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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Alguma coisa

É tentar
E não conseguir lembrar.

Se penso um traço
Ele sobrevive inerte
Sem esboço restante
A completar seu gesto
Hoje
Ultrapassado.

Alguma coisa
A tenacidade de uma alma
Há de fazer nascer.

Já não me lembro de seu rosto
O perfume não chega nem por nome
Nem por saudade
Você está indo embora de mim
Mais veloz
Que outros rapazes.

Me intriga
O motivo de tamanha pressa
Se me faço correr por desespero
Ou se por amor
Não sei

O que fica é o jogo incompleto
De tentar te ver em rosto inteiro
E só visualizar pedaços.

Juro que não consigo.
Estou tentando agora.
Tentando de novo.
Imagino a sobrancelha tísica
Um olho apertadinho
Mas se tento duplicar a imagem
Ela se esvai em onírica fumaça cinza

Que estranho.

Você está indo embora.

Sua imagem já não me orienta
E menos ainda me desorienta.

Já penso que o sofrer não seja bem sofrer
Seja apenas hoje um tipo de lenha
Que estala de pouco em pouco
Me mantém aquecido
Ainda que não veja rosto.

Estala
Estaca
Tudo hoje me soa muito louco

O ser humano é capaz de casa coisa.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Solução

Fora agora
Tudo eu jogaria
Para acordar
Mais leve
E sem ranço
De passado
A caminhar
Junto aos dias.

Eu jogaria tudo já vivido.

Renasceria imberbe
E tudo me seria novamente
Possível
Posto não houvesse passado
Mas só
Presença.

Um cansaço destrói meu corpo.

Uma raiva doce me impacienta.

Um jogo forçado virou minha vida.

E eu
que nunca fui desses
Sobrevivo desfigurado.

O que fazer?
Meus Deus, o que faço?

Tenho gastado uns minutos
pensando na solução repentina
Que seria o meu avião caindo profundo
num oceano qualquer.

Desgosto da vida.

Desgosto de tudo.

Tudo
Tudo

Menos de ti.

estou doendo.

sábado, 25 de abril de 2015

Verdade

E por tanto mentir
um dia você acorda imergido
Em realidade.

Dos olhos e seus abraços

Por vezes não me parece possível
achar inda algo capaz de ser revelado
Por vezes o mesmo é desde cedo
meu marido e namorado.

Por vezes o gosto já foi dado
nem sobra surpresa nem alarde
Tudo resta já acostumado
nem guerra nem intriga

Por vezes tudo conformado.

Mas vezes só às vezes
Vezes nem sempre é ponto dado

Desfiado resta o espírito
quando por um olhar abraçado.

Agora, por exemplo,
fui longe e voltei
Ainda não todo voltado

Seu olhar me abraçou e volto eu para casa humilhado.

Pode haver abraço maior que este
o dos olhos interessados?

Desligarei o telefone
desistirei de todo o mais
Ficarei retido
tipo estátua

E conservarei o encontro
dessa semente sequer plantada.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

50 Anos de Ditadura Televisiva

Parabéns, Rede Globo, pelos seus 50 anos! Anos de entorpecimento à autonomia crítica e simbólica do cidadão brasileiro; anos de apoio à ditadura militar brasileira e de censura aos movimentos democráticos; anos de manipulação das eleições e, obviamente, anos e mais anos de sonegação fiscal. [...] Trabalhando tanto e com tanto empenho para a burrice de uma nação, fica fácil ser rica e poderosa, né?

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Para quem escrever

Resta uma dúvida.

Depois de limpar a casa
de passar o café
de juntar as roupas
e de empilhar os papéis
Resta uma dúvida.

O desconforto do corpo
acostumou-se
A desilusão da coluna vertebral
também foi assumida
O ressequido dos olhos
é evidente

mas restou uma dúvida
firme
dúvida forte
persistente

Para quem?
Para quem o poeta escreve?

Se escreve para a mãe morrida
para a família
Para os amores
que ainda não todo se acabaram
Se escreve para os sonhos
para as asas
Para as crianças que um dia
quer ser o poeta pai

eu não saberia precisar,
só que sobrevive
a dúvida

Para quem escreve?

O poeta não sabe sequer por onde começar.
Mas começa.

Ela traça uma linha
a linha o mira
e ele se impacienta, afinal

é necessário saber o destino da rima
mesmo quando ela é ainda tão precoce
e ingênua?

Deveria ele saber?
Eu, deveria eu saber
(caso estivesse em seu lugar)?

Para quem escrever?

O poeta se pergunta

e enquanto isso
eu, aqui, agora, a mirá-lo
eu apenas contemplo uma certeza

a dúvida dele
é aquilo que o alimenta.
só que por tanto duvidar
o que se deu nele
foi o esquecer

já não sabe para quem escreve
mas escreve mesmo assim
crente que no caminho da escrita
possa um dia voltar a entender

Para quem escreve
Para quem escrever.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Só você pode saber

O motivo que tanto
Te faz escrever
Só você o sabe
Mesmo sabendo
Sem se dizer
Você o sabe, só você
Por isso talvez
Não se importe
Em seguir contínuo
A escrever.

As rimas vêm e vão
Tudo passa e pouco fica
Mas só você sabe o porquê
De tanta azia.

Se para fora
Para um ou a dois destinatários
Se para dentro
Para o seu soluço apenas
Isso não importa
Desde que continue tu
A saber sozinho
O motivo de suas linhas.

Sonha que um dia
As linhas suas se juntarão
E sua forca hão de compor
Mas é sonho ainda
Pois elas sabem
E tu também
Que muito ainda há a ser dito.

Por que você escreve?
Para quem se destina?

Sabe?
Eu confesso:
Escrevo para quem quer que seja
E mesmo que escreva para um destino
Específico
Logo após escrever

O que sobra
É só
O motivo mesmo.

Escrevo porque viver só vale
Se se for destinado a uma única coisa
A saber: à pena
Ao papel
Ao verso e ao poema.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Travesseiro

Foi como se fosse

Deitei, então, destemido
e, juntos, era tarde,
dormimos.

Era como se fosse
e só de desejar
foi mesmo.

Dormimos
Acordei
Acordamos

Um pacto?
Acordo?
Algo silencioso e discreto.

Lá fora fez sol
e aqui dentro
tudo certo

Tudo certo.

Se escrevo para registrar
nem bem sei.
Escrevo talvez para lembrar de novo
e mais uma vez.

O olhar
o toque em forma de abraço
Lembrar o cheiro leve e sensível ao vento

Hoje o dia foi feriado
Ontem também
Estávamos de férias?
Foi domingo duas vezes?

Nem bem sei
nem bem me importa
Conservo o silêncio agitado
de nossas trocas.

E então resto sozinho, para seguir a vida
certo de quem primeiro sou eu
E depois eu junto ao mundo

Que loucura
que loucura, mundo

Estou repleto
imenso
e inda assim

daquele jeitinho como nasci
o qual
palavra alguma há de capturar

Palavra alguma
até que outro amor
venha a me tomar

...


segunda-feira, 20 de abril de 2015

C'est Fini Mesmo

SOMBRA VERMELHA

FiNiTuDE. QUER DIZER: FINIR TUDO. TUDO MESMO. JÁ ERA A HORA DE SENTIR Demanda por isso.se haverá volta? Já não me preocupa. Foi tão lindo e tão claro isto que acabei de sentir que já não me importam as especulações. Ponho em ponto final, enfim, e com algum atraso, recomeço. Desta vez, muito desejoso  por escrever este novo percurso com a minha própria letra: feia e precisa, HORRENDA e necessária. Veio tudo em vermelho. A certeza. O desejo. A virtude de, sozinho, reconhecer as demandas do corpo. Estou aqui ainda, certo como nunca dantes, de que o amanhã é meu lugar; de que o meu projeto carece de parceiros e não de remédios. Sinto-me aqui! sinto-me agora! E o meu corpo já não rememora o que foi inda agora é só passado. Hoje é segunda-feira 20 de abril de 2015. Hoje algo acontece. Hoje algo acaba de acontecer. Escuridão retinta.Um ou outro tiro estourando ao longe. Os olhos fechados pedindo por descanso. que agora virá: pois meu peito está aberto. O meu peito está. Ouve? Eu sou todo olvido; não trago mais o que não quero cá comigo. Minha pele dorme confortável  sobre meu lençol; meu peito vai se povoando de outros sóis, afinal, há tanta SOLIDÃO em mim que já me sinto REPLETO; e então a manhã chegou. O café. A torrada. A geléia fechada.Tudo aguardando este instante!!

Pipoca com Coca

Estou pensando na sua delicadeza.

Hoje foi um dia lindo
e tudo por sua causa.

Obrigado
mesmo
De coração
inteiro.

Como pipoca
e sobre a cama
Tomo coca
bem gelada.

Estou de cueca
sem camisa
Com abajur aceso
e respiração calma.

Obrigado.

Alguma coisa aconteceu
e não me importa - mesmo -
entender cousa alguma.

Aconteceu.

E amanhã
a gente se vê para vermos juntos
No que podemos fazer

neste adiante que hoje, por ti,
se anunciou.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Delírio

Gentileza
Eu preciso

Amanhã é seu dia
e não o meu

Seja feliz
com seus novos amigos

Nada me dói tanto
do que qualquer pedaço disso

Virei amigo do absurdo
mais uma vez

A morte de alguém que se ama
sempre atualiza uma vida por inteiro

Ando vago
passageiro

Só falo sobre mim
mas é só ti que vejo

Não queria viver isto
mas é isto o que me deixastes

Pensei em me jogar
sob um veloz ônibus

Vou tentar antes disso
um médico que fale sua língua

Talvez ele encontre culpados
e me faça ter pena da minha vida

Meu ódio é hoje a coisa mais linda
que por ti tenho destinado

Não que eu o queira
mas é que inda assim ele me invade

Você me invade
a todo e cada passo

Não duro nem 10 minutos
seu o sem sináptico lastro

Queria ver estrelas e ouvir piano
mas sobrou só você

Desprovido de presença
sem nada exceto fumaça

Sobrevivo sem ônibus
a tombar sobre mim

Meu desassossego é tamanho
que nem ônibus daria conta de mim

Ando cabeça baixa
tentando reaprender o que já soube
mas que por sua causa
de mim perdi

Gentileza
por favor

Deixe-me seguir fazendo de ti
apenas fantasma

Com algum tempo
o medo de ti se escassa

Um dia vai passar um ônibus
e eu esperarei na calçada

Neste mesmo instante
passado o ônibus
por entre o vento hei de discernir
o seu leve rosto na oposta calçada

E então trocaremos cumprimentos gentis
e sua presença não haverá de me doer

Mas
o que resta ainda é só esse instante

O que resta ainda é só dor que não dói
cor que não resolve
rima que não me firma
encontros que não me abatem

Estou vivo
mas quero dormir um muito mais

Feliz fico
em saber que sincero
exposto como estou
sigo vivo, delirante

e um pouco
Capaz.

17 de Abril de 2017

Caro amigo
aqui estamos nós
dois anos após o combinado.

Foi difícil achar espaço nas agendas
mas o dia era esse, hoje
é faz dois anos isso estava já agendado.

Que bom revê-lo.

Que alegria sem fim.

Sim, eu sei
estive fora do Brasil
mas aproveitei um trabalho
para voltar e te ter perto de mim.

Eu preciso comentar:
nunca falei tanto a palavra "lembra"
em toda a minha vida
Você também não.

Lembra?

Foi o que mais falamos hoje.

E falamos sobre a vida
que anos atrás não era como é hoje.
E voltamos a falar sobre os amores
e sobre as mortes e sobre toda a sorte
de prazeres e dores.

A vida é mesmo incrível.

Estamos mais velhos, é verdade.

E essa é a deli ia de tudo isso.

Você me reparou por inteiro:
reconheceu que finalmente eu estou com cara de quem sonha os sonhos que escolheu.

Eu fiquei pesaroso. Sonhar o que se quer
quer dizer o que mesmo?

Não importa.
É bom estar contigo.

Eu parei de beber.
E você começou a fumar.

Meu Deus!
Jamais poderíamos imaginar.

Dissemo-nos muitas e mais coisas
sobre a vida na cidade
sobre a ira da natureza sobre a cidade
sobre Marte
e aquele filme antigo de 1994.

Dentro tudo
uma coisa é fato:

passado um tempo
terminados tantos amores
Restou a nossa amizade.

E hoje
Como amanhã
E como antes

Ela me faz me guia e invade.

Que o futuro siga lisonjeiro
com esta nossa habilidade.

---

Para Teo Pasquini.

risos e eu não tenho mais nada menos que isso

Oi, tudo bem, mas não sei se é que eu não sei se é que eu não sei se é que eu não sei como proceder para efetuar a inscrição, sorteio, o valor de um abraço. reclamo. a gente se fala. beijo grande abraço. reclamo do que o mundo. e, por exemplo. se você não tem como me enviar por favor me ajude, e não sei como proceder com os outros que se refere o parágrafo, e não sei como proceder com os outros que se eu não sei se é que eu não sei se eu não tenho certeza de que eu te aviso, e o que precisar, entre outros. o que eu possa te mão. a gente se sente. o problema, me avisa. a arte mexe no meu celular e minha mãe. a arte desarranja. a gente se encontra. a partir das fotos, imagens e depois de um abraço, Rubens. que tal um dia, o que eu quero ser o mais rápido que eu te pó, e a de que a gente se fala. beijo grande abraço. o convite é válido para o seu nome, e a de seu convidado. que bom. mas, como a de hoje. a arte desarranja e faz, e não sei como proceder para efetuar a inscrição, sorteio, sorteios e eu vou te amar e a dor e sofrimento e eu vou te amar e a dor e sofrimento e eu te amo, te amo, te amo, te amo, te aviso, o amor que não é ódio não se destina a. e o Bizonho. o convite é um bom trabalho. o que eu possa fazer a prova. a gente se fala já está na hora do dia, o que fazer. eu tenho ainda muito obrigado pela visita. o que eu possa te ligar. Beijo, o amor, eu não vou me sentir mais. eu tenho um pouco. mas não tem problema. a arte desarranja. a arte mexe no que foi dado como a do ano, o que é a quinta. o que eu possa te ligar. o convite é válido para o seu nome, e a de que a arte hoje mais do mesmo, mas o que fazer? o de sempre e sempre que precisar de um ônibus público e a gente se justifica a performance do seu amigo, mas não é o melhor do melhor do mundo. e o intuito deste email. eu tenho um pouco. o que eu possa te amo. a partir das coisas mais importantes. o convite para a estreia da nova versão, mas não sei o quanto é o que temos de ter uma idéia de que a arte hoje mais do mesmo, mas não é um pouco de água, e a de que a arte seja, o que eu quero ser produtor, e o que fica na rua, e não sei como proceder com os outros que se refere o parágrafo, e não sei como proceder com os outros que se refere a um tempo, mas não sei se é que eu não sei se é possível que a gente tem que estar registrado há um tempo para a gente não se preocupe, eu não tenho mais de dois dias de férias e eu vou fazer uma pergunta, mas não sei como proceder à disposição. aguardamos a. e o intuito deste ano, mas o problema. o problema, me parece, mas a minha vida, e joga no dia da minha casa e o amor da minha vida, e o que fica ida ao meu alcance de. os caras que eu possa me dar um retorno de um amigo, que é a quinta, mas ótimo problema é a mesma. a arte mexe no que foi o que eu possa te amo,

...........

............. Luiz Inácio de uma amiga que o senhor não é o que for melhor pra mim é um bom trabalho e o que fica ida ao meu alcance de. os caras que a vida de uma amiga que o senhor não é o tipo de coisa. o que pode ter sido um dos números acima de todas, e não tem como objetivo a. o que eu possa te ligar. o convite para a gente se sente mais uma semana, o amor que não tem como eu disse que a arte seja, a performance do que eu queria que fosse o que fazer. eu tenho um pouco. mas não

Tem problema nenhum, e a gente toma uma olhada na hora do almoço. o convite. que o amor como por ti. a partir das pessoas. o convite para a gente se sente mais de um amigo meu, mas não tem como eu disse que não é ódio não sei como fazer isso, a partir das coisas mais. eu tenho que mandar um email para a sua vida e não sei como proceder com os outros que se refere o parágrafo, e não sei como proceder com os dados da pesquisa. o que fazer com que o amor como por exemplo, o que eu quero ser produtor, e o que fica na rua, e não se esqueça que eu possa te amo. a partir das coisas mais. eu tenho um filho, e não

Ir direto para o aeroporto de São Paulo, tudo bem, mas não sei se é que eu não sei se é que eu não sei se é que eu não sei se é que a arte de viver e eu vou te amar, e o que eu possa te amo. a partir de agora, mas não sei se é que eu te aviso, e o que eu possa te amo. a partir das coisas 19h.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Sobre amor e poesia

Escreverei sem vírgulas porque é mais rápido. Ponto final dar é fácil. Vírgula é que dá mais trabalho. Escreverei em pontos. Sobre amor e sobre poesia. Porque são coisas bem distintas.
Quando há amor não há tanta poesia. A poesia nasce quando o amor é mutilado quanto está ferido quando gangrena o amor quando se é largado no meio da pista. As poesias ditas de amor nasceram depois do amor. Quando este já estava morrido. Não minta para mim. O meu ofício como poeta só deu certo depois que um você qualquer me deixou sem abrigo. O amor é mais uma qualquer máquina produtora de dinheiro. Você ama. Se apaixona. Se ferra e então escreve poesias. É o casamento perfeito. Do homem despedaçado com um punhado qualquer de verbos e versos. Queria dizer que quando há amor não se tem tempo para poesia. E para ser bem específico. Quando se está amando e se escreve uma bela poesia o motivo é claro: o que há não é apenas algum amor. O que há é essencialmente o medo de ser abandonado. Quando amava não escrevia poesia. Agora que desamo o amor que tanto me tomou de mim. Agora só trabalho com pontos finais e com rimas precisas. Alguma coisa precisa ser lucrativa nessa merda toda. Mesmo que seja o lucro apenas mais habilidade para escrever mentiras. Mesmo que seja isso. Só isso. Já é. Mas não tem problema nenhum. O convite é válido para a gente não se esquecer. Que tal um dia de trabalho?

Após a narração de hoje

Meus Deus, depois de tal experiência, até tu, Deus, ganha letra maiúscula e me convoca ao diálogo.
O que pode ser isso do encontro? Que ofício é esse o da arte?
Penso que a arte hoje mais do que nunca é o sinônimo mais exato para a palavra vida. Arte é vida, concentrada em tempos e espaços, reconfigurada por texturas mil e por rimas e mais rimas.
A vida sobrevive na arte e nela se confunde porque só a arte consegue mexer em sua usina. A arte mexe no que foi dado como fato e atualiza o arranjo.
A arte desarranja e faz, depois do desmonte, tudo se coser de novo, porém, noutra forma sob outro cuidado com outro carinho.
Que precioso é este trabalho (a performance da minha companhia Teatro Inominável, a performance O NARRADOR).
Que força que concentração de vida quanta mistura indistinta entre luz e escuridão, quanto encontro, quanta desalienação.
É pedir muito que a arte seja algo assim, movido à mudança? Seria pedir muito que a obra teatral possa sempre reconfigurar a coisa dada?
Se assim fosse, sempre, a cada dia, ao voltarmos o corpo e o olhar à realidade, nós saberíamos se tratar de uma obra em constante esboço.
Transformar a vida numa sala de ensaio nos permite compreender que o mundo nunca estará pronto, posto esteja sempre carente de um carinho (afeto) capaz de ouvir sua ânsia por movimento.
Que trabalho esse o da arte.
Que loucura.
Que violência.
Que vida pulsante.

Que momento.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

tempos turvos de caos cruento e humanidade desfigurada*


bela foto, não?
a cor da camisa dela é linda
já tive camisa de mesma cor.
belo cavanhaque, hein, senhor polícia?
gosto também do seu relógio
e do bigode propenso à paraquedista.
belas armas, hein, pessoal?
nem hollywood faria assim tão igual.
pretas e sólidas
perfurando o quadro
e me fazendo crer que tudo isso é mesmo possível.
mas e a dor?
o horror?
o seu filho sob o mandato de aço na testa negra
arma negra na preta careca cabeça
luta de igual com igual.
belo enquadramento, hein, senhor fotografia?
ela à direita
ele à esquerda
o carro ao fundo
anunciando os faróis deste novo velho mundo.
mas
que decepção, hein, humanidade?
que decepamento estridente
este que tu sofres.
que pancadaria
que horror que chacina
que baixeza vil
que rima repetitiva.
volta-se à guerra
para o quê
exatamente?
mais uma mãe munida a faca
tentando proteger seu culpado filho inocente
mais uma arma vestida em uniforme
deformando rostos deformando a arma
suas sortes.
que natureza, hein, ser humano?
minha poesia seca ante seu absurdo.
quisera eu ter força
queira eu ter
- e inda tenho - 
força capaz
de fazer do verso
arma capaz de coser
e colar
o homem a seu semelhante
o homem luz a sua escuridão completante.
que decepção!
hoje!
como ontem!
hoje!
que dezfazimento!

* a partir de trechos da peça A SANTA JOANA DOS MATADOUROS de Bertolt Brecht.

terça-feira, 14 de abril de 2015

blog

oi
amanheci lendo esse seu email-poema
que bom
levantei e fiz o café
sem nem sequer espernear
obrigado por suas palavras
não que meu dia estivesse perdido, mas foi como se suas palavras me salvassem
já são quase quatro da tarde e seu email permanece em mim como um segredo
que apazigua o coração
também não te conheço e essas minhas palavras, tanto como as outras, podem não ser nada
mas é o que temos
fico curioso em saber quem é você
e caso não o conheça, não a conheça, fico curioso em lhe conhecer
nas palavras minhas por ti lidas eu não pareço perdido
a questão é o dia a dia
mas tudo certo (como eu costumo dizer)
tudo certo
paga-se um preço por acreditar no amor e nessa coisa toda tão anacrônica (dizem ser...)
um abraço
onde quer que tu estejas
seja tu quem tu sejas
(não sou muito bom com tu e segunda pessoa do singular)
liberano

PARA T.

Espanto

Perdoe-me a ingenuidade

O anacronismo de meu gesto
talvez, eu lhe peço, perdoe-me.

No instante das horas
eu menti para que você
pudesse seguir sem o peso
De ter que me ter

Perdão.

Eu menti a você
Fiz cara de quem aprova
mas dentro fui todo
reprovação.

Por isso, perdão.

Por ter fingido ser leve o seu tom
Por ter reconhecido seu absurdo
feito possibilidade
Eu menti quando disse a você

que seguisse sem olhar para trás
que a sua decisão seria então a minha
que a vida tem dessas coisas
e que eu sobreviveria.

Tudo mentira.

Eu morri
A vida me inaugurou novas mortes
A sua decisão permanece egoísta
e só sua
O seu olhar para trás
(aqui onde eu fiquei)
é sem dúvida hoje a maior agonia.

Peço desculpas por não lhe ter judiado um pouco mais.
Desculpa por não ter te revelado que o amor não cabe escrito num cartaz.
Peço perdão por não ter te feito amadurecer um fiapo de sentido.
Perdão por não ter te levado junto a mim ao abismo.

A sua descrença no amor me paralisou.

Cimentou meus sonhos de ventilador.

Sua incredulidade parva de jovem homem destruiu a utopia de uma ou duas vidas.

A minha
A sua
A nossa
As vidas correndo soltas na avenida.

Sua mesquinhez matou o instante
e o amor se descobriu sufocado.

Terra nas bocas secas
Gosto marrom de jogo ainda não todo vingado.

Você estragou tudo
e te peço desculpas
Por não ter te feito perceber:

que o amor como por ti é visto
que a vida como por ti é desenhada
que o homem como por ti se elocubra

Nada disso existe

A não ser
que sejas poeta o suficiente
para rachar a vida e dentro dela
Forjar nova estrada.

Mas convenhamos
- e peço desculpas -
Você não é o tipo de cara
tão assim afim de poesia.

Ponta de Cabeça

Querendo amanhecer outro dia
hoje abri os olhos inda deitado
e li uma poesia

De lado
respirei fundo e mirei à janela
Seu rosto me veio
e feito um tempo bom
Foi embora deixando o dia
nublado.

Como eu o amo
oh, nublado dia
Sob a luz esparsa
de sua tenaz letargia
Apóio a cabeça no topo da cama
dou-me um impulso
e deito meu corpo
sobre a parede
que juntos pintamos.

Estou de ponta cabeça
e não há forma precisa
mais preciosa para ver
O este mundo agora.

Tudo tombado.
Tudo fora do chão.
O céu perdeu seu protagonismo
As pernas viraram braços
E meus braços
hoje vestem calças.

Faz frio na neblina deste dia improvável que mal começa e já me ultrapassa.

Que delícia é estar vivo
quando a poesia te conversa
e passa o café
e corta o pão
E faz de mim alguém disposto
a distintas baladas.

Vejo
de ponta cabeça
Uma nesga de sol querendo adentrar minha escuridão.

Não
Por favor
Eu peço: Não.

Deixe estar como assim está.

Deixe assim que
invertido
Agora
É tudo o que eu quero ser de mim
É onde exato eu gostaria de ficar.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

sem você, eu não conseguiria

e você é tantas
são você tantas
cada um numa rima
cada você numa outra
em temperaturas distintas
tempos imemoráveis
doces e bruscas batidas
seu matiz:

incapaz de saber por pensamento

vibra
o meu corpo
por ti envolvido
vibra a escuridão
abrindo clarões
não vistos
halos luminosos
no escuro que dentro de mim
você se abriga

obrigado, esta música
obrigado pelas suas irmãs
mães e tias

hoje me sinto capaz de dormir
posto seja ao seu lado
posto seja eu por ti
rodeado


Revelação

As maiores epifanias de minha vida
vieram todas enquanto navegava eu
Dentro de um ônibus público.

Chacoalha-se tanto e tanto mais
que corpo e espírito se abrem
Ao inédito das revelações.

Hoje ao chacoalhar num ônibus
eu penso ter vislumbrado o mote
Do meu atual estado de abandono.

Os sintomas, a saber:
- cabeça a pensar sem me dar descanso;
- corpo moído doendo e chamando;
- desilusão tenaz sobre tudo o que há;
- memória me agindo mais que presença.

Ora
a revelação tida cabe numa pequena
e modesta palavra-dilema: amor.

Eu tenho ainda muito amor cá comigo.

Não sinto falta de quem amava.
Não procuro seu cheiro nem sua graça.
Não me falta sua presença nem sua rima.

Sobra-me apenas um movimento imenso
sem destino e sem posterior vida: amar.

O que fazer com tanto amor?

Então sacode o ônibus e via ônibus
sacode também minha neblina
E meus tidos tormentos.

Tanto homem nesse mundo
refém da falta de amor
E eu aqui
De barba e comida na geladeira
Rodeado de amigos e de poesias certeiras
Eu filosofando em vida
e dançando as encontros das batidas

Eu não posso me reclamar!

É sim este o maior e mais importante instante da minha curva.

Confiram:

As flores na área de serviço
pedem-me água e eu as dou.

Quando preciso de silêncio
minha casa me abraça
sem perguntar nada.

Os sorrisos que me chegam
assim como as mãos
São tudo macio.

Ora, então
que drama pode ser esse
se me encontro tão bem confortado?

E eis a revelação-ônibus
a me atropelar o peito
marcando-se intensamente
em meu marca passo:

estou hoje repleto
sozinho estou repleto
de tudo o que destinava ao outro
que não eu mesmo.

Estou cheio
Recheado
Rocambolesco estou no ponto
do beijo da mordida de um abraço.

Reclamo do quê, então?

Uma dica, antes de saltar
deste ônibus:

Vai, Carlos
Encontre os outros que estão lutando
para encontrar o seu amor
Em suas vidas.

domingo, 12 de abril de 2015

vento parado

as palavras não me ajudam mais
não há salvação possível
o horóscopo soa repetitivo
e tudo resta condenado
cruzo os dias sem ter esperança
de que amanhã haverá mudança
não pretendo nada
nem mesmo sobreviver
é como se em mim tivesse baixado
uma morte que se arrasta
e nem sequer tem vontade
de me comer
resto então aos restos
sem pressa para finalizar-me
sobrevivo
sem vontade de sobreviver
eu sobro
hoje
eu sobro
como se fosse um vento frágil
incapaz de mover aos outros
posto incapaz de se mover
vento sem força para ser vento
vento parado
tísico
vento fraco
nem sequer catalisador
de um arrepio
resto eu
sobrevivo
sobro sem soprar
nem vida nem morte
nem fim nem começos
sou indiferente ao ódio
que já senti
indiferente à possibilidade do amor
como algum fim
não respondo a nada
perdi a sensibilidade da membrana
meus olhos nem piscam mais
minha visão virou tela
dura e limpa
clara e retinta
vazia
nem penso mais
apenas ando
porque as pernas
andam
independente de quem as coordena
porque a vida morreu
junto com o amor
agora, em morte
espero me encontrar
o fim
este fim
ele precisa me mover
precisa me espezinhar
(só que eu ainda não sei disso)
é que pousou um inseto sobre meu rosto
e nem sequer sua fome me fez cócegas
seu movimento
não me irritou
eu virei pedra?
eu perdi a rima?
vida
quando assim escrita
só me leva à azia
vida
azia
azeda
vida
meu pai
que horror
quisera eu pudesse gritar
e morrer sem ar
quisera eu nascer de novo
e não conhecer o amor
vai passar
vai, eu me juro
(eu só não sei disso ainda)
porque me voltam os abraços
os dizeres
me volta tudo
tudo
nestes dias
tudo tem me voltado
e então estou rendido
agora em meio à noite
estou rendido no detalhe do laço rompido
rendido em seu sorriso
rendido na mistura dos corpos
nos sonhos compartilhados
nos planos tracejados
rendido no amanhecer
no almoçar
no carinho
de nada esperar da vida
exceto caminhar
de mãos dadas
mas você nos fez nos perder
então
resto-me
equilibrando-me entre ódio
e amor
tudo explícito
assim desse jeito
que merda, meu irmão
que merda, meu parceiro
que merda, cara
você foi muito grosseiro
a ponto de me perguntar:
o que você acha que podemos vir-a-ser?
                                                                                                       
                                                                                                        
agora?!
quando eu te pedi
que entendêssemos o caminho
que lidássemos a encruzilhada
quando eu te disse
que o amor tem disso
tem quebra-molas
você se fez de burro
e fingiu ser duro
para não ter
que ser responsável
por aquilo
que em mim
tu cativara$
e então
agora
agora?!
agora!
agora você me pergunta
o que podemos vir a ser
e eu te digo, apesar da sua idade
eu te terapizo
te piso
com gosto
eu te piso
agora mais certo que antes
contigo
nada
nem nunca mais
eu pretendo 
algo ter
ficou claro?
você morreu em mim
quando me matou
estou agonizando
e só estou tossindo
porque tu eras grande
portando inflamado ego
logo
suas cinzas
pesam minha magreza
já tão magra
posto ainda houvesse
em mim
generosidade
a ti destinada
de nada
sua fome
sua insatisfação
pisotearam minha confiança em ti
babaca!
sua fome
sua constante insatisfação
pesaram meus ombros e adentraram
os meus sonhos
mimado!
você me estragou
e agora
o meu desejo
é o mesmo que a mim
foi por ti destinado:
pseudo-interessado!
fique sozinho
otário
fique sozinho
no seu mundo colorado
fique sozinho
distante
fique longe
a nadar em sonhos
que não se realizam
porque o seu sedentarismo
é crônico
e não temporário
e o seu prato de comida
vale mais
que a merda
que te escorre
pelo seu sorriso
todo
sob quilos de maquiagem
eternamente enverrugado

Permissão


  • Para odiar
  • e ser por mim mesmo
  • odiado.

  • Peço permissão
  • para me deixar de lado
  • permissão para lavar as roupas
  • e deixar que ressequem
  • no varal
  • penduradas.

  • Para comer
  • quando houver fome
  • e mesmo quando houver
  • também nada comer.

  • Permissão eu peço
  • para deixar ficar
  • para adormecer
  • para a enxaqueca amar
  • para o vício perder
  • para toda e qualquer coisa
  • que eu quiser e não quiser
  • viver,

  • eu peço permissão
  • ao silêncio da noite
  • para nele ficar guardado

  • peço permissão
  • para não ter que vigiar
  • cada um dos meus passos

  • permissão para ficar solto
  • e provável à morte
  • e ao abandono.

  • Um cansaço extremo 
  • me condena a aceitar
  • a vida neste instante:

  • instante perdido
  • de perdição e desabrigo
  • de arroxo no pescoço
  • e de peito aos soluços

  • tudo 
  • jaz
  • ido

  • [...]

  • eu peço permissão
  • para ser hoje
  • tudo aquilo que jamais pensei
  • que pudesse me tornar
  • por ter amado
  • tanto
  • um desconhecido
  • .
  • .
  • .


sábado, 11 de abril de 2015

Lamúria

Morreu uma criança de 10 anos
E eu, nada.
Hoje parece que 150 pessoas morreram
E eu, nada.
Amanhã outras tantas morrerão
E eu, nada.
Não quero me rotular de indiferente
É só que a morte que tenho vivido
é tenaz e persistente.
O amor
Esse ódio
A imaturidade
O ego egoico
Tudo isso virou guerra
a me matar e morrer.
Não quero fingir que o mundo
não me interessa
É só que agora
nada me comove
nem tiro na cabeça
nem terrorismo de estado
nem sequer me comove
minha mudança de sorte
Tudo ficou mesmo finito
Depois que secaram as lágrimas
E vi restar apenas obviedades.
[...]

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Precipitação

Subo a rua em movimento
Queria se possível
não estar doendo
Mas sigo
a subir sobre todos os meus medos.

Haveria
ao menos nesta noite
Algum sossego?
Alguma paz
haveria por agora?

Caminho querendo quedar
Querendo pôr fim ao incômodo
que me persiste
Ultrapasso os dias com a força delicada
da flora rompendo o mundo
de dentro para este fora.

Nem chove
Nem cora
Minha pele persiste
ausente e simplória

querendo se possível
Destituir-se.

Meus olhos estão secos
E não encontro sede
nem no amor
nem no ódio.

Pode um homem viver sozinho
e em si
O fim dos tempos?

Penso estar eu vivendo.
Sei que não,  mas penso.
E de pensar
Realizo.

Hoje, amigos
Família
Hoje eu me partiria de mim
deixando muitos rastros

Morreria triste e cheio de sonhos interrompidos
Morreria triste por não reconhecer força em mim
Capaz de me forçar ao adiante.

A rua é longa
e não chego nunca ao fim
Mas paro
para escolher as palavras
que me fazem me ver fora de mim...

Sou só um ponto no percurso do mundo.

Nada mais.

Hoje eu sou ponto de nó
Solto
Avulso
Precipitado a um fim que não chega
nem mais me dói

Apenas me chateia.

Perda

O ranço
não é fruto
da falta
A chateação
não vem
do fim
O ódio
que não é ódio
não se destina a ti
Tudo em ordem
desordem anunciada
a vida segue andando
A perda
que inda grande
me consome
A perda mor
é ter visto ser você
frágil e desconfiante
na possibilidade da transformação.
Morte à disposição da utopia
morte ao amor que dizem ser
Única revolução
Faliu tudo
e hoje carrego o que sobrou
mas já não posso sustentar
Aura confusa
luz escura e solar
coração para o sempre moído
O sorriso que me chega
vem pelo vento
num fiapo de sol destemido
Agora
Fecham-se as bocas
e o corpo faz o caminho de volta.
O que será do adiante
é pergunta a não
se deixar fazer.
Este poema não tem fim.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Não vale o sofrimento

Páscoa

Teve chocolate
Café e cigarro
Empanada e biscoito diet
mas recheado
Teve caminhada ao sol
Sorrisos e silêncio
Palmito e queijo
Teve a certeza de que o tempo
ele passa
E aquilo que fica
é só porque havia sido fincado
Lá nos começos
Teve chuva e frio
Ateliê e cerâmica
Teve poesia e microfone
Arame e plantas tintas
Teve um beijo
depois outro e outros mais
Teve comunhão
Olhos e lágrimas
Teve reflexão e parcerias traçadas
Mais café
Mais risadas
Teve gente velha e nova
Teve o sol atravessando a copa das árvores
Teve o seu desejo no meu
embevecidos
Teve a certeza plena de que o mais bonito do amor é que ele começa sem saber que se tornaria nisso
Teve tudo
E mais um pouco
Noite
Som ao vento
Passeio de carro
Carinho varanda sua obra
minha admirada admiração
Amigos novos
Reencontro dos de antemão
E agora
Eu aqui nesse aeroporto
Esperando para voltar a minha terra
Onde terei tudo igual e distinto a isso

Oh, vida
Como eu amo a Páscoa.

sábado, 4 de abril de 2015

Ensaio

Mistério
Encontrar a máscara
para destruí-la
Unidade?
Desbotada
Dedicação
permeável
Escuta

O dia seguinte inda é só possibilidade.

Eu vi!
Eu vi!
Eu vi!

Jardim

Queima o sol as folhas
sobre o chão caídas
Desesperariam-se
não soubessem
haver a noite.

Concentradas esperam
pelo instante
em que afagadas
pela lua hão
de descansar.

Um grito cantado
irrompe a copa das árvores
São os pássaros
chamando para jogo
esta triste cidade.

Vem! Se perder.
Se perder. Vem!
Se perder! Se perder,
se se perder!
Vem!

A manhã sobrevive
a noite em si aguarda
Haveria algo de mais abraço
do que este jardim
esta sala?

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Mentira

Tudo até agora talvez tenha sido.

As vontades de se remendar
O desejo de respirar sozinho
As roupas novas
A casa reordenada

Tudo mentira.

O mês começou e é verdade
a mentira faz a sala
e tudo não passa disso

Doce desilusão tentando à força arranjar solução ao que não tem.

Nem terá
por agora ao menos
Resta apenas restar

novamente perdido
peito solto iludido
sorriso vago e largo
de tanta busca e nenhuma afirmação.

Foi-se embora o amor
e o que fica ida agora
é abismo sem cor nem fim

Sou eu ausente de mim.