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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Tremeluzindo

Treme luz indo
e não mais voltando.
Mas voltando
se quiser comigo
brincar.

* . * . . *
¨ * ¨ . . . *


Aqui sob essa mesa
de café
é noite
e eu tenho
meias nos pés.

Aqui sob esse céu
sem estrelas
eu já nem quero
falar de nada
exceto
do que sinto.

Treme luz
distante
indo.

Apagando acendendo
devolvendo um sorriso
de quem chega
e depois
dorme em paz
com seu amor.

Treme luz
distante
indo.

E faça
nesse segundo
um abraço
acontecer.
E mais um
e outro
e outro mais,

até que seja
tarde
e venha o
amanhecer.

Treme luz
se foram
e o sol
ascendeu.

Estarão de novo
trêmulas
na próxima noite
como eu sem
meu amor?

>>> saudade de amar e deixar o tempo passar >>>

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Posso fingir que não sou inteligente...

Eu poderia conversar com você e dizer que tudo o que virá a seguir é sincero. E você então acreditaria, pois antes de eu falar qualquer outra coisa, eu vou ressaltar o quanto era verdadeiro aquilo ali que eu ia dizer. E por ter sido veemente em minhas afirmações, por ter sublinhado a minha sinceridade, eu deduzo, você não vai perceber que eu minto.

Eu minto, porque eu te amo. Eu minto, dizendo que tudo em você é feio, e triste, e medonho, enfim, é vazio. Eu minto por segurança, pois não mentir seria te amar, e isso eu já não posso. Não posso, apesar de querer. Mas amor envolve relação. De mim com outro, do outro com outra mão. E sem a sua mão, eu não posso seguir. Não adiante.

Então, não é um dia que você percebe que eu estava mentindo? E imagino que em você as coisas doem por demais, porque é muito ruim eu ter lhe exigido fidelidade, sinceridade, quando de minha parte isso faltou. Eu te cobrei sem ter me cobrado o mesmo. E você chorou, se desesperou, gritou, pediu ajuda para tentar compreender aonde se escondia todo esse semblante horrível que eu disse estar preso em seus olhos.

Mas hoje, no entanto, você me olhou fundo. E diferentemente de outros tempos, que já passaram, eu não pude te olhar profundamente. Assim, desviei-me de você. Envergonhado, temendo ser descoberto. Foi então que você pode ver, que o semblante horrível que em você se desfazia, era apenas o meu olhar sobre o seu. Era apenas o meu desejo de amor. Era apenas a minha incapacidade de deixar jorrar esse coração... Que agora implode, implorando por alívio.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Primeiros passos

E num lapso, um dia perguntarão:

Você tem visto a __________ por aí?

E em seguida, num segundo apenas, lembrarão que eu parti para sempre,
voando.

*

A história que tenho para contar fala de três tempos:

O que foi,
o que é,

e o que não será.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Assoalho

"

Por mim eu não fico. Por amor eu já sei que não vale à pena. Mas deixar aos inimigos o gosto de minha derrota? Sim... Por mais que seja dificil aceitar-me assim, derrotada, quero que todos experimentem o doce gosto de minha perdição.

Pode haver gosto mais doce do que o da morte?

"

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Acometimentos

Sobre pontos que me fazem parar ou pontos nos quais eu paro, nem que seja para respirar.

Ônibus
Passaram-se cinco daqueles em que eu podia embarcar. Então, peguei justamente o que nunca havia entrado antes. Um ônibus com outro número, cujos passageiros tinham outras caras. Pois mal nele entrei e ele já partiu. Balancei, oscilei, quase caí tentando tirar a carteira e somente parei quando seguro estava com uma das mãos num daqueles ferros imundos e deslizantes e carregados do óleo que o dia-a-dia dos corpos cria e, assim, próximo ao trocador a ele perguntei Passa na 28? e ele disse que sim, que ia reto, até o fim e logo em seguida, disse algo mais. Eu disse o quê? Ele disse algo mais, e eu disse o quê? E então cruzei a roleta e ele disse nada não. Tinha olhos de vidro, o tal trocador. E eu ali sentado, vim a viagem inteira pensando no que ele havia dito, sem acreditar que tivesse sido apenas um nada não.

Coca Zero
Era intervalo. Tinha 10 minutos até o início do segundo ato. Fui até a cafeteria, pois queria um café. Chegando lá, o preço do café não valia o seu tamanho. Ou seu tamanho não valesse o meu desejo. Então, optei por uma lata, gelada, de Coca-Zero, alucinado estava. Caminhei entre a multidão de platéias e contra-regras e cafezinhos e cigarros na mão, até que a placa antes da entrada me disse que eu não poderia entrar portando bebidas. Tudo bem, pensei. Eu prometo não derrubar no chão. Além do mais, não porto nada. Abri a mochila e joguei a gelata dentro. Sentei-me na poltrona, abri com o devido cuidado o recipiente. Alguém ouviu? Não importava, a luz sequer tinha se apagado para o inicio do segundo ato e a lata já era apenas uma lata qualquer, de volta à mochila, vazia, seca. Antes de em mim o prazer esmaecer, pude ouvir uma velha resmungar, como, se aquele rapaz ali acabou de tomar? Alguém viu?

Tiros
Escrever me surpreende porque nunca se sabe ao certo o que virá a sua mente. Nunca se sabe como o mundo reagirá no exato instante que você o recria sob palavras e rimas imprecisas. Portanto, há poucos minutos quando escrevia um desses acometimentos, começei a ouvir tiros. Pensei, merda! E a janela aberta e eu aqui sem camisa, pronto para morrer sem pestanejar. Eu aqui diante de um computador e resignado com o rumo que a bala não mais perdida pudesse em mim encontrar. Então olho daqui para fora. E vejo nos tiros clarões. Apago a luz do quarto, bem sei que não preciso chamar atenção. Mas tenho pulsão de morte eu sei, por isso caminho até à janela, preciso ver a noite sangrar. Então, faço parar. Retorço-me rumo ao céu e vejo que nele fogos são feitos de tiro. Se são as pessoas cuja morte atingiu, não saberia dizer. Mas que sangravam vermelhos os fogos, isso assim eu pude ver. Justamente com esses olhos que a diabetes há de comer.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O Albergue

Custou o preço de um DVD, um filme duplo e cheio de extras num segundo cd. Custou pouco, penso eu agora. Esses momentos que vivemos e que nos damos conta somente depois. Pois bem, eu faço a conta das minhas experiências no momento riquíssimo de sua existência.

Ontem

É como se por um dia, sendo-se a si mesmo, não se fosse possível mais se ser. Não mais como eu era. Sim, os verbos e pronomes e nomes amontoam-se na tentativa de esclarecer o prazer inigualável de ser, ponto. Ser sem pressuposto, ser instintivo e absorto diante da vida social a qual foi lançado, entregue, drenado.

Neste albergue, olham-me pelo que sou, neste momento. Não há nada prévio afora o som do meu nome que eu adoro e que sequer é gritado, pois não me conhecem pelo que fui de mim. Há apenas na geladeira comunitária uma maça e um pote de chá, sobre os quais o grifo "Diogo D3", informa o dono a letra do quarto e o número da cama onde dorme um ser a mais.

Mas já é dia, a vida prossegue e café foi tomado. O banho aguarda sentado neste computador, também comunitário. A sensação de muitos corpos num só espaço, todos sedentos por um "de onde você é?", por um "hi!" e por todo o resto que eu não saberia descrever, pois palavras demais é não compreender.

Supermercado

Peguei três maças. Um pote de chá. Um pacote de biscoito para depois e um para o agora que já passou, contado nas mordidas e nos dedos lambidos. Segui para o albergue e se escrevo agora, é para vitalizar um momento que passa. No meio das compras, olhei para mim mesmo e disse, na autoritária voz que me sobe à cabeça, "Cara, você é o mais sem noção".

E se digo ser "o mais" não é por orgulho ou pretensão, posto que seja apenas pela solidão.

Hoje

Eu sou daqueles que aproveitam pouco o gama de acontecimentos. Sendo tudo tão vital, as coisas se movem de tal maneira descomunal sob meus olhos, que eu me perco rápido demais. E eu já não quero falar de nada exceto do que me faça se perder.

Quero falar do cheiro que ficou no ar, após você da janela saltar.

Não tenho referenciais. Minhas medidas são imprecisas, são as dos corpos que vem e não voltam mais. O que sei de mim e do mundo a todo momento se altera, trocando forma por conteúdo, desejos pelas fendas da incompreensão.

O que sei, vacila. E nisso, vivo eu a vacilar. Carregado de dúvidas que me lançam adiante, onde eu posso olhar para trás e perceber, "Cara, você é o mais sem noção, mesmo".

sábado, 9 de fevereiro de 2008

A Seiva

Ela escorre pelo caminho.



Tortuoso caminho de linhas
Grossas
E curtas
Apavoradas pelo tempo.

A seiva escorre
E dito isso
Nela palavras morrem
Nela a vida se remove
E se ausenta
E tudo que é dor
Impaciência
Silencia.

A seiva branca
E branda
Escorre feito rio
E feito isso
Densifica o caminho
E eterniza as marcas.

Os rasgos rabiscados
Os nomes ali talhados
Tudo que toca
E na pele comove
A seiva é bruta
E remove
Rumo à eterna
Confusão das horas.

E se a toco
Foi por não ter forças
De te prender junto a mim
Foi por não saber
Domar
A liberdade
Por não saber amar
A privacidade.

Se os perco, os meus filhos
Foi por neles ver
Rios de seiva
Sangrar
E nisso
Despedaçaram-se
Eles e - também -,
A minha...

Silêncio.

Deixo que as mãos toquem
Apenas
A própria produção
De nossos dedos.

E não posso dizer
Não posso desprender-me
Assim
Tão facilmente
Como quem perde
E resignado
Apenas chora
E já passou o tempo
E noutro espaço
A dor melhora.

Como dizer a brutalidade
De algo tão espesso
E passageiro
De algo que escorre
Ligeiro
E mal chega o dia
Jaz ligeiro tocando a terra?

Como dizer aos tios
Que vão me interrogar
Que era seiva de amor
E não falta de ar?

Como dizer
Que o sangue não é branco
Que o líquido que escorrega
Consumindo segundos deste mundo
É chuva
E não morte?

Eu os corto, filhos.
E literalmente
Sou capaz de vê-los secar
Até que germinem
Em outro dia
Noutra agonia
A verdade incontida
Que por vocês
Em mim grita.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Sobre meus filhos que partiram

Eu não saberia dizer ou prever aonde são eles capazes de chegar. Se perto ou longe, raso ou fundo, eu não saberia dizer. No entanto, especulo seu poder, como quem o faz em busca de uma certeza capaz de estimular o adiante.

Ainda assim, eu especulo possibilidades sem as quais um artista, se puder assim dizer, é incapaz de viver. Sobre um público, alguém que o lê. Sobre outros peitos que não o meu a bater.

Sobre meus egoísmos de amor

Não faria questão, se não me fizesse falta, de emprestar uma mala. Não me importaria em emprestar meus livros, mas sem dúvida anotaria seus nomes, como partiram e com que roupa e em que ocasião de suas vidas viram-se longe de mim.

A questão é como lido com os meus filhos e como o faço com os dos outros. Não saberia libertar assim, sem eternos avisos prévios, filhos que um dia eu fiz. Tento, incessantemente, prostituí-los e o que vem a seguir é a dor do faltar ar. A dor de vê-los no mundo se afogar. Vê-los assim, tímidos, perdidos e imprecisos no que dizem. Apesar de acreditarmos, nós, no que dizemos.

Amo tanto meus filhos que viveria eu e eles, apenas. O mundo nos dá morada e do mundo retiro aquilo que me alimenta e, conseqüentemente, o que lhes dá vitalidade. Assim, por que não devolvê-los, já fortes, ao mundo que os permitiu nascer?

Apesar de especular, sou incapaz de compreender realmente o sentido do que é se doar. Sou incapaz de compreender que idas envolvem voltas e voltas se vão e se voltam na mesma via ou mão. Portanto, por que temo perdê-los, se em cada ar que respiram me dizem um pouco, se em cada novo lar, são filhos meus de férias com seus tios?

Eu sou mesmo amanterialista. Crio palavras para descrever esse amor que é meu, que mata e ama ao mesmo tempo. Amor num só gesto, numa só linha. Amor imperativo e que agoniza. Eu egoísmo meus amores por amá-los demais. E assim, por vezes, acabo os deformando. Acabo os mimando e quando frente ao mundo, quando agora, soam tão menores do que são. Do que poderiam ter sido.

Sobre a extensão de suas asas

Cheguei a pensar que a minha sinceridade fosse salvar a alma de quem nasceu de mim. No entanto, o mundo em constante hipocrisia, faz minha sinceridade doer, pois já não há mais espaço para o amor que nasce nos recônditos do que se é.

Não há mais espaços para pequenas grandes dores num campo, o nosso, onde dores jazem concentradas. Por isso, especulo, sobre sua extensão. Sobre até onde podem voar, visto que os dei asas, sem a minha ajuda?

Eu especulo sobre a sua vitalidade e, inevitavelmente, sobre sua utilidade. Os filhos que fiz precisam ser tudo isso que os filhos alheios conseguiram ser? Sinto-me feito o primeiro artista que recebeu seu primeiro elogio: era apenas um olhar e um sorriso tímido de aprovação, de partilha e comunhão. A seguir, tudo se transtornou.

E vendo assim meus filhos conquistarem pequenos sorrisos, a saturação de alguma dor, a ampliação de outras, temo por vê-los assim, ousando ser algo que não sabia os ter feito para. No término de todas as coisas, os pais esperam a morte dos filhos para mostrar todas as suas virtudes que, um dia, temeram revelar ao mundo.

Mas o fato de sabê-los saudáveis não deveria me fazer calar. Não posso saber de suas belezas e não as revelar. O mundo estremece diante da frialdade dos dias. E quando meus filhos surgem, no meio do pátio, querendo correr, brincar... Por que eu, logo eu, deveria os silenciar?

Importam-me os números, os recordes, as estatísticas? São apenas vinho ao virtuoso. Não pensar nisso é pressuposto para seguir. Para olhar o adiante pelo que será e não pelo que deve ser. A nossa capacidade de previsão, de precisão, nos acompanha a todo o momento, pois somos aquilo que há dentro em ser.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Sobre um teatro possível

Talvez nunca tenha feito isso: escrever sobre o teatro, sobre este teatro, de agora, que se debate diante de sua forma. Teatro hoje que se lamenta e sem fuga ou salvação, encena a própria dor esperando que nela alguém jogue sua atenção.

O que pensei sobre teatro foi sobre Eurípides. Sua Medéia. Sobre Édipo, algumas comédias, outras histórias. Foi escrever sobre grandes dramaturgos, admirar excessivamente um Ibsen, um Brecht e vários Shakespeare. O que pensei sobre teatro até hoje foi apenas uma maneira de adaptar suas potencialidades à pobreza do seu sem-espaço hoje.

O que aprendi até este momento, sobretudo, foi como criar tensões. Sufocar uma cena numa caixa que impressiona, pois não se sabe se a falta de ar é intencional ou acidental. Criar tensões tem a ver com não ver, não dizer e nem se ser. Por isso, muito aprendi a olhar o que quiseram uns dizer, mas talvez pouco tenha exercitado a compreensão do meu compreender. O como vejo, com quais cores? Que texturas e odores? Que corpos que se movendo dirão a minha história? A minha visão dessa História?

Talvez devesse ceder a todas as repentinas intuições que amorfam esse teatro que latente em mim quer se mostrar. Talvez devesse olhar mesmo para aquele parquinho num canto da grande cidade do Rio de Janeiro e ali, sob as cores do cotidiano, fazer fantasia.

Talvez devesse acreditar menos em grandes teorias, deixar de pensar na crueldade, deixar de falar em teatralidade. Talvez, mesmo, o que precise ser feito beira o observar, o investigar. Olhar para vida como quem não se perde dela. E olhando-a, dela retirar algo que diga sua vitalidade, sua convulsão, sua falta de liberdade.

Observar aquilo que nos falta e em cena fazer voar. Este teatro que pode ser utópico, científico, acadêmico, profissional, amador ou radical, tanto faz. Pois se é tanto, façamos de toda e qualquer forma. Nenhum rótulo importa quando somos crianças e queremos aquilo que queremos.

Voltemos a ser crianças e diante disso, é com ingênua dor que escrevo sobre o que me atormenta. E me atormenta, apenas, por se tratar de algo que é vivo e que por sua vitalidade precisa existir. Cada vez mais percebo o teatro como uma ponte, mutante, de várias vias, de mim até vocês e de vocês até mins.

Cada vez mais, acredito num teatro que seja possível, pois em mim requisita existência. Sem preceitos, sem receitas. Teatro é ação e recria-se a todo instante, ainda que seja no espaço-tempo-das-memórias-áureas-de-algo-que-não-é-o-mesmo-algo-hoje, pois hoje é o eterno presente passado constante adiante.

Neste momento, eu tenho farpas em meu corpo. Quero dizê-las, do meu modo, a vocês. Uno-me, então, a outro corpo. E juntos, faremos do teatro a nossa necessidade de sentir-se vivo, pleno e dito isso, também incompleto.

Diogo Liberano

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Domingos,

Em especial,
Demoram mais
A amanhecer.

É como se o sono
A necessidade
De nublar-se do mundo
Persistisse.

Como se fosse
Imprescindível
Amar em silêncio.

Em silêncio
Para se ouvir melhor
A sinfonia
Do respirar
A claridade
Que só um bom sono
Em seu reduto escuro
Pode fornecer.

Por isso demoram mais
Esses domingos
A amanhecer.

Eu que resolvi não dormir
E espero agora
O domingo chegar
Naturalmente
Perdi-me das horas
E penso ser noite
Quando que horas
Será?

Não importa saber
Não importa medir
Importa agora
O silêncio
Os olhos fechados
O peito
Indo e vindo
E sob ele
Calmo
O coração,

A bombear essa vida
Que carece de
Descanso.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Sobre crescer

Quanto mais tento ser sincero
- e como têm sido difícil -,
Menos compreendo
O que desejo dizer
O que preciso ser
Para me sendo
Poder, enfim
Dizer
Viver.

Quanto mais tento
- e já não tenho mais
tantas forças -,
Mais me pesa a
Consciência
Nesse pernicioso
Jogo chamado
Crescer.

Sinto-me envergonhado
É tudo tão novo
Inevitável.
Sinto-me frágil
Pré-derrotado
As minhas forças
Não equivalem aos
Resultados.

Sou um anarquista incomparável.
Mas dentro de mim
reverberam
revoluções
Que não sei liderar.

Dentro de mim
As emoções que temo
Nas mãos
Não sustentar.

E assim
O corpo dói
Perdendo-se
Pois profunda é essa dor:
a do se conhecer.

Meu corpo dói
Eu durmo ou acordo
Acordado ou dormindo
E já nada importa
Fora o fato de ser
Apenas
Eu.