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domingo, 24 de novembro de 2013

desgraçado.

pensa tu, o que de nós?
rima improvável
desconcertada alegria.
pensa, tu, o que da gente humana?
sabes, tu, quanto de nossa azia?
fermenta
sob o sol
se procria
mas e a sede
nossa
que não cessa
quando então
virás tu, inteira
provar a todos nós
felizes e esfomeados
que o buraco
onde tens raíz
é mais fundo, oh, pétala
é mais buraco
do que embaixo
hein?
quando virá tu
passar-nos a mão em seda
e provar a nós
gente humana
que a desgraça
não como o sol
não é passageira
hein?
eu te chamo.
                                                           
                                                     
                                           
                                 
                     
           
.
.
.
.
.
.
.
.


firmeza.


durante muitos dias desceste
sem fim rumo a coisa
alguma

hoje se te olho
não é por pena
apesar da azia

se hoje te olho é por apenas
esforço anti-lobotomia

não se esqueça do
beijo que não
veio.

realidade

não
quebraram o espelho
não fui eu
mesmo assim
o sono veio

pesadelo
não era o que pensava
volta e meia
hoje
de novo
madrugada

desvia
desenquadra
olha a esquina escura
e se cale
não foi nada

durma triste
inconsistente
a pobreza
de algum espírito
deitará
ao seu lado
paciente

frio
quentura
o fim da semana
antecipa a
loucura

problema
é a fome
é a distância
aquilo que some

agora
só há piedade
e o desejo vago
de ver de novo
isso que nomearam
realidade.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Caipiroska

Ah
Lamento
Seguido
Constante
Escrevo
Dedos
Cara
Antes
Não
Gostam
Ai
Dentro
Deve
Voucher
Manhã
Deve
Repete
Gato
Gata
Fome
Panqueca
Licença
Ed
Iraci
Henrique
Kelly
Desculpa
Não
Retrocesso
Bossa
Roll
Parte
Show
Coisa
Amor
Amor
Oh, meu amor
Oh, meu amor

As palavras que aqui se falam
Não me fazem te encontrar

Qurpero voltar
Eu
Quero
Voltar
Até o fundo doce
De seus abraços
Até o cheiro ocre
De teus amassos.

Trilha

Fraquejo

Mas me olham

Então fraquejo inda mais

Para afastar dúvidas
Do meu esmorecimento.

Sim, estou morto
De cansaço

Morto por ter que explicar
O óbvio
Que se esconde
quando longe
E se revela
quando ao teu lado.

Fim.

sábado, 9 de novembro de 2013

canonizar.




Sobre estar amarrado.

Em tantas coisas eu perduro. Sobrevivo sobre tantos e sobre tantos pequenos detalhes. Por vezes, tal como agora, eu me pergunto se não estou por demais amarrado. E um desejo de liberdade vira, de imediato, apenas mais uma amarração em minha vida.
Desde quando querer ser livre não já se tornou rima repetitiva? O que é ser livre se liberdade mesmo é estar morto?
Não é nada, meu amor.
Essas coisas que escrevo afastam o sono e colocam a coluna vertebral - que seja por alguns minutos - um pouco mais ereta, desperta. Essas coisas. De quem está cansado faz tempo de estar sempre tão cansado. Meus dedos transitam livres sobre o teclado, mas, vejam, não são livres porque poderiam transitar não apenas sobre estas letras, mas, sobretudo, por sobre o teu corpo.
Seu corpo que eu cada vez mais sei inteiro, sei por toque, por beijo, boca, lábios e saliva. E põe saliva nisso. Põe o que mais for, corpo teu é sempre mistério que se recria, tão logo eu adentre um esconderijo travestido de surpresa.
Nu umbigo, sobrevivo impaciente frente a tua presente presença.
Se estou amarrado a você, meu amor?
Sim, estou.
Mas também tenha eu cá minhas outras amarrações: amo o cigarro, amo o álcool, amo meu trabalho. Mas não estou dando conta de tanto amor. Você veio, você chegou, e então maior parte da minha capacidade de amar voltou-se para ti. E meu mundo exterior ficou ressentido.
Minha mãe chora saudade. Minha saúde pede a mim mesmo que eu possa me dar abrigo. E eu nem vejo. Porque estar vivo é só agora. Momento exato no qual eu te amo e isso me chega, incessante, apenas como fato. Fardo. Peso. Pesado. Que me firma no chão e faz do planeta Terra a minha casa, o lugar onde gostaria de estar, algo novo e possível.
Sua revolução é você mesmo, aqui ao meu lado.
Sua inteligência está na beira dos seus olhos e pisca a mim, sempre que te encaro.
Faltam quantos dias? 16? É muito, não?
É pouco também, mas assusta.
Como posso te amar tanto a ponto de querer dormir 384 horas seguidas? E acordar com seu sorriso me pegando de leve e me chamando, de volta, à cama.
São só palavras. Meus olhos quase já fecham. Há tanto a amar por aqui. Meu corpo, minha casa, meu tempo e meu espaço. Quero amar meu trabalho que está ciumento, que está ficando louco, teso, tresloucado.
Você é perfeito e isso é inacreditável. Porque até o que não me serve - em você - até isso, mesmo assim, me revela quem tu és e quem - por conta disso - eu desejo e preciso ser.
Acordo, meu amigo.
Estamos amando como se o amor pudesse ser isso. E é.
Do nosso jeito.
Eu te amo. E - repetidas vezes - não tenho mais o que lhe dizer.

Mas vou continuar tentando.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

pouco, muito pouco

sobrevive o corpo
desapegando-se
em escalas grandiosas
de todo apego
que possa
interpolar o caminho

caminha-se para quê?

mas vai
o corpo
sobre lodo
logo o corpo
inteiro
e cosido
nos pontos
dolorosos

para quê?

um fiapo de energia
se agiganta
não a ponto de virar forca

um fiapo se agiganta
e vira luz tênue
que pede abrigo
no si mesmo.

queria ficar parado
durante tantos dias
esperando o seu sorriso
colado
agora

num
beijo
meu.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Como faz para ser aquilo que se é (mas ainda lá dentro)?

Ada, Flávia, Helena e Nat,

Não foi aleatório. Talvez pela primeira vez não tenha sido. Escolhi alguma música que me cheirasse à transformação. Sinto ser exatamente isto o que eu preciso. Agora.
Dia longo. É curioso que esteja chovendo tanto e sem parar, desde cedo.
Meu par de tênis - recém-comprado - já está com a sola gasta e, por conta disso, cheguei em casa agora, com os pés, meias e alma lavada. Lavagem da rua.
Eu sou (quase todo) mundo.

Ouvi hoje muita coisa sobre quem eu sou. Sobre quem eu tenho sido.

Fiquei triste. Chateado. Ferido. Mas a vida não é drama. Não. É só que fico pensando sobre como fazer diferença, como fazer diferente, como me tornar aquilo que eu sei que sou, mas que os outros - ao meu redor - ainda não conseguiram ver.

Uma pausa? Não. Sem pausas, por favor. Falem, sigam falando. Minhas amigas, do peito e de ofício: que triste é saber que a minha força seca o seu impulso. Que triste é ouvir de vocês que lhes dá medo quando eu venho, sempre enfático, dizer sobre aquilo que penso, dizer sobre aquilo que sinto.

Eu esperava qualquer coisa, menos isto. Mesmo sem esperar, eu esperava outra coisa.

Não há drama. O drama é interno e escorre por todo o meu corpo. Eu não sei resolver. Eu ainda não sei sequer o que dizer, como proceder, não sei se saberei resolver, eu não sei nada. E voltei para casa, ressentido.

A minha ira é essa. Não poder domar um pouco do que sou. Os passos são meus, e mesmo que eu desvie das pedras ou das poças, chega um momento em que os pés andam sozinhos e o que dita o caminho é outra coisa, sem nome, sem explicação: algo inominável.

Estou chateado.

Não contigo, não com vocês, mas tão somente comigo. Com essa força tão fraca que me toma e atropela os meus ouvidos. Eu digo que escuto. Eu digo que vejo. Eu digo que recebo; mas hoje fui por vocês informado de que não. De que não é bem assim como eu me revelo.

De que esse projeto de filho, esse manifesto da diferença, talvez sobreviva apenas em mim, nas minhas poesias e na minha presença. Porque quando eu vou embora, talvez vocês tramem uma solução que possa me dar jeito. Eu não sou quem eu acho que sou.

Dilema. Sem drama. Estou ouvindo música cheirando à revolução. Não é para me sentir fraco e diminuído, não é música para fazer do meu corpo tela plana de televisão.

Nunca saltei tantas linhas após escrever frases tão curtas. Eu estou tentando arejar alguma coisa. Eu preciso aceitar que alguma ausência minha pode nos ser profícua.

Cobranças? Ouvi. E me sinto tão doado, tão esforçado, tão firme, que me estranha a afirmação ter vindo assim tão certa, tão categórica.

Se há alguma confiança em mim que tenha sido tenaz durante todo este tempo, foi uma só: a de que vocês são tão capazes quanto eu me sinto ser. Então me estranha que não esteja sendo em comunhão aquilo que eu achei - sempre - ter sido.

Não tenho rumo. Vou escrever um pouco mais para ver se cravo em mim esse desassossego recém-ouvido.

Como se escreve esse enjoo?
Como se dá conta do desejo urgente de ser, que seja por uma semana, sumiço de si? Abandono de tudo isso?

Acreditei tão forte em nossa poesia que - vocês me dizem - fiquei bruto. Burro. Torpe. Esses sinônimos que enganam (só porque são usuais e soam bonitos de serem ditos).

Uma pena - hoje - foi descobrir tudo isso.

Não há drama. Eu escrevo para não esquecer (mesmo sabendo que as palavras nos servem para esquecer).

Cogito soluções (sim, às vezes, solucionar é sim possibilitar que o mundo continue se descobrindo). Cogito que eu deva atuar o meu projeto (que segue vindo, que segue se tornando - sobre mim - e ante aos olhos teus). Cogito atuar não mais quem eu sou, mas quem eu gostaria de - já faz tempo - ter me tornado.

Não vou indicar que leiam isso que escrevo. Está aqui e é mais para mim do que propriamente para vocês.

É só isso. Interpretar a si mesmo, daqui para a frente, para ver se o personagem que quero ser se cola de vez em mim e me toma de mim mesmo, revelando-me outros abismos.

Cansei de mim mesmo e estou morrendo, lento, feito plástico que derrete fora do sol, que derrete sobre a mesa. Eu estou morrendo (em sonho e em vida). Eu estou partindo, lento, tão devagar, que ainda tenho a sensação de estar vivo. Deve ser tudo uma mentira.

Que cansaço chegar até aqui.

Quanta coisa conquistada, mas não o si mesmo.

Eu estou aqui. Começando uma ficção de mim mesmo, para ver se a vida se ajeita um pouco mais.

Diogo ---