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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

é quase um drama


pois tanto já o fiz
sem tê-lo de fato
que as coisas hoje
se comovem lentas
inacreditando
finalmente
no fato
dado.

tanto já o fiz
tanto já o chorei
que hoje
quando finalmente
ocorre
eu já nem sei
eu já nem sei.

fatos
fotos
fome
pranto.

tudo ensaiado
e hoje
realmente
como?

nem sei.
permaneço ausente
da realidade
que me rodeia.

sou tão presente
tão presente
que chego a me parecer
brincadeira.

o dinheiro
o dinheiro
não fez parte da minha vida
e no entanto
hoje eu vejo
eu sem ele
sou só poesia.

sou só, poesia.
sou só.

6 unidades

2 a menos
que o usual.

hoje durmo seguro
de que a morte
está dentro de mim,

escorrendo lenta
e sem fim.

paz.

durmo em paz.

a vida
a morte
tudo bem
tanto faz.

DRUMMOND

seu nome esconde o mistério da vida.
desvela,
em picos e vales
a doçura da inconstante conquista.

ou tens amor
ou terás só poesia.

drummond,
você me deu amor
às palavras.

por ti,
hoje
sou rico.


divulgação atrasada_


título da postagem


se você espera longas estrofes
metáforas gordas e
analogias precoces

aguarde
também ainda estou
esperando.

mas,
se estiver você esperando
tropeços sem sorte
embrulhos abertos
e todo o tipo
de frescor
sem corte

aqui estou

aqui ex-tô

porque o tempo passa mesmo.

certo.

no dia em que fui mais feliz
eu tive um apagão.

a vida está viva enquanto puder se reescrever em possibilidades

foto de thaís grechi
márcio machado em sinfonia sonho

o cheiro


do sexo guardado.

alastra-se
pela casa
dorme quente
ao meu lado.

paciente
respeitoso
sim,
educado

o sexo não todo alado
dorme tranquilo
poderia
se possível
ser cofre
duro
firme
pesado.

guarda em si
o desejo não
jorrado.

o sexo
guardado
para um ti
aguarda
com tiro
certeiro
ainda
não
atirado.

legado


perdido.

as poesias hoje são tão sem porto
são ágeis
mais que os bichos.

não querem muito
não têm raíz

são salto
rumo à indefinição
de todas as coisas.

que assim sejo.
que assim
sejo.

fim de mês

significa início de mês.

a vida é tão igual.

por isso amo a sua diferença.

horror

tremo todo
pensando que a metáfora
pode não dar conta
de me segurar
neste mundo.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

almejo


planejo a morte
como quem cozinha
somente com gás
sem fogo
nem queijo.

fica sem graça
o projeto de estar morto

quando estando vivo
já é tão pouco.

elegia 2

durante a madrugada
como pequenos alimentos porosos
para correr o risco
de ter que me desengasgar
com sua saliva,

dormente

ao meu lado.

se você me dissesse sim


eu nem precisaria mais respirar.

Procura-se

Quando foi que você descobriu a morte?
Me conta sobre o dia em que você descobriu que havia vazio dentro do estômago?
Quando foi que você descobriu o amor?
Me dê um exemplo de cuidado que você tenha vivido.
Me conte sobre um dente quebrado, sem inventar.
Me fale sobre o cheiro da rosa morta.
Me fale sobre o seu avô paterno.
Me descreva a força de um toque sobre a sua pele.
Me fala sobre um desejo que te fez de refém.
Me descreva o céu da última vez que vocês se encontraram.
O que você pensou quando o caixão encostou no chão da cova?
Como é o gosto de se sentir desejado?
Você já sentiu algo impossível?
Qual ira te machucou?
Fale daquela pessoa que neste momento coça o seu peito por dentro.
Como você já impediu que um tiro fosse dado?
Se fosse para ser, como seria?
Fale seu nome completo seguido no nome da sua mãe completo e de um amigo ou amiga já morrido.
Você prefere sexo ou sono?
Você prefere churros ou suco de cajú?
Quem mordeu sua boca pela última vez?
Se você não fosse quem você é hoje, quem você seria?
O que você mudaria daquilo que não pode ser mais mudado?
Se você só pudesse fazer um gesto durante uma hora qual seria ele?
Cerveja ou farofa?
Música ou edredon?
Moletom serve para quê?
Qual atriz te faz querer estar vivo?
Me conte sobre Matilda.
Fale um pouco sobre se sentir importante para alguém.
Qual é a cor da gratidão?
Você já esteve perto de matar alguém?
Violão combina com o quê?
Prefere ser ou estar?
Se você pudesse me dizer algo sincero agora, o que você me diria?
O dinheiro serve para tudo, exceto para...?
Me conte sobre algo que nunca tenha passado pela sua cabeça.
Você acha que o futuro existe?
Você vai morrer como?
Que parte do corpo da sua mãe você mais tem carinho?
Conte uma injustiça cometida por você?
Se eu te pedisse ajuda para resolver um segredo, você me pediria o que em troca?
Qual é a sensação da água sobre o sexo quente?
A maior vergonha para você é...?
Você tem inveja de algum amigo?
Conte aqui e agora algo que ninguém aqui saiba.
Você acredita em transformação?
O que é sucesso?
Quando você beijou pela primeira vez, o que veio depois?
Estar pleno ou plena é estar...?
Qual nome você daria para o seu primeiro filho?
Qual eletrodoméstico você quebraria neste exato instante e por quê?
E o Rio de Janeiro, continua lindo?
Se você pudesse mudar meu cabelo, o que faria nele?
O que te deixa chateado?
O que te cansa ao ponto do esgotamento?
A poesia te serve para quê?
Sobre a ültima obra de arte que você viu, como foi?
Ontem você teve certeza de que...?
O que você precisa resolver no dia 1° de novembro?
O que te provoca arrepio?
Quem você acha que será o seu próximo familiar a morrer?
Fale como é aquele alguém que já te amou um dia?
Conte sobre um dia triste.
Última comida que você cozinhou?
Uma banda que você me indicaria?

pensamento

penso na morte dos que amo
para ver se impulsiono a vida
ao acontecimento.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

zoom in

foto de anna clara carvalho

para aprender a lidar com o impossível


poesias rápidas

são as melhores.
não dá tempo de entender
sua dor
sua alguma morte.

pode?


um escritor assassinar palavras?

e depois, em luto contido,
enterrá-las para o nunca mais?

senso


político

e me arrepio

sinto que eu não tenho mais volta

porque me adoece

me dói a vista
e me embarga o sorriso.

senso

para tentar continuar a linha da rua
sem querer me lançar
aos abismos.

são tantos,
que a poesia hoje
tem função apenas de fazer constar.

consta nela o amor que não tive tempo de procriar.

nela consta as inversões do peito
e os volteios da razão,
sempre ansiosos
por acertar.

eu

morro


ao pensar

nos nomes

que ainda estão

por ser

inventados.

seria talvez se fosse


eu
alguém doce
eu seria
caso não fosse
diabético.

minha poesia
seria doce
não fosse o calor do dia
não fosse o tiro
que não esqueci até hoje.

seria doce
e luminosa
não me chamasse tanta atenção
as curvas
dos seios alheios
a escuridão
dos pelos dos homens
e de seus enredos.

minha poesia seria doce
caso o mundo fosse
divertido,
seria doce
caso houvesse imperador não-temido
caso houvesse bombas de chocolate

lambuzando
as crianças
que ainda não morreram
metralhadas
por extremismos.

por vezes


não tem teclas para o que te quero.

sobrevivo sobre o computador deitado
querendo se possível

transmutar-me em bytes
para correr fibras óticas
e nascer
feito halo

luminoso
posto
ao seu lado.

aniversário


está quase chegando.
já é quase novembro.
outubro próximo
eu sinto
está quase nascendo.

sempre +


me pede que eu te escrevo rimas lindas.

é só pedir
vem
me fala
me faz poema

que eu te faço em poesia.

pego pelos cabelos finos

passo a mão no ventre, tímido

e toco
passo a passo
frase a frase

a sua odisseia cheirando a desejo.

me pede!
que eu venho
e te sejo!

te puxo a língua
e lhe dou nó
no beijo

e assim
feito ponto
não facultativo

seremos um ao
outro
obrigados.
agradecidos.
colados enternecidos.

nada suicídio

como foi que me peguei cansado até para isso?

só de pensar em escalar dezoito andares

só de pensar em ter que escolher a roupa para o voo

só de pensar que salto vertical ou inclinado

só dos detalhes
eu já morro.

é melhor ficar inerte
feito pepino
se afogando
no próprio choro.

cansei

de classificar o recém-dito.

não quero saber
se é isso ou aquilo

não quero saber
por vezes
nada sobre os verbos
ser
e existir.

sobrevive, vadia
sobre todas as coisas, tu reinas
e foda-se a vida

a sua brincadeira
é me afastar da rua
do sol
e da cerveja.

queres me embebedar no seu soturno
salto alto
oh, prédio
do qual inda hei de me lançar.

súbito

cheguei
me obrigado a escrever
para nunca esquecer
se tratar
apenas disso.

minha carreira
antes fosse de cocaína
seria mais consistente
mais divertida
não pediria sempre e mais
tanta rima.

eu sou um ser contente
mas tão sem graça.

como posso me saciar
se quando fecho os olhos
o meu corpo se desliga do mundo
e com tranquilidade assustadora
sem o mundo
nem sequer
se embarga?

como eu posso ser tão autônomo?

ao ponto de corte,
eu ser autônomo
cada vez mais
sou amante
da morte.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

to rest my head


choose
a place to rest
it's not next to my body
it walks close
within my mind.

when i blink
you come
in darkness
you seek me
and hide

when i close both eyes
you will come
and there in you
is where
i finally

rest
my movement desired.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

03/10/2012

vai

 

se diga logo algo que faça sentido

tanto tempo

você já já 25

é melhor dizer

 

que se você pudesse

não seria nada disso

nada

 

não sei

cansei de usar o EU

queria ser outra coisa

mas não música

não poesia

 

fiquei grande, meus filhos

não grande de riqueza

fiquei grande em ousadia

 

e não soube continuar

as pernas pesaram

as mãos perderam dedos

e o tato, então

o tato acabou por acabar

 

hoje

3 de outubro

de dois mil e 12

o que poderia me dizer

exceto

 

você toma o café

você fuma o cigarro

você escova os dentes

(sempre mal escovados)

e dorme

querendo

se possível

acordar amado.

o que queres que eu escreva?

faz meses que a sua poesia morreu. como pai que faz tempo perdeu o filho, você hoje apenas age sua paternidade, para não esquecer da humanidade que restou. você virou bicho. você se desapegou da vida, do cuidado, do carinho. seu animal de estimação morreu, você viu? não. você dormiu enquanto tocavam a campanhia, quando lhe tocavam a pele você também esteve dormindo. você se apaixonou pela própria pena e virou poeira incapaz de ser removida. a sua casa está suja. a sua faca precisa ser amolada e, no entanto, hoje, você é mais uma vez incapaz de ser forte o suficiente para pedir licença e se matar.

o que você quer que eu te escreva? que tá lindo? que tá sucesso? que seu futuro é brilhante e que as pessoas ao redor estão gostando do convívio contigo? não posso. às vezes – somente uma vez ou outra – a lucidez vem feito cavalo e rasga tudo, a lucidez destrói a sua possibilidade redundante de auto-comiseração. ela vem e diz: não tem jeito. hoje precisa escrever vinte linhas dizendo o mesmo. hoje você só dorme caso reconhecer – sem choro ou pranto a desviar sua atenção – se reconhecer estar falido e precisando de outra mão.

 

e então,

quem sabe,

um filho pode lhe acenar outra coisa que não canecas de café.

 

o cheiro queimado

os sapatos trocados

silêncio na casa

o banheiro pouco usado

tudo limpo

porque a sujeira está contigo

concentrado.

 

uma pena,

perder o poema que você poderia ter escrito.

uma pena

você se perder de ti

e levar os seus contigo.

of what?

sorry

i will not be brilliant

see

i do not know how to write

brillhant

 

it is so dark

this word, i mean

it is so sad

so forced so cried

 

sorry

be affraid of what?

 

sucess

money

sex

drunks

and

honey?

 

maybe only honey?

 

not affraid of milk

not affraid of toast

 

today

my only fear

is really

this dangerous chest
asking for bombs.

punch love

palavra para te pedir

coragem para olhar mais tempo

faltou tudo,
menos tempo

 

tivemos luas
tanto sol

tivemos ambos
tanto vento
tanto frio
tanto silêncio

entre nós

perdido

pedindo estalo
beijo ou
atrito capaz
de se cravar

feito tormento.

 

parceiro,

pode até ser
que outro destino
nos dê este perdido momento
(cada dia mais distante)

e se isso acontecer

que falte tudo

menos

punch.