesmo
e com meu tempo
conectado.

as palavras voam sozinhas

levam o sentido
inventam discursos
dizem coisas
que desconhece
o íntimo.

é raro
quando me pergunto

é mesmo isso, diogo?

ou suas rimas
querem apenas
fazer som
bonito?

é isso, diogo?

queres mesmo dizer que hoje tanto faz
queres mesmo dizer que seu peito é tenaz
ou foi apenas fácil
rimar dor com sinceridade?

é isso, diogo?

ou sua poesia já não o diz
ou sua poesia já não lhe faz parte

apenas,
imprecisa
transita firme
entre números marcados
sua poesia
firme
transita
entre firmas
criadas
e nisso
tu nem já sabe?

eu não deveria te dizer, diogo
mas essa cerveja
esse som alto
estourando a possibilidade
deixam a gente
demoníaco como o diabo.

não vá fazer filhos.

não vá fazer mais filhos.

cansei

dessa batida
que imprimo
ao dia-a-dia

cansei de não mudar
a repetição
doentia

que me traga
que me traz
que me envolve
e determina.

cansei da morte alheia
cansei da sorte
vindoura
ou não.

cansei do silêncio
cansei da interpretação
cansei sobretudo
do sobretudo
do cinto
da calça
do perfume
do penteado
e da decoração.

cansei num extremo gosto
que já nem sei se não gosto
do mais
do menos
ou do meio
termo
do meio
caso
do meio
ao meio.

não sei
tamanho cansaço
hoje sou
pleno

impossibilidade de definição.

e que seja assim
que assim seja
que eu não saiba
dizer hoje
se deveria ou não tomar
esta cerveja.

que eu não saiba
hoje
e ainda amanhã
como fazer pra voltar
à importância
do seu coração.

Imprecisa Rigor de Instabilidade.


talvez fosse ser o nome
da minha primeira filha.

imprecisa seria
do início ao fim.

eu sei sei disso
ela sairia de mim
também de mim.

seria imprecisa
carregada de imprecisão
mas teria
vindo de mãe
vindo de duplo pai
teria imprecisa
fome de busca
como quem busca
a perfeição.

por isso instável
imprecisa seria inda mais instável
na busca tenaz
por vingar
o sobrenome
do avô:
rigor.

imprecisa rigor de instabilidade.

seria linda
com sorriso perdível
seria imprecisa
o rigor
da instabilidade

nem tanto
quiçá muito
imprecisa seria
porto seguro

de nossa época
desta época
de agora

para este tempo,

imprecisa
seria o que nos resta.


devil


is looking através
de tudo isso here
he knows i'm not
what i should be,

devil
speak minha língua
e veja na minha confusão
o impossível que é
being here.

fila

desfila
multa
multiplica

sai
salta
arrisca
mas não

não faça como antes

não me faça
isso
não.

nossos versos
uns aos outros
formam formas
de pedra
ou de revólver.

desfila
esse pavor que nos une
e faça a poesia
virar estrela,

salpicão
de afetos.

encontrei

no sono
a leveza

no sono
encontrei o silêncio
que a sua voz
roubou
da minha vida

encontrei
no sono
o refrão
que não cessa

a certeza
confessa
de que tudo será
tudo será
eu sei.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

um pouco menos

eu cheguei ao ponto
onde devo parar.

para os próximos tempos
menos tempo
de mim
haverá.

doem as costas

o corpo produz dobras
que após desdobradas
viram marcas
como cortes
certeiras
ainda que tortas
marcas
como as deste tempo

não são passagem

são dobraduras
cheirando
tonteira.

cheguei ao ponto
eu paro
e olho para onde?

para a fixidez
deste segundo
no qual certo
transpiro
inquieto
não precisar de nada
para além
disto
disto
só isso.

hoje
menos que ontem
minha fome
dorme apaziguada

aprendi a amar
quando em falta
o silêncio

de forma que quando frente a ele
agora
e amanhã
agora
e sempre

posso restar
mirar no olho
e fixo sobre o ponto

encarar a dúvida
sobreviver a interrogação
não saber nada
ser não como quem sabe
ser apenas
como quem
estou.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

oh, não

não se iluda

as rimas lindas

as fáceis
doçuras

são apenas
impossibilidade
de tocar

no que importa.

oh, por favor,
não se engane.

eu não acho lindo
eu nem sequer
me importo
em escrever
nossa história.

as rimas
rimadas
são apenas
distração
para a gravidade
ainda não todo
processada.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

bebendo o tempo para enraizar o espaço


edição

perdi
a medida

avassalei
sentidos
e rompi
a parede
dura
das esquinas.

restei
agora
como estou:

munido a verbos
embalado
por certos
insucessos.

eu hoje
sou impossível
e por isso
apenas
por isso

posso te cortar

verter seu fluxo

e refazer
meus sonhos.

todos sem ti.
todos sem ti.
todos sem ti.

poemas de amor


não são redundâncias.

poemas de amor
são enredo sem fim
costura a fio
firme
cheirando a aço
e osso.

poemas de amor
são os que escrevo
quando o beijo
me chega
meio morno.

tenaz
tentativa
de transformar
de vez
o seu silêncio
em explicação
possível
à pele.

poemas de amor
não nascem
quando sei que posso
quando sei que
te tenho

nascem
oh, poemas!
de amor!
quando sei
que na sua boca
cabe mais
que não somente
nós dois.

nascem os poemas
quando de amor!
se por acaso
ou se
por caso seu
eu não esteja tão certo
do nosso
a saber
do nosso
laço.

nascem os poemas!
os de amor!

apenas quando
apenas quando
apenas quando
a sorte
se embriaga
e eu já não sei

mais

se eu te basto
quando eu já não sei
mais
se tu
apenas tu
você
me segura
por uma noite inteira.

nascem poemas de amor
apenas quando se duvida
da sua potência.

nascem amores
em poemas
apenas
quando

não se tem nada
a fazer

nascem apenas
quando
como agora
assim - como agora -
eu
aqui esteja
sem você
eu sem você
(que nem ainda
sequer vi
uma
vez
que
fosse).

viste?

nasceu.
mais um
acabou de nascer!

liberdade

é quando o sorriso
escorre
com gentileza

e vergonha
comedidas.

nada excede
nada falta

ser livre
é ser
o que sou
quando estou

e mesmo

quando penso apenas
em ti.

como se fosse para ti

eu toco os joelhos
sobre o chão
empoeirado.

eu passo a mão
feliz
sobre a poeira
sobre
o tecido
aveludado.

eu deixo escorrer
suor
sobre a pele
recém-lavada;

eu corro até a pia
pego gota no ar
pego no quente
no frio
no estorvo,

eu trago
ao meu colo
ao meu íntimo
ao meu sossego

o seu risco
mas por quê?

para quê?

eu sigo
acreditando
que ser o meu melhor
será
para sempre
o que posso
sempre

fazer.

não me resta alternativa:
sou hoje
como ontem fui
e amanhã serei

o que posso ser
de melhor

como fosse
eu hoje
embrulho florido
para ti,

como se toda a minha vida
fosse ação
una
a te
servir.

dobra

ergue
mira
mas não toca

ergue
mantém
sustenta
esquece

lembra
e chora.

ergue
de novo
ergue
e fica
ali
parado.

o tempo:

passa
volta
flui
o tempo voa
embaraçado

tempo
tepmo
tepom
tpome
etmop
tmeop

muita coisa.

mas nada
exclui
a sua presença

aqui
e agora.

sábado, 17 de novembro de 2012

sem força

para vingar
a vingança
destinada
a mim mesmo

hoje eu quero deitar
e permanecer inerte
sobrevivendo
ao tempo

venta tanto aqui em casa

e mesmo assim
as janelas fechadas
o silêncio perfurado
por uma
ou outra
felicidade
vizinha.

eu me alimento
eu quero trocar a roupa de cama
mas hoje sou cama
sou lençol

não sou pessoa
não quero que me liguem
que me chamem
que escondam
em mensagens parvas
o desejo
a fome
e a carne

hoje eu estou bem
desde que continue
esquecido

hoje eu queria
estar morto

mas amanhã
amanhã eu vivo
amanhã
eu

vivo.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

ostracismo ---


antes

eu me erguia tranquilo
e trocava a música que me incomodava.

antes eu enchia a taça
sempre de novo
para impedir que a embriaguez
me fizesse sala.

antes eu me erguia tranquilo
sempre tranquilo
e os joelhos sequer falavam coisa
sequer estalavam

eram fluidos
eram livres
eram lindos

mas passa

passa
mais e mais
a casca engrossa
e a coisa
engasga

hoje
me ergo tranquilo
com consciência abalada

produzo mais que tenho
devo mais que deveria
caso meus joelhos
tivessem
o jogo

que minhas palavras
teimam
em deter.

libertem-me.

eu as peço.

mas formo com isso
frase de estranho efeito:

eu sem elas sou silêncio
elas sem mim
são pobre enredo.

deixa

por hoje

talvez

nada
de novo
e
mais
uma
vez
FEITO.

hoje talvez
NADA FEITO,

dimensional

deita a cabeça sobre o travesseiro.
não sonhe - esta noite - com dentes
caindo
ou saindo
caindo sobre a grama
ou saindo
da sua boca
seca de sangue.

deite sobre o travesseiro
e de olhos bem fechados
acompanhe
os fones de ouvido levitando
e dançando
inertes
sobre o seu
aparente
sossego.

deite sobre
e deixe que costurem
no ar
a tentação
que é fugir
deste silêncio.

não haverá nuvem
nem água
chuva
nem vento

a dor permanece
imóvel
feito móbile
em dias
de janela fechada.

é quase quente
é morno
não há nenhum barulho
vindo da sala.

solidão

quieta

miúda

móvel
mas tenra
à espera
da saliva
abrupta

da fala
do verbo
do incesto

a perfurar
a nossa improvável
inábil
habilidade
de se ouvir
e se olhar.

de se
ver
e
se
escutar.

salto
por fim
sobre o travesseiro
os olhos já cerrados
quase se anulando
- pelo inverso -
quase se cegando
para o eterno

e pronto,
enfim
sua poesia
me dói
feito fosse pluma
a irritar
a pele plaina
da poesia
imberbe
ainda
sem morte
desconhecida.

fica
hoje
pois eu posso voar
no seu embalo
e perder
toda
e
qualquer
medida.

mais uma vez
sobre o travesseiro
você ri
sem dentes
você sonha
quente
mas venta
no quarto
há tão pouco
inerte
venta quente
e o correio

está ansioso a tua espera.

vai
dorme
porque amanhã
você ainda
precisa
estar
vivo.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

com seu rock

ou sem
com má sorte
ou boa
também

eu sigo
acreditando
que essa rima
abusada
de nossas vidas

hora
ou outra
vai virar
tatuagem

vai colar
e me
nos
arrastar
ao direto
e vivo
embate.

veja,
hoje eu soluço
poderia ser por conta do susto
de saber-se
amado?

terça-feira, 13 de novembro de 2012

não fui proibido

de receber o medo
e expressar
sentido.

não, não fui
incapaz de lidar com aquilo
para apenas hoje
como antes
escrever somente o que digo.

não, não desse jeito
aqui me lanço
e me raspo
meio ao meio
descobrindo no vício
um jogo-enredo-possível:

cada buraco é cova
que me atrai
e fomenta.

eu poderia ser ripa
poderia eu ser poema
apenas,

mas sempre
sempre com sobra
retinta
de desorientação
tenaz
rumo à indefinição
disto tudo.

disso,
fica apenas o senso
prático
de que a poesia não presta
assim como não presta
também o mundo.

estamos quites.

blink

hoje o sono
engole até a poesia,

ela não veio
nem você
somente

esta
a
zi
ah.

é tarde para desistir


Especular outro caminho possível
Sim, sei amar possibilidades
Mas me dói toda vez que o jogo é sobre o meu destino
Não queria ter outro destino que não esse
E se me olho
Um instante
Sei que vou morrer
Neste caminho pernicioso no qual me lancei sem rede
Nem freio.
Um amor, talvez
Talvez um amor pudesse me frear
Me fizesse ficar
E me fizesse aprender qualquer coisa que não fosse apenas
Este esquecimento.
O jogo segue
A pista se move
Meus olhos pesam
Eu queria ter dado certo
Mas sempre é tarde para desistir
Sempre é cedo demais para morrer
Gangorro-me
De mim quem sabe
Até você ai
Ter dado certo não é bem isso que se vê por ai
Ter dado certo
É simples
A ponto de se perder a medida.