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sábado, 30 de junho de 2012

o fundo da noite

por vezes
a duração de um dia
diz respeito apenas
ao restar.


já não importa
se cedo
ou tarde
importa apenas
durar para além
dos segundos.


criar raíz
no silêncio da passagem
dormir com peito cheio
peito inflado
ansioso por fim
ansioso por ser
museu em si lacrado.


dorme em paz,
durma bem esta noite
deixe-se dormir sem parar
avance destemido
sem medo do mundo da noite


por mais que você o procure
sabe-se desde ontem
não irás
nunca a fundo
o tocar.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

JUSTO UMA IMAGEM

Texto a partir do espetáculo JUSTO UMA IMAGEM, de Denise Stutz e Felipe Ribeiro.

--

Estou faz semanas querendo sentar para escrever as palavras que agora escrevo. Assisti ao espetáculo de Stutz e Ribeiro no Teatro Estadual Gláucio Gill e, desde então, é como se tivesse meu corpo assumido certa impaciência expressa num olhar mais afiado e numa escuta mais duradoura. JUSTO UMA IMAGEM se apresenta como um espetáculo que une cinema ao vivo e dança contemporânea a partir da obra do artista Jorge Selarón (que para quem não sabe, criou a tão famosa escadaria do Selarón, na Lapa/RJ). Porém não é sobre isso que me interessa falar. Aqui escrevo, sobretudo, para abordar o poder da imagem e o poder que é o seu próprio auto-questionar, o seu próprio esboroar.

Se é o corpo da performer ou sua sombra escrita ao fundo do palco, já não sei dizer. Meus olhos transitam no jogo possível que é a imagem. Não sei definir conceituar nem mesmo defender uma ou outra visão do assunto. Contento-me em ver. A imagem baila a minha frente. Ela não precisa de manual para se fazer presente. Por isso transito. Como num quadro exposto ao fundo do teatro, a atriz esboça tintas via movimento. A iluminação do espetáculo acentua os vetores as linhas e direcionamentos. É uma poesia concreta e ao mesmo tempo tão impalpável. Por tanta linha em curso (a começar pela tábua corrida que dá chão ao teatro), eu me pego pensando que tudo talvez não passe de uma questão de opinião. De linha. De qual fio eu escolho para seguir.

JUSTO UMA IMAGEM se apresenta revestido em doçura. Em corpo exposto mas gentil. É, no entanto, jogo que te traga para o dentro de suas oníricas realidades para, em seguida, te expulsar, refém do próprio estranhamento. O encontro nosso com a imagem ali escancarada abre outro destino ao pensamento: trans…forma. A relação criada entre texto e corpo é sutil e diversificada. Seja porque Ribeiro pronuncia o seu texto enquanto Stutz dança suas palavras. Seja porque Stutz dança o seu corpo e faz com que as palavras saiam de sua boca também dançadas. O texto e o corpo não nasceram colados. Nesta peça, isso fica muitíssimo claro. É tudo uma questão de encontro (ou não).

Divulgação.


A imagem ali posta e contra a parede (do palco) pressionada, escorre o seu desejo totalizante. A imagem não apenas quer se dizer, a imagem quer dizer e ser interpretada. Quer ser entendida. Ou seriam meus olhos? Seriam meus olhos que acostumaram a amar o vermelho? Ou amam o vermelho para disfarçar o medo do sangue e da carne? Mas donde foi que eu tirei que aquilo é aquilo e não isso? A sequência das cenas ou movimentos me levam a detectar em mim um automatismo que eu já sei deter, um jogo pronto que eu já conheço em mim, mas - eu percebo - é sempre bom se voltar contra ele. Mas age, durante a revelação do espetáculo, age sobre mim uma espécie de desfibrilador de brinquedo, que dá choque preciso em pontos nevrálgicos da minha consciência. JUSTO UMA IMAGEM me faz querer dançar não o sentido, não a imagem, mas sim a forma pela qual eu os atinjo. Minha cognição sai toda atrapalhada. Fiquei burro na pista de dança.

Daí já não sei dizer do cinema, quiçá da dança muito menos do artista que compôs a longa escadaria da Lapa. Importa a mim ser corpo à denúncia expressa no título da peça: JUSTO UMA IMAGEM que te escraviza e que te embala. JUSTO UMA IMAGEM é capaz de muito e também de nada. JUSTO UMA IMAGEM como intersecção plena entre a justeza do sentido e embriaguez do corpo que o abarca.

De nada. Saí da sala de espetáculos e disse aos amigos que não sabia de nada. Que preferia não falar, por um tempo. Saí já desacostumado, vertendo a mim mesmo outro caminho que nunca a mim tinha anunciado. Dizia deixa que depois eu comento, deixa para pensar depois. A peça, em sua medida, me agiu a mudança sobre o pensamento. Me fez pensar sobre o porquê deste gesto. Sobre o porquê de um, dois, três, vários acostumamentos.

O corpo de Stutz fez música não porque cantava, mas porque dançava tanto que fez titubear os pelos, nascendo disso poesia sonora e corpo-catavento. As falas de Ribeiro, por sua vez, por mais que fossem texto explícito e declamado, vinham junto às imagens tramando desacordos, desmontagens e demolições. Eu não sei se estas minhas palavras dizem o que gostaria de expressar. Mas eis aqui, desta forma, neste arranjo e com estas cores, certa imagem turva da impaciência sincera que o encontro com a arte me provoca.

--
JUSTO UMA IMAGEM
ficha técnica:
criação: Denise Stutz e Felipe Ribeiro
direção: Felipe Ribeiro
intérprete:  Denise Stutz
vj-ing: Felipe Ribeiro
direção técnica: Daniel Uryon
produção: Samuel Paes de Luna

últimas apresentações:
de 09-31 de maio - qua e qui às 20h - Teatro Glaucio  Gill - Copacabana - Rio  de  Janeiro

prêmios e editais contemplados:
recebeu subsídios do Programa Rumos Itaú Cultural de Dança 2010
foi contemplado no Edital FADA 2011 de circulação da Prefeitiura do Rio de Janeiro
--

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Sisudas Palavras


Acredito que elas possam capturar
Algo que fique
Por acaso
Perdido no ar.

Acredito que possam expurgar
Algum pedaço de dor
Que não consegui
Em mim
Matar.

Acredito tanto que possam
Algo que eu não saiba ser
Que talvez tenha
Acostumado
A tê-las mais em mim
Do que eu em você.

Tanto nelas acreditei
Que me esqueci de viver
Escondi-me de ti
De te olhar
De te ver
Que hoje sou só
Apenas eu e elas.

Elas que me conhecem mais
Do que ninguém
Que me entorpecem
Dizendo outras
Que não são você
Nas quais você não cabe
Nas quais não pode
Você
Ser.

São palavras
Nas quais me detive
Quando estive só.

E só,
Não pude só me ver.

Por isso corri linhas
Saltei versos
E nelas,
Palavras,
Fui respirar.

Hoje,
Se me sufocam
É, pois você também
Tira-me o ar.

Hoje,
Se me sufocam
É, pois cansei de te inventar.

De sentar-me com elas
E entretendo-me ao amor
Criar outras faces
Que não essa
Sisuda
Que você tem.

A realidade ultrapassou
Tudo o que elas foram
Um dia.

O suor do meu amor,
Abatido amor,
Faz-se num cheiro
Que não se explica
Por isso nem eu
Aqui
Vou tentar.

Acredito que tenham dito
Muito do que sou
Ou fui
Ou quem sabe
Um dia será.

Mas, hoje
Quando me vejo assim
Posto em palavras
Dôo por reduzir-me
A existência
Em diversos arranjos
Que não me dizem por inteiro
Que não são feios como eu
Que nem são belos
Feito o que conservo
Dentro de mim
E que só pode ser
Algo mais do que
O meu amor por você.

Seja você qualquer outro nome
Que essas palavras possam escrever.

SOLILÓQUIO PARA DISTRAIR A MORTE


Rio de Janeiro, 01 de novembro de 2006

- Eu não quero ser o criador daquilo que não quero para mim, mesmo quando o que quero é o inverso do que normalmente se deseja. Não quero escrever as últimas palavras, nem mesmo fazer poesia com meu corpo morto. O que quero nesse momento é descobrir o porquê do meu querer. Pois eu não quero que o caminho seja outro, inverso àquele que todos planejam com ânsia e estofo. Apenas não quero crer na real existência do que existe, virtual que seja, e que vejo e sinto e que por sua existência deixo-me acordar inúmeras vezes durante as horas dos dias e das noites. Eu sequer queria fazer poesia, mas sei que a fazendo amenizo o tamanho da complicação, aparo as arestas que me tiram sangue e lucrando em sangue lucro tempo de morte. Faço a poesia fazendo-a e invisto com viés de poeta contra tudo aquilo que me adoece e que me faz ser a foto da cruz do meu epitáfio antiquado, que será feito de última hora. Aliás, falando nessas coisas, que meu epitáfio seja muita coisa, sem definir ao certo o que eu sou, visto que sou várias coisas nesse momento. Se pudesse fazer dele um livro, preso ao mármore amarelado de tempo, daria a educação através da pedra aos que um dia quiserem saber de mim, ou àqueles que queiram de mim se lembrar em seus futuros tempos. Aliás, novamente, que nome é dado para o futuro de um morto? É certo que ele não vive mais, mas corrigindo-me agora, não posso sequer afirmar isso. Ninguém pode. Nem mesmo Deus, visto que não sabemos o que é iço ou Isso, se preferirem. Converso comigo mesmo, eu sei. Mas, poderia haver um espectador, ou um vizinho enxerido, que optasse, por um dia sequer, gastar o seu tempo ouvindo um desesperado morto de morte. Estou morto, eu sei. Apenas cansado, numa hipótese positivista. O fato é que estou com sono. Boa-noite. Antes de ir, um apelo, um pedido, um direito. Que não seja espalhafatosa, essa garça cheia de plumas coloridas. Que não faça carnaval aonde não tenha, que não seja um evento fora de época. Que se morra por amor, não comigo, mas os utópicos que um dia precisarão morrer. Se tiver mesmo que comparecer, que seja poética, cheia de sutilidades. É isso mesmo, sutilidades. Pois aquele que ri de si mesmo é um palhaço, mas o que ainda ri dos outros dizem que é um gênio e por isso merece morrer. Portanto, que venha ela, poética e rápida. Uma tomada apenas, sem delongas. Uma cena memorável. Um trecho perdido num livro imenso. Um traço de tinta sobressalente. Que ela venha majestosa, pois é chegado o seu momento. Depois, na vida propriamente dita e desdita, deixe-lhe ser panfletária. Mortes escandalosas, coloridas, heróicas, televisivas, arranjadas. Que ela venha, só depois, do jeito mais terrível, arrancando os coros cabeludos, dobrando as colunas em ângulos obtusos e dilacerando a oposição. Que ela venha veloz e tão breve assim leve aqueles que menos mal fizeram. Os que muito fizeram, que morram também, pois todos acreditamos na democracia. Mas o que quero dizer, pedir, apelar, é que a minha seja poética, quase linda, que quase se esqueçam do conteúdo quando diante da forma adquirida. Pausa. O meu texto encaminha-se para o meu desejo? Não. Não quero morrer. Hoje não. Nem nos próximos anos, por favor. Mas quando ela vier, e nem sei a quem destino essa carta, que venha depressa para cumprir a meta. Ah, eu sou daqueles que merece morrer do mal que propaga! Gostaria que me fosse obrigado rir, pela última vez, de tudo aquilo que um dia abri os beiços rolando-me ao chão. E se eu tanto risse, minha boca se arrebentasse e me faltasse o ar em virtude de tanto rir e rir e rir e rir e rir e rir e rir e rir e ir. Aos poucos, falecer. Rindo de cada segundo, sem uma lágrima de tristeza, mas afogado no mar da alegria. Alegria salgada, por favor, porque sou diabético. Mas enfim, tenho que ir dormir, porque amanhã viajo. É fato que escrevi tudo isso porque fiquei pensando em bobiças, referentes ao que não quero que aconteça, ainda que esteja desenhando mentalmente cada ação indesejada numa linda prancheta com esboços de morte pré-esquematizados. Não desejo morrer. Antes quero me reproduzir. Visto que me sinto incompleto. E dessa maneira, faz-se impossível morrer. Ah, aos amigos. Pausa. Está realmente parecendo carta de despedida. Lembrei dos amigos e volto a eles para falar do amor. Caralho. 03:14 da madrugada. Preciso muito ir dormir. Quem sabe não sonhe com o que vem depois da morte. Quem sabe não descubro o que é morrer e encontro-me comigo mesmo. Sonhar. Sonhar. Queria começar tudo de novo, ser criança outra vez. Ou queria, mais facilmente, ouvir relatos, ver fitas do colégio antigo. Preciso urgentemente ir de contato ao chão no qual desenhei minhas cicatrizes mais eternas. Porque ainda há o eterno que se perde. Há sempre um para sempre que se esquece. Há sempre uma lágrima que se embrutece. Há sempre tanta coisa e para cada uma delas há o seu latente reverso. Que merda. Diz-se tão pouco em tantas palavras. Sente-se tanto com apenas um manto que ganhamos no dia de nossa chegada. Eu devaneio, fazendo rimas no escanteio, eu apenas resvalo e sequer sei bem o que escrevo. Mentira! Posso não saber o que escrever, mas que sei bem sobre o que escrevo. É evidente, visto que nada importa nesse momento ocioso entre a vida, o sono e o morto. Preciso ir rindo. Sem explicar ambigüidades. Deixando as metáforas acessíveis aos poucos. Mas lutando para que cada lágrima não mais se embruteça, porque o que mais quero nesse momento, é sabido que não vai rolar. Não por esse rosto que aos poucos se esquece do mundo e deseja sonhar. Não hoje, porque fazendo a poesia amenizei a condição. Anestesio os sentidos. Sinto apenas o essencial, pulso direto ao coração. O coração. Imagino uma cabeça que fuma charuto. Se esbaldando diante da ociosidade de seu trabalho repetitivo. Absoluto. As pessoas andam mal-humoradas. Basta o coração dar uma pausa em sua jornada assaz repetitiva, para que todas elas se precipitem logo ao chão. Ah, muito fácil. Difícil mesmo é ir dormir no horário marcado ou entregar trabalhos no prazo. Mais difícil ainda é finalizar um texto que sequer é poesia. Escrever como encerramento, como adeus definitivo, algo que soe bonito ou significativo. Adeus. Não, pelo amor dele mesmo, que não merece essa dedicatória. A mim mesmo, soa sem comedimento, não vale. Ao tempo, esse implicante, é abstrato demais. Fica então uma coisa qualquer, que nada quer dizer quando por nós é dita, mas que sem ela, somente para a rima, a nossa vida vira pura desdita; palavra e novo chiclete do dia. Deixe-me ir, Diogo. Sinto-me muito, o sono exacerbou-se. Distraí a morte? Sim, mas acabo de lembrar-me que ainda a tenho ao meu lado, espreitando a oportunidade de fazer-me miúdo, sem vaidade. Então faz assim, querida: dá-me o seu beijo que é meu, depois me liga para dizer o seu adeus.

finesse ~~

que se eu me espremer um pouco
consigo dobrar a mentira
e nascer para além
do sucesso que me persegue
e embriaga.
eu sei que se eu quiser
posso morar sobre as linhas
e procriar versos
criar exércitos
e implodir alegorias
da contemporaneidade.
que eu posso amar
que eu posso encontrar uma religião
e nele me prender
e a ela me ligar
sem ironia
ou descontentamento.
eu sei que posso citar drummond
parodiar fernandos e outras pessoas
sei que posso inventar palavras
e desviar fáceis analogias.
que na falta de um amor
posso passar um café de três formas:
- na cafeteira
- na cafeteira italiana
- no bule.
sei que mesmo assim
por mais que eu me reinvente
sempre serei este cara
em processo descontente
tentando abrir o sublime
que a corrida dos dias
massacra em forma
de chocolate
em forma de presente
em forma de filme mudo
ou obra de arte.

eu sei que no fim
que seja
algum traço mais fino
há de beijar minha pele fria
e fazer por último
aquilo que dizem ser
ah comunhão!

amador

eu poderia permanecer calado

e então só fazer poesia
após um atropelamento
presenciado.

eu poderia permanecer quieto
em casa protegido
e acalorado

e só então escrever poesia
quando um beijo me fosse pedido
ou arrancado.

eu poderia continuar mudo
e resguardado em silêncio-segredo

eu poderia nem sequer justificar o mundo
eu nem sequer falaria dos desejos

para que a poesia viesse por necessidade

para que o verbo fosse beijo a dobrar a linha
e fazer saltar ao cúmulo

algum resquício de agonia sincera.

 

cansei de inventar dor de amador.

terça-feira, 26 de junho de 2012

to give right.

sometimes
i use an other language
to say the same things
that i feel
since i was boy.

and then
i try other combinations
i play with my tongue
and words drop off
as if it was
my breathing
dying.

i think about what i am now
i think about what i am not
if it were possible
i would like
to paint me again
i would like to write
new contours
of my face
of my fingers
and desires.

a new arrangement of skin
more powerfull
more playfull
maybe
even more weak
so could break
and make my inside
meets the sun
and the fog
and the fire
and not anymore
metaphors.

sometimes i play with strange words
sometimes i play with strange fellings
that i really know
not be able
to cross.

Consumo

Sim, eu dormiria triste esta noite. Mas resolvi tentar mudar o fato. Voltei a este computador e escrevo, enquanto ouço a mesma música me confortando sem cessar. Eu não posso me dar muita confiança. Alguma coisa aconteceu e eu não posso me permitir continuar essa melancolia, essa coisa sem nome, há tempos atrás eu escreveria essa azia. Mas não. Hoje é quase falta do que fazer. E não é porque falte trabalho (não mesmo. Estou excessivamente repleto de trabalhos a fazer). Mas é sobre mim. Não sobre o trabalho. Esse lamento é sobre o que me tornei. Menos isso. Talvez seja apenas sobre o que eu não soube prever, mas que enfim, hoje eu sou.

Os verbos estão mal conjugados. O sorriso guardado em algum lugar. Eu hoje quase inteiro estou vencido. Mais uma vez, eu querendo sumir por um tempo. Eu querendo desmanchar, ir na chuva, no vento. O que seja. A vida é ingrata. A morte também. Quero dizer: eu queria estar escrevendo alguma coisa que me fizesse durar mais tempo, mas as palavras que saem saem sem nem mesmo eu ver. Eu digito sem mirar as letras deste teclado. Eu digito sem caneta, sem papel, sem abraço. E não que falte. Eu hoje amo e sou amado. Eu hoje estou repleto de amigos, repleto de coisas boas ao meu redor. Mas resta em mim perdido um mistério.

Uma revolução sem começo nem fim. Revoluz meio.

Permaneço entretido na possibilidade de uma vida que ainda não me veio. Não falo de dinheiro, de sucesso, de casa cozinha e banheiro. Fala de uma vida enquanto propósito para além dos tempos. Falo de uma vida no que pode haver de mais invisível. Eu ainda crendo nas coisas que não se revelam, nos nomes que não nomeiam. Eu cansado das coisas, das pessoas, eu querendo ver tudo rachar ao meio. Mas toda noite aqui sentado a escrever aquilo que um dia me disseram ser poesia.

Se estou triste? Não, é só chateação. Que coça, que entorpece e me desorienta de qualquer caminho.

Talvez um café (que não veio).

Um bolo de nozes e um refrigerante.

Sim, um bolo de nozes e um refrigerante.

Um último cigarro.

Os dentes escovados e o engano de mais um dia não-realizado.

Queria escrever poesias, mãe.

Não queria sofrer o mundo,
não queria sofrer tanto o jogo

ao qual
me fiz
destinado.

Cacto

Salvador Dalí (España) Los elefantes dali,
te vejo mirando o horizonte seco

daqui,
me vejo mirado

como pode?

como pude?

como faço?

--

Diálogo Interno

Eu não fui honesto.

Peço desculpas.

Ontem  dia foi longo.

Tomei pouco café.

E nem sinto fome.

A impaciência que me consome dura o tempo.

Não fui honesto.

Nem contigo nem comigo.

Mas ainda assim hoje eu canto.

Queria que você visse.

Não precisaria de nada mais,

além de você mirando este segundo
no qual escrevo em silêncio.

Você não é honesto.

Você não é saudável.

Tudo bem.

Converso comigo mesmo nas noites frias de inverno.

Converso comigo mesmo na falta de sucesso
ou ânimo ao jogo diário.

Esqueço-me.

Perdão.

Não era para chegar longe.

Apenas hoje
também como ontem

Lembrança.

--

segunda-feira, 25 de junho de 2012

frozen family

video


no sounds
no more dreams
family like mine
it is like
a poem
that will never
happen fully.

but
deep inside my lies
lives all the love
that i'm still trying to hide.

deep inside
me
and my pain
resides my mum.

Study from the Human Body, 1987

fran cheese bacon


só mais um número no final das contas

as rimas
os volteios
tudo armado
para ser número
logaritmo
tudo armado
ao número
preso

toda a querela
aqui resta
no íntimo
expressa
em dízimas periódicas
flamejantes
à eternidade nula

só se soma
mais e mais
a cada ponto
e mesmo a cada
linha
só se numera
mais e mais
o arrepio perdido

eu não sou poeta
eu sou tísico
eu sou físico dos fracos
frígido
e inda assim
sou crente nisso
sou crente nisso
--

aqui entra um nome qualquer

eu me perdi para sempre dela,
tanto a busquei.

hoje, sem exagero ou drama
percebi aquilo que aqui
deixo assumido:

eu perdi a poesia
no exato instante em que a encontrei em mim
e não no mundo,
corrido.

Deserto

Tudo exposto ao calor
As ruínas
reunidas
Formam volumes
sem sentido

Tudo abandonado
desde ontem
Desde o início
tudo ontem
desde abandonado
a desistido

Ruínas
Volumes
Tudo sentido
no entanto
Sem.

14h15

Você poderia me perguntar se tudo isso é verdade. Você poderia me olhar fixamente e segurar meu rosto, caso eu quisesse de ti me esconder. E então, mais uma vez, você me perguntaria silencioso: o que aconteceu? E pediria me conte, por favor, me conte. E eu balançaria a cabeça lentamente, como se dissesse um não medroso e incapaz.

E como numa dança, tudo de novo se repetiria, para que alguém que porventura estivesse nos vendo, enfim, para que este alguém entendesse um pouco mais sobre nós. Um pouco da nossa batida. A cabeça. O olhar fixo. O não tímido, sempre um não, sempre tão tímido. E então alguma fala incompreendida pela distância de nosso voyeur.

Só que desta vez eu diria tudo. Olhando a ti ou não, eu olharia. Eu diria sobre as coisas que me atormentaram nesta noite, diria sobre os sonhos de guerra, sobre os sonhos que descrevem e me lançam em ladeiras com rodinhas. Eu diria das coisas doces, das surpresas não bem-vindas. Eu contaria a você o meu tremor e seu olhar, lento e fixo, de novo e mais uma vez, me consertaria.

Lá longe, na distância, nosso voyeur entenderia se tratar de reconciliação. O que ele nunca soube, porém, é que entre nós dois não há desenlace. Nosso encontro é sempre de novo, e mais uma vez, devoção mútua e escuta transparente.

Não importa o que pensem os outros. Nem que nos vejam. O que persiste entre a gente ainda é privado. E, por isso mesmo, de todo o mundo.

--

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Lustosa

Veja:
eu subi andando
Numa mão um cigarro
Na outra um café duplo
E no peito
inchado
Veio você aquecido.

Por um ou outro segundo
Tudo me parece impossível.
Porém viro a curva
piso sobre asfalto meio liso
meio risco
E enfim
Seu sorriso antecede
Um atropelamento.

Não estivesse eu tão por ti
Acalorado
Teria já morrido tão mais vezes
Do que pode um gato.

Espero:
sentado nessa esquina
O café no isopor esfriado
O cigarro destruindo dentro
as hemoglobinas
No entanto
No coração
Sua insistência jorra sangue
em chafariz real
nobre
E sepucral.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Meus sonhos

Meus sonhos
Perderam-se.
Onde
que não os vejo
que já não sei lhes dar
nome
ou roupa
Capaz de sobreviver
ao vento
Destes tempos?

Meus sonhos
feito uvas
Verdes
se empalideceram.
Perderam tônus
perderam o tango
que tanto
os tramava,
meus sonhos
desaqueceram-se.

Como
se estive aqui
Dia e noite
a usar o corpo
a suar o mote
pretexto-encontro
O corpo?

Meus sonhos
partiram na tentativa minha
de não os deixar distantes
Eles se foram.

De que vale
a insistência
se do outro lado
sonhamos tudo
menos
o outro?

Par

Ambas morreram.

Sobre si mesmas
cada uma se deitou
e o que estava ao redor
Se comoveu as vendo
assim
tão em si
Deitadas.

O vento passou lento,
observador.
O sol mirou apenas a outra janela
A outra fresta
O sol mirou apenas
a frialdade que sua morte
Mesmo enquanto morte
afastou.

Ele entrou em seu quarto.

Abriu a outra janela, sempre a outra.

E a mirou: a mesa,
sobre a qual
O vidro amarelado
já feito cova
Acompanhava o corpo pleno e fino
E longo
das duas
Das duas
das 2 rosas.

Mortas,
nesta noite
elas exalaram um perfume cor de romance.
Mortas
ontem e ainda hoje
Elas me fizeram companhia
enquanto dormi
contando
os fiapos de tempo.

Sobre a mesa

A taça de vinho resta
ressequida,
A poeira de ontem
vira hoje neblina
e confunde o título
do poema
não todo
escrito.

Cristo não há
nem em bíblia
nem em pingente
Sobre a mesa
o calendário dorme deitado
e inconsciente
A lanterna queimou
as chaves se perderam do molho
Deus,
para onde ir
se mesmo as moedas
Excederam o cofre?


Caneta
Papel
Tesoura
Pedra e cinzas
sem fim
Cinzas sem som
navegando por sobre esta mesa,
interrompida.



Que poesia pode haver nesse esboço de vida?


O gato adentra o quarto
Pula sobre a mesa
e tremendo sobre livros esfarrapados
Faz saltar cinco pulgas
negras
e engordecidas.


O parque está armado.
Farão elas sobre a zona
Poesia?


Talvez sim.
Talvez saltando
uma ou outra
poeira embrutecida
Talvez sim
as pulgas façam
Hoje

A poesia que não veio.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Binóculo

Faça-me quatro perguntas bem cabeludas.

Primeira) Você curte saber e fingir-se de não sabido?

Segunda) Você sonha em ter mais dinheiro que sua prima?

Terceira) Quando você tiver dinheiro, saberá lidar com descontentamentos?

Quarta) E se fosse preciso morrer, você iria sem reclamar?

Bom,
eu vou tentar responder.

Primeiro porque mesmo curtindo o meu corpo depõe contra mim e me faz doer.

Segundo que minha prima está passando por terríveis condições financeiras, assim como eu.

Terceiro que quando eu tiver dinheiro, alguém escreverá nesse blog que não eu, então assim…

Quarto porque se for preciso morrer, eu com certeza já terei ido.

Sou fã.

Deste descabimento
revestido
de poesia.

Gasto

Gasto
Gasto

E no final das linhas
haverá sempre

mais uma
e outra
E uma mais
e outra menos.

Melindred

Por que você trabalha tanto?

Para que eu não me diminua
ao extremo
quando um dia vier a perceber

Que fui incapaz de amar
Que fosse uma formiga

a dividir comigo
Uma rosquinha mabel
numa manhã de segunda
feriado
do sol
e do intento.

Fatalidade

O que mais me aborrece
É sentir

que hoje
Diferente de ontem

Não faz sentido voltar
a ser quem eu não quis ser

Quando acreditei

que ser isso que hoje eu sou
Seria o melhor para mim.

Sem Posto

O poeta que um dia achei
que fosse
Morreu

Em vão
meu corpo procura os verbos
que as mãos
vencidas
Não mais sabem conjurar.

O filho que um dia
minha mãe fez
Sem pai nem veto
Hoje baila

entretido

Em seu silêncio
revestido a sorte
falseado em destino.

Processo

O cara cessou os passos do outro lado da calçada e estacou.

Do lado oposto, o outro rapaz abria o porta-malas do carro, com extrema lentidão.

Pensou que talvez algo de dentro fosse sair, só podia ser esse o motivo de tamanha discrição, por isso, cessou o caminhar e apenas observou o outro do outro lado da rua em sua pausada ação.

Mas interrompeu o caminho. Bateu o porta-malas rapidamente e tão rápido como o fizera, mirou o outro que do outro lado fazia ponto, observando a sua face, as mãos, o corpo, o todo, a ação que ainda agora quase havia se completado.

É curto o tempo em que as coisas se conhecem e apaixonam.

Mas neste caso que estou a contar, não houve nada exceto esse cara que cessou seu gesto cotidiano ao perceber ser alvo da atenção do outro.

Eles se olharam. O que será que um pensou que o outro não soube?

Não saberia dizer. Eles se olharam e tão lento o outro fazia com o porta-malas, tão lento assim ambos fizeram com seus olhos, que lentos adormecidos foram se despedindo cada par de olhos para seu novo refúgio/objetivo.

O da calçada seguiu seus passos em silêncio.

O do porta-malas abriu o porta-malas.

Separados, agora, não há motivo algum para que especular o que havia dentro ou fora (dos corações ali batentes).

Se foi um encontro? Eu diria que sim.

Embora não possa dizer mais nada, para não soar prosa forçada, nem rima vendida.

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Entre os dedos

Era noite quando o menino subiu à poltrona branca de seu quarto e se colocou a acariciar o próprio corpo. Fazia um mês - ou quase isso - que ele havia descoberto a possibilidade de se fazer carinho e se tirar do abandono. Ele ali, mais uma vez, buscando um meio de se fazer valer. O dia foi estranho. Pensou. Hoje o dia foi estranho. Eu trabalhei tanto e mesmo assim fui sumindo no correr das horas. Os segundos se ultrapassando e eu também nisso me diminuindo, me perdendo e ficando invisível. Estava com pensamentos estranhos. Estava com pensamentos, porque fazia quase um mês - era bem isso - certos pensamentos que lhe viam - de súbito - nunca mais partiam. E ficavam. E tudo durava nele. O tempo nele se multiplicava. E hoje - tão tarde - ele sobre a poltrona branca apenas testava sobre si próprio a força dos dedos e as quinas que as unhas formavam. Pensou em dormir, em nunca mais dormir, pensou que muitas vezes pensar era tão desnecessário quanto ser, estar, respirar e ruir. Sua língua respirou. Viu o pé pedindo carinho. Desceu os dedos que coçavam o peito sem pelo e aos pés foi deitá-los. Coçou entre os dedos, entre as unhas, entre cada encontro. E nada disso tirou, exceto, talvez, pensou, talvez, exceto o sossego de se reconhecer espaço para a incomprietude.

Riu baixo e sem esforço. Amanhã seria um novo dia. Amanhã seria ele outra vez no mundo de novo.

Cheiro

A sua morte passou já faz tantos anos
que começo a não me lembrar
de ti
A todo e qualquer momento.

Outro dia foi seu aniversário
Quer dizer
foi o dia em que você nasceu
E isso por mim passou
sem marcar data

nem lágrima
nem sequer consciência
De um esquecimento.

O seu som diminuiu

O seu cheiro ficou lá longe

Eu hoje
trago você feito lembrança morna

e incapaz de ser ventania.

Eu escrevo isso tudo
apenas para ter ciência
De que por mais que escreva
eu nunca hei de gastar
para sempre

essa rima

que sempre

finda

em

morte.

incertamente

eu poderia te olhar

hoje e sem nenhum resquício
de ontem

eu poderia apenas te ver
sem julgar.

eu poderia te olhar

com calma

atenção

e escuta

eu poderia colocar o lençol limpo à cama
eu poderia passar outro café
jogando fora

sem hesitar

a borra fria
que desde hoje cedo
me acompanha

e escuta.

eu poderia não terminar os versos
como se eles pudessem
sempre
e de novo
nos fazer reencontrar.

eu não posso mais
achar que o que está por vir

não virá.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Taste

My back is hurting

My body is out of the line
it’s getting dark
and older

Mouth
Ears
Lips

Everything is screaming

I drunk water

I made a coffee

I drug myself

but these noises
keep comin’

What must I do?

What must I say
if my skin knows
if my means shows

What must I ask
if everything that shines
it isn’t for me

it is not for my body.

domingo, 10 de junho de 2012

cinismo justo

eu uso as palavras mais erradas
para descrever os mais errados
absurdos.

sim,
nem todos são erros,

alguns no entanto
sobrevivem na ultrapassagem
das horas
e limites:

família

absurdo inicial

quem inventou essa lógica
de laços

extracorporais?

rompeu não rompeu?

o cordão
os cabelos
a ciranda de festas comemorativas

família nasce rompida
desde o gemido nascimento
primeiro

então

PERGUNTO

então

NÃO ESTARIA TUDO ACABADO
TUDO LIVRE PARA ERRÂNCIA ETERNA?

eu queria que sim

mas a gente se exige certas coisas
que no fim das contas
apenas dinamitam

inda mais

IMPACIÊNCIA.

deus!

eu não acredito em ti

e é por sua causa (inexistente)

que ontem minha mãe me chamou de herege.

quer dizer,
minha mãe me chamou de ateu
herege
e nem sequer me perguntou
antes disso
como eu ando fazendo desde os quinze anos para ser gente?

ser gente
assim
sem ela ao meu lado dizendo como seguir apesar de tudo.

eu quero dizer
deus

é heresia aprender a se virar sozinho?

eu não vou à missa
eu detesto o cinismo

mas sofro

as ausências sacrais
como sofre o doente a bile
a bula à embalagem

eu me dobro e tento operar
sincero

a possibilidade sempre nova
e crua
e nua
e dúbia

do embate.

ser (cínico) ou não ser (cínico)?

eis o desvão.

||

ser cego ou consciente?

me pergunto às vezes o que foi que o tempo fez com a gente?

a família hoje resta cega
sob brando filtro
incapaz de solarizar
os segundos.

me pergunto se logo eu
que não me vejo cego
se logo eu serei aquele
que comprará esta briga.

serei eu?

ou não?

que dúvida horrenda
ter ou não ter
que comprar briga com a família

com o laço
e a união?

faz dias sofro esta constante

vejo a família emburrecendo

e eu - tão esperto

me lacrando distante no adiante.

não faço parte
não consigo fazer

mas se faço
por um segundo
é preciso ser burro
ser cego
e incapaz

como posso dizer palavras tão duras
tão cruas
a quem me diz
amar demais
e demais?

excesso de amor sufoca e mata.

distância às vezes salva a plantação
salva tudo
deixa sobreviver a vida
sobre memória.

não sei,
não era para ser assim
mas se for preciso distanciar
será que conseguirei
partir
de vez
enfim?

|

dor de mãe

é a mais infeliz
deste mundo.

mãe perde a linha

e tudo fica sem costura.

se fica louca
o delírio é do mundo
não dela

se escorre pelos lábios
preconceitos mil
a culpa é da civilização

e nunca jamais
como antes
da televisão.

mãe perde a linha e dói pralém

mãe perde a linha
e desmistifica
o destino

ela corrompe o jantar

a seia

os próprios peitos

mãe corrompe não somente o seu
mas também o meu umbigo.

mãe na verdade é uma coisa complicada

nunca seria mãe
não fizesse em nós
nascer essa tremenda
dor
de cabeça.

quanto?

perdi

a conta

o visto

o número da agência
o dígito verificador
a senha

perdi a pompa.

sobrou polpa
polvo
e lula

mais nada.

quanto tempo tenho para terminar esta tragédia?

trinta tempos
a contar

de ontens.

sei lá

sei lá

sei cá

wild screen

DSC09025

Auto

Palavras tão prontas

tão tristes

tão tontas

Respostas tão fáceis

tão frias

tão mortas

Por que me pergunto sempre
as mesmas dúvidas
impróprias?

Lapso

Volteio

Aqui estou eu
de novo
e novamente

ao meio.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Mas se eu puder

Dizer alguma coisa
Eu então posso aguardar o quanto for
Se eu puder te escrever
Ou mesmo apenas sorrir
Eu então repleto.

Tu podes sequer chegar
Tu não precisas sequer vir
Eu aguardo
Ciente da nossa ficção.

Enquanto ela escuto

Penso que se corro tanto assim
Perderei sempre a oportunidade do jogo.
Não quero ir veloz
E não apontar o lápis
Não quero não lhe mirar
O olho.

Se corro assim tanto como faço
É só porque a correria me engoliu
e fez de bobo.

Pois é bobo aquele que não joga
O destino
Ao outro.
Não cria jogo
Não brinca quente
nem morno
É pois bobo.

Todo e qualquer ser
Alheio ao jogo.

C841

Aqui estou eu
Sobre a cadeira esperando tranquilo
Se fosse ontem
Eu não aguentaria tudo isso.

Mas hoje
A vertigem está retesada
O enjoo perdeu o acento
E ganhou calma.

Posso morrer
Mais uma vez
Só e destemido.

O tempo é livre para fazer aquilo que quiser comigo.

sábado, 2 de junho de 2012

filho do impossível

VAZIO É O QUE NÃO FALTA, MIRANDA

acesse desesperandogodot.blogspot.com

amarrado

chega de palavras

hoje o vinho esfria

resvala nesse tempo morto

o cigarro caiu

o gato está dormente
desde cedo

que graça pode haver nesse ruído
incessante
do computador?

eu queria estar morto.

senhor,
eu queria estar solto.