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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Precipitação

Subo a rua em movimento
Queria se possível
não estar doendo
Mas sigo
a subir sobre todos os meus medos.

Haveria
ao menos nesta noite
Algum sossego?
Alguma paz
haveria por agora?

Caminho querendo quedar
Querendo pôr fim ao incômodo
que me persiste
Ultrapasso os dias com a força delicada
da flora rompendo o mundo
de dentro para este fora.

Nem chove
Nem cora
Minha pele persiste
ausente e simplória

querendo se possível
Destituir-se.

Meus olhos estão secos
E não encontro sede
nem no amor
nem no ódio.

Pode um homem viver sozinho
e em si
O fim dos tempos?

Penso estar eu vivendo.
Sei que não,  mas penso.
E de pensar
Realizo.

Hoje, amigos
Família
Hoje eu me partiria de mim
deixando muitos rastros

Morreria triste e cheio de sonhos interrompidos
Morreria triste por não reconhecer força em mim
Capaz de me forçar ao adiante.

A rua é longa
e não chego nunca ao fim
Mas paro
para escolher as palavras
que me fazem me ver fora de mim...

Sou só um ponto no percurso do mundo.

Nada mais.

Hoje eu sou ponto de nó
Solto
Avulso
Precipitado a um fim que não chega
nem mais me dói

Apenas me chateia.

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