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terça-feira, 30 de maio de 2017

Lacre

Preparado o silêncio
Quase ensaiada as reações
Só que
Os olhos dum cruzaram os doutro
E então tudo desmorona
A paixão, bicha louca da porra.

Secou os olhos
Era já outro dia
Secou e guardou dentro
A neblina líquida
Para quê?
Veio um abraço mais forte naquela manhã
E envolto no embaraço
Chorou feito bode.

Bode chora?

Chorou.

De amor
De paixão
Dessa doença
Como se chama?

O outro.
Você.
O outro
Vos mice.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Advertência.

Escrevo "amor" como quem respira.

Nem percebo.

E mesmo assim
Bate o meu coração
Só porque, sem ver,
Transpiro.

Bastante.

Amor como Filosofia Prática

Pomposo título para dizer nada.

Quase nada.

Muito simples.

Como nunca antes, te amar,
Coloca-me novos limites.

Os mesmos, é verdade,
Mas tudo novo.
Porque não há possibilidade
De não ver a cilada em que estamos.

Falamos através de conceitos
Mas e o corpo?
Como ele fica em meio a tudo isto?

Amor,
Existir com você
É picotar a filosofia dos livros
Para fazer vendaval de conceitos
Florescer nosso dia a dia.

Melancolia

O que diz aquilo que diz a palavra que você encontrou para se dizer?

Algo mais, não?
A chuva não quer dizer só da água
Ela diz do acúmulo insustentável
E do desejo de precipitação.

O que diz essa palavra?
O que ela pode te dizer?

Penso em ti. Transporto-me ao seu abraço.
No laço, desfaço os ombros sobre erguidos
Meu sorriso vira rio
E corre uma delícia imensa
Através de mim.

Sem isso, quando sem isso, sim,
Obviamente, sou todo melancolia.

Mas, inda assim, eu sou
Estou aqui, não bem rendido
Mas em conversa com você.

Chamam vínculo
Nem amor nem paixão
Chama-se vínculo isso que atam
Nossas mãos.

O que diz a palavra?
O que ela tenta nos dizer, sim,
Mas, sobretudo, o que ela diz a você?

Diria sobre o fato
Novo
De que estamos um
Pelo outro
Afetados?

Diria, essa palavra,
Que faz falta frequentar esse engasgo?

Não falaremos sobre falta.

Você amanhece comigo
Sobretudo quando estamos distantes.

Vamos com calma, oh, moço.

A pressa é inimiga do instante.
E o que temos hoje,
Além da palavra por ti encontrada,
É só esse suspiro constante.

sábado, 27 de maio de 2017

Abandono

Cuidado!

Nem sempre é possível
Passar a roupa do corpo.

Nem sempre
Três refeições.

Nem
Bom sono.

Atenção,
Não quer dizer que é o fim de uma vida.

Não, cuidado! Tenha atenção!

Esse abandono seu
De si mesmo
É um modo
Sim, um modo
De dar-se atenção.

Nem sempre acolchoado.
Nem sempre a calmaria
Nem sempre o vento morno
E a garganta limpa.

Hoje esse abandono.

Quem se importa?

Esse abandono que domina
Os segundos.
Nem sempre é sempre
Mas hoje, ele te convida
A experimentar essa possibilidade
Esse cansaço de encaixar-se ao sol
Hoje não, hoje não virá.

Não haverá força.
Você deixa a coisa te abater.
Você já sabe que esse desconforto
Te participa,

Você mira através da janela e pensa
Como é cuidadoso se permitir se cansar
Se perder
Perder

Hoje, você perde
Para continuar perdido.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

JANIS


La posibilidad

Chico, hay que comprender.

Lo que sientes
Es una posibilidad
Nada más.

Comprendo que sea intenso
y que no te puedes dar cuenta
Pero, mismo la realidad
sigue siendo juego de sentidos.

Una posibilidad.
Puede ser o no ser.
Puede hacer bien o algo así como
hacer nacer lo deseo de poner un fin
a todo lo que hay.

Una posibilidad tiene que ser
tanto posible como no.

No es un lugar donde se puede vivir.

Chico, atención: no hay fuerza y amor
en la misma frase.

Crise

Foi noticiada.

Não falaremos sobre.

De alguma forma sabíamos.

A crise é apenas o que existe.

domingo, 21 de maio de 2017

A calma do depois

Aqui estou novamente.

Dentro da minha casa.

Sozinho e tão povoado.

Uma revolução me impacienta
ela mora no meu centro esquerdo.

Calma, eu me digo.

Calma, nos diz a canção.

Como andar sem ser com os pés?
Por que andar e não ser avião?

Voar.

De aqui para alá

Daqui
para ti

Calma, Diogo
eu te peço

Algo se marca em seu corpo
sem que seja preciso definir
para sentir o que te afoga.

Morra um pouco

isso ainda é
vida.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Quisiera

Gostaria muito
De dizer da alegria
Imensa que impacienta
Meu peito nesses dias.

Gostaria - tremendamente -
De seguir este jogo lindo
Que tem sido imaginar a cor
Da sua cozinha.

Não sei de nada
Não posso saber de tudo
Mas conservo, bem calma,
A possibilidade bem próxima
Do nosso reencontro.

Gostaria de não antecipar as chegadas.
Gostaria de não achar que tudo isso
seja algo para além do que é.
Gostaria de não me casar com você.

E tenho conseguido, confesso.

Uma gripe amolece meu corpo
e me pede calma como se sentisse
Que me virá um afogamento.

Gostaria de ter uma boia,
Mas o que tenho é apenas
Este sorriso.

Vês?

sábado, 13 de maio de 2017

Cuidado


Ter cuidado
Ser cuidadoso
Agir com cuidado

é não antecipar os dentes.

Calma, rapaz.

Saboreie o instante.

Não há nada além dele.

sábado, 6 de maio de 2017

Sobretudo

Pense.

Às vezes, é o caso
de pensar.

Ação já tão condenada
pensar um pouco
Um pouco que seja
Parece revolução.

Cinza o céu tinge as cores todas.

Veloz o tempo fratura os abraços.

Abrupto o homem destrói seu outro.

Pense
Ao menos, hoje,
um pouco.

Que gesto fazer?

Quanto durar um silêncio?

Como ser específico o seu atravessamento?

A noite lá fora
parece ter pressa
A escuridão do seu dentro
é o que te espera.

Fique em breu
Despertado.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Apenas para demorar no instante

É um desejo seu de não perder?

Perder eu vou. É outra coisa...

Desejo?

Sim, claro, não seria outra coisa.

De quê? Desejo de quê?

De durar mais um pouco. Aqui. Assim. Desse jeito.

Medo de perder.

Não é medo, por favor, me entenda. É só que há tanta beleza que eu queria me demorar mais nesse instante. Para ver melhor, sentir com outra calma.

Uma calma mais calma que a calmaria?

Eu gostaria. Sim. Que durasse mais, porém, não por medo do fim. Ele virá, eu sei, ele sempre veio. Queria que durasse mais para descobrir algo além disso que é tão lindo.

Vamos do início. O que é assim tão lindo?

Esta coisa, isto, isto que estou sentindo.

Amor?

Não, nada disso. É só como eu me sinto agora, apesar de tantos outros motivos para cair e nunca mais me mover, algo nisso tudo me faz estar assim. Você não vê?

Um pouco. Talvez, um pouco mais calmo. Não eu, eu digo, você, mais calmo do que sempre.

Também. Algo mais? Ou algo menos?

Seria preciso dizer outra palavra. Calma não diz isso que te escapa pelo olhar.

Viu? Tem algo mais.

Tem, sempre tem. Queria era conseguir dizer um nome.

Esquece o nome. Fica com isso.

Ele sorri leve e profundo ao amigo.

Isso diz mais que um tanto.

Alegria.

Palavra feia. Palavra boba.

Ah, alegria. Felicidade. Satisfação. Sei lá...

Então fique sem saber. Vai. Olha de novo.

Ele sorri novamente ao amigo.

Mora todo o céu no seu sorriso.

Eita... Essa foi a coisa mais linda que você disse desde quando nos tornamos amigos.

Culpa sua. Tenho até medo de te perder.

Como assim?! Não! Por quê?

Você esta irradiando algo que nem cabe aí, cara. É grande demais.

É porque não é só para mim.

Quer dividir?

Preciso.

Como faz?

Sorria comigo.

Eles se olham por uns segundos. Ele abre o sorriso antecipando o encontro que virá. Seu amigo, um pouco confuso, também um pouco envergonhado, aos poucos dá a ver a cor de seus dentes.

Faz uma tarde meio amarela meio escura. Eles riem em parceria. E é só isso.

Talvez, mais do alguma reviravolta, esse breve punhado de palavras esteja querendo te perguntar: e você, camarada, faz quanto tempo que não sorri para os amigos?

Simple

Você vê?

Estamos novamente
Um frente ao outro.

Teve antes? Teve,
Mas não importa.
Não hoje.

Agora, simplesmente,
O que temos é só mesmo isso.
E isso não é pouco.

Você aqui
Eu também
Nós dois amparados
Um no outro.

Simples, não?

Precisamos de algo mais?

Não, sinceramente,
Creio que não.
Estamos aqui.

E eu amo esse instante.
Simples.
Tão pleno.
Tão delirante.