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terça-feira, 2 de maio de 2017

Apenas para demorar no instante

É um desejo seu de não perder?

Perder eu vou. É outra coisa...

Desejo?

Sim, claro, não seria outra coisa.

De quê? Desejo de quê?

De durar mais um pouco. Aqui. Assim. Desse jeito.

Medo de perder.

Não é medo, por favor, me entenda. É só que há tanta beleza que eu queria me demorar mais nesse instante. Para ver melhor, sentir com outra calma.

Uma calma mais calma que a calmaria?

Eu gostaria. Sim. Que durasse mais, porém, não por medo do fim. Ele virá, eu sei, ele sempre veio. Queria que durasse mais para descobrir algo além disso que é tão lindo.

Vamos do início. O que é assim tão lindo?

Esta coisa, isto, isto que estou sentindo.

Amor?

Não, nada disso. É só como eu me sinto agora, apesar de tantos outros motivos para cair e nunca mais me mover, algo nisso tudo me faz estar assim. Você não vê?

Um pouco. Talvez, um pouco mais calmo. Não eu, eu digo, você, mais calmo do que sempre.

Também. Algo mais? Ou algo menos?

Seria preciso dizer outra palavra. Calma não diz isso que te escapa pelo olhar.

Viu? Tem algo mais.

Tem, sempre tem. Queria era conseguir dizer um nome.

Esquece o nome. Fica com isso.

Ele sorri leve e profundo ao amigo.

Isso diz mais que um tanto.

Alegria.

Palavra feia. Palavra boba.

Ah, alegria. Felicidade. Satisfação. Sei lá...

Então fique sem saber. Vai. Olha de novo.

Ele sorri novamente ao amigo.

Mora todo o céu no seu sorriso.

Eita... Essa foi a coisa mais linda que você disse desde quando nos tornamos amigos.

Culpa sua. Tenho até medo de te perder.

Como assim?! Não! Por quê?

Você esta irradiando algo que nem cabe aí, cara. É grande demais.

É porque não é só para mim.

Quer dividir?

Preciso.

Como faz?

Sorria comigo.

Eles se olham por uns segundos. Ele abre o sorriso antecipando o encontro que virá. Seu amigo, um pouco confuso, também um pouco envergonhado, aos poucos dá a ver a cor de seus dentes.

Faz uma tarde meio amarela meio escura. Eles riem em parceria. E é só isso.

Talvez, mais do alguma reviravolta, esse breve punhado de palavras esteja querendo te perguntar: e você, camarada, faz quanto tempo que não sorri para os amigos?

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