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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Após a narração de hoje

Meus Deus, depois de tal experiência, até tu, Deus, ganha letra maiúscula e me convoca ao diálogo.
O que pode ser isso do encontro? Que ofício é esse o da arte?
Penso que a arte hoje mais do que nunca é o sinônimo mais exato para a palavra vida. Arte é vida, concentrada em tempos e espaços, reconfigurada por texturas mil e por rimas e mais rimas.
A vida sobrevive na arte e nela se confunde porque só a arte consegue mexer em sua usina. A arte mexe no que foi dado como fato e atualiza o arranjo.
A arte desarranja e faz, depois do desmonte, tudo se coser de novo, porém, noutra forma sob outro cuidado com outro carinho.
Que precioso é este trabalho (a performance da minha companhia Teatro Inominável, a performance O NARRADOR).
Que força que concentração de vida quanta mistura indistinta entre luz e escuridão, quanto encontro, quanta desalienação.
É pedir muito que a arte seja algo assim, movido à mudança? Seria pedir muito que a obra teatral possa sempre reconfigurar a coisa dada?
Se assim fosse, sempre, a cada dia, ao voltarmos o corpo e o olhar à realidade, nós saberíamos se tratar de uma obra em constante esboço.
Transformar a vida numa sala de ensaio nos permite compreender que o mundo nunca estará pronto, posto esteja sempre carente de um carinho (afeto) capaz de ouvir sua ânsia por movimento.
Que trabalho esse o da arte.
Que loucura.
Que violência.
Que vida pulsante.

Que momento.

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