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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

QuickOn

1. arrumo o apartamento para festa com a turma da faculdade;
2. dormi um pouco agora no início da tarde;
3. pendências com o trabalho me atormentam;
4. estou me organizando para matá-las todas;
5. ontem fui ao show da kate nash no rio de janeiro, no circo voador;
6. foi tipo assim não sei dizer;
7. estou bebendo mais do que o normal;
8. esotu me ouvindo mais do que o normal;
9. descobri o tempo;
10. estou sedento;
11. odeio fazer listas;
12. mas elas exigem uma precisão que pode ser útil nesse momento;
13. tenho que lavar a pia inteira de louças;
14. limpar a mesa de vidro da sala;
15. recuperar a capacidade de ouvir dos meus ouvidos;
16. sem abaixar o som;
17. tirar a poeira;
18. acordar amanhã muito cedo;
19. trabalhar amanhã o dia inteiro;
20. estar pensando desde então no que te disse;
21. estar procurando tempo para algum encontro mais exato e formal;
22. estar percebendo que não será possível;
23. escrever;
24. ler;
25. agendar mais encontros;
26. não perder mais tempo se culpando.
27. go on.
                                          

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Esporte

30 minutos por dia.
4 vezes por semana.
Nem mesmo correndo durante 1 década
eu alcançaria o tamanho do meu amor por você.
            

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

OBS.

Comparsa.
Morna companhia para os jogos do dia-a-dia.
Eu hoje chego em casa pleno e só
mas recheado de ti e de seu sorriso
Repleto do seu cheiro e do seu abraço.

Não, não estou apaixonado.
Talvez esteja. Talvez sempre tenha sido,
desde quando nos flertamos,
lá nos inícios.

Mas eu sento agora aqui diante desta imensidão branca e profunda
para dizer que está sendo bom, no gerúndio, estar perto de ti
dividir a bebida os segundos e o receio do toque
Não quero que ache que eu estou querendo algo mais do que já tenho,
assim,
quando juntos caminhamos através das ruas rindo de bobeiras supremas.

Estou feliz.
Dentro de mim uma resignação plena.
Nossa fonte de desejo é outra que não os corpos se mordendo e/ou
chupando.
Desculpe o linguajar,
mas nossa cumplicidade tolera hoje outras rimas
outros sonhos.

Estou feliz.
De forma estranha, mas convicta.
Eu vou te dizer tudo isso.
Eu vou.


Hoje escrevo isto para aquilo que um dia encontrei e perdi,

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Lunar

Como você não olhou para lá
Como você sequer tremeu a respiração
Como você foi curto e grosso
indo direto ao assunto em pauta
Eu devo me dizer
sozinho - a mim mesmo -
que sim,
sonho sozinho esse algo entre nós dois.
É tudo ficção.
Vou escrever um livro
terminar essas palavras
escovar os dentes
e dormir
sonhando te encontrar
em sonho apenas hoje
Nossa única eternidade possível.
Merda.
                

Imento

São 22h55. Eu estou só dentro de casa. Eu estou nu sobre essa cadeira preta e giratória. Eu não vou fazer rimas. São elas que se divertem me fazendo e refazendo a todo o instante. Enfim, o que eu queria dizer é que eu vou me dar apenas o tempo deste cd que começou a tocar para escrever este texto. É este o meu dogma. Hoje eu estou cansado. Cansado de sair de casa cedo demais e voltar a tempo de pegar o jornal do dia anterior. Ainda fresco, embrulhado. Cansado da minha louça suja. De fazer café. De beber. Eu me perguntando como nós humanos podemos nos cansar de certas coisas e mesmo assim continuarmos firmes, indo direto ao centro da própria ruína. Eu também não entendo. Eu queria dizer tanta coisa. Eu fico me perguntando certas coisas que não deveriam ser perguntadas. Eu fico me perguntando. Eu fico me perguntando. Não é uma frase sem terminação. Eu fico me perguntando é a minha maior constatação. De quem eu sou, do que eu faço. Eu ação precisa me pergunto a cada segundo, a cada passo. E quando eu seco. E quando eu respondo a tudo. E quando eu perco a graça. E quando eu tenho as referências todas ali impressas e xerocadas. Bom, eu preciso começar tudo de novo, porque o desejo é mais legal sendo desejo e não encontro. Eu poderia ficar um ano olhando a sua boca sem te beijar. Eu poderia te dizer eu quero te beijar e demorar quatro estações até de fato morder a sua boca. Eu queria dizer tanta coisa a vocês que talvez não venha a dizer nada. Só para divertir meu corpo na busca e enganar minha alma na possibilidade de sua poesia expressa em palavras. Desculpa. Eu quero pedir desculpas. Antes de tudo, eu peço desculpas. Desculpa. Desculpa. Sempre. Porque assim eu posso errar o mundo inteiro sem culpa de ter que acertá-lo. Tá poético? Tá puxado? Paciência, eu vivo bem nesse contexto. Eu sou um desses caras. Que não tem medo de metáfora. Nem de metonímia. Nem de hipérbole. Quiçá de rima. Eu esqueci muito rápido o que era uma coisa e outra, sabe? Daí deu nisso. Eu sei. Não importa. Eu fico me perguntando por que é que eu digo essas coisas a vocês. Mas depois, num segundo depois, eu me supero com uma pergunta mais instigante: quem são vocês afinal? Porque cabe um mundo inteiro dentro da palavra você. Cabem ditaduras genocídios cabe a minha mãe obesa e adoentada, cabe o meu signo, o meu escritor favorito e todas as minhas revistas de mulher pelada. Em você cabem todos os vocês que eu nunca tive na vida. Em você cabe eu mesmo e a sua falta. Suprema. Sem pesar, sem penar, eu queria dizer que você é tudo enquanto for você este gesto da fala, esta palavra curta e grossa, enquanto for você a maldita e a suprema falta. Eu encontrei o que eu queria dizer. Vocês também são autores que eu sei. Eu autor que fala. Eu autor que autua. Eu autor que faz autópsia. Eu que aqui me mostro diante de inúmeros olhos e digo essas coisas que mesmo não sendo minhas são minhas. Porque sou eu quem as falo. Eu falo. Eu desejo que isso seja meu e ponto. Este ato de me fazer dono daquilo que talvez eu seja incapaz de deter. Desculpem-me. Eu autor estou um pouco cansado. E as músicas seguem sem fim, cantadas por este computador preto nesta noite quente neste Rio de Janeiro. Eu quero dizer. Eu acho que às vezes eu queria ser canção. Sabe? Eu queria que a minha mãe tivesse me perguntando um dia: filho, o que você quer ser quando crescer? E eu gostaria de ter respondido: mãe, eu quero ser canção. Acho que teria sido interessante. Teria rolado uma fricção entre mamãe e eu. Eu talvez venha a ter um filho só para que ele me abuse dessa forma. Só para que ele me desnorteie. Mas e o mundo? Como se coloca criança no mundo de hoje que não seja pela buceta? O Word acabou de corrigir buceta para boceta. Buceta tá errado. Boceta tá certo. Do “o” para o “u” há só um buraco por onde passa o piru, Word. Você é muito ingênuo. Odeio essa palavra piru. Palavra infeliz, palavra que podia ser esquecida. Gente, que mau gosto. Sorte a minha que eu me dei um cd inteiro nesta noite e vou continuar. Estou ainda no início da segunda folha e, sinceramente, quem me vê aqui entretido nesta ficção de mim mesmo o que poderia supor? Que eu amo? Que eu te amo? Que eu amo a gente, as gentes, as moças e os moços? Quem poderia supor o que de fato é meu e o que talvez seja só a projeção do meu abandono? E se eu disser que eu cheguei em casa e a minha vizinha esquizofrênica estava no meio da rua dando socos no próprio peito? E se eu disser que eu comi um miojo sabor galinha caipira, você iria acreditar? E se eu disser: mentira, gente. Nada disso. Eu quero dizer, eu não sei o que estou dizendo e neste momento isto é o mais sincero que eu posso lhes dizer. Estou com os dedos doendo e amo essa música. Conheci-a faz três dias e meu deus, poderia me casar com ela agora. Não fosse eu feito de carne e ela de outra coisa. Podia tudo isso ser memória. Podia ser um brainstorm. Podia ser uma performance. As pessoas rotulam de performance toda e qualquer merda. Que merda. Eu não pedi pra você me classificar. Eu não pedi a vocês que tentassem me entender. Vocês me sentem? Era isso o que eu gostaria de sentir. Mesmo que eu o tenha escrito horas antes de ele ter acontecido de fato. Este momento está valendo alguma coisa.
Eu tô aqui me abrindo a você e querendo sim te fazer acreditar que em mim alguma coisa é capaz de doer. Eu quero dizer. Quando cessar a minha confissão sincera e íntima eu ainda assim vou precisar te entreter. E como se faz isso? Se eu já me esvaziei na frente de todo mundo? A gente quer ser entretido e por isso, é preciso pesar os cortes sobre o corpo, porque nem todos precisam ser de verdade. Vocês são capazes de se impressionar com a malha abraçando a poça de vinho, vocês são capazes de duvidar de uma lágrima, de um sorriso. Vocês são maravilhosos e devem inclusive estar pensando que esse menino quis chamar atenção e polemizar geral. Mas não, calma, a coisa tá acontecendo e você se adiantando querendo decupar o instante. Eu estou querendo polenizar geral. Sacou? Talvez se alguém achar graça eu vou imaginar ter outros no mundo que ainda acreditam no poder do pólen. Talvez ouvindo mais um riso eu vou começar a achar que de fato eu passei dos limites. Que bom, de fato, alguma coisa agora começa a acontecer. E esta música é ainda melhor, mesmo sem eu saber letra alguma. Doem meus dedos. Meu peito está quente e eu estou faz minutos sem respirar. O corretor automático do Word não me aceita como eu sou. Eu acho que depois de certo momento na sua vida, todos os seus problemas serão com a linguagem. Para usá-la será preciso matá-la. É uma merda. É uma coisa. Eu queria dizer. Eu queria dizer que o que é sagrado para mim pode não ser para você. Ou seja: eu profano o seu sagrado e você segreda o meu profano. Não. Não é isso. Eu quis dizer: se tu achas que a linguagem é algo que precisa ser respeitado e louvado, bom, eu acho que dilatamos a noção de sagrado e de profano, porque eu discordo de ti. Inteiramente. Internamente. Talvez você nunca vá saber. Porque o Giorgio Agamben fala uma coisa muito legal sobre profanação. Ele tem um livro chamado PROFANAÇÕES. Dá uma lida, depois me conta, porque eu li, fiz o que quis com o conceito dele e conto pra todo mundo que o Giorgio Agamben tem um conceito muito interessante de profanação. Qual é o conceito? Desculpa, Giorgio. A música trocou novamente. Eu preciso falar dela. Ela, minha amiga morrida que neste instante pode ser uma personagem de outro tempo. E é de fato. Eu amo essa música. Ela é de outro tempo porque morreu e ficou parada, lá atrás. Mas se eu a trago aqui junto comigo é porque eu sou fraco e ainda tenho essa coisa de amor e da saudade. Ela se suicidou. Humm... Que grave isso, não? Mas vamos rir bastante. Profanar seu suicídio. Se a gente pode debochar da Leila Lopes, por que não da minha amiga? A gente pode debochar de tudo, gente. Eu quero ver quando as coisas começarem a debochar da gente, o que vai ser. Vai ser o máximo. No final das contas, é tudo uma questão de profanação: me profanas que serás profanado. É realmente muito fácil chochar aquilo que somos incapazes de compreender. Ou pior, aquilo que não sabemos sentir. Foda-se. Eu falo mesmo. As crianças quando nascem não choram porque sentem o ar entrando pela primeira vez nos seus pulmões. Os bebês choram primeiro porque descobrem muito cedo que são capazes de amar... Caramba. Imagina isso? Eu ainda não acostumei com essa capacidade... Do amor. Eu choro por ela. Eu aqui, olhando para trás e vendo minha amiga congelada na sua juventude que já foi a minha também. E se eu disser vocês vão acreditar na minha poesia? Na minha ficção? Na minha azia? Vocês vão acreditar que vocês são realmente o tal “vocês” para o qual eu destino toda essa palhaçada? Porque ela acabou. Ela se foi, de fato, ela acabou. Mas ainda falta falar da memória. Mas eu não me lembro. Eu não me lembro de nada. Todo mundo pra falar de memória se lembra de que sofre amnésia. Engraçado. Às vezes eu acho que lembrar dói mais do que afaga. É só porque está muito quente. E eu queria finalizar isso logo. Eu to pegando mal. Eu queria ter dado um depoimento. Eu queria uns segundos de silêncio. Uns segundos apenas. Uns segundos de silêncio. Por favor. Eu preciso.
Estranho isso. Às vezes eu acho que a verdade está retida nos olhos. Talvez por isso eu esteja de cabeça baixa. Talvez por vergonha. Talvez por ética. Por estética. Por logosofia. Por hermenêutica. Por filologia. Por afasia. Dermatologia. Ou talvez por Elise. Minha amiga. Enfim, é difícil mentir para vocês. Mentir com verdade, sabe? Quer dizer, é fácil. Essa é a questão. Eu fico me perguntando: o que haverá de mim perdido em cada uma dessas linhas? O que meu vai com você, o que meu fica num sorriso ou numa respiração? Eu me pergunto que dor minha em você ganhou asas e foi capaz de findar? Eu me pergunto quantas coisas minhas eu precisei abrir para aprender a me doar? Eu sempre querendo saber se em ti algum lixo meu teve validade. Eu querendo medir se o meu sangue morno em você causa cura ou enfermidade. Eu querendo descobrir se a rima tem vida própria. Eu, aqui disposto. Eu mesmo, aqui destemido. Sem vergonha. Com vergonha. Falsificado. Mal interpretado. E ranzinzo. Eu inventando a pólvora capaz de me colapsar. Eu inventando as linhas que me tiram o ar. Eu inventando essa ficção para amanhecer um dia potente. Eu capaz de viver a vida para refazê-la contente sobre o fundo branco deste papel virtual. Eu querendo acontecer. Eu querendo ser verbo inconjugável. Eu que roubei minutos da sua manhã. E que doei horas desta noite já madrugada. Eu aqui de bom grado. Eu respirando. Eu que amo essa música. Eu que queria ser música mas que não sei cantar. Eu que queria tanta coisa que eu prefiro nem dizer, por medo de perder tudo aquilo que eu ainda posso conquistar.
Eu, Ficção, Ser Imenso.
Desculpem-me. Já começo a quarta folha. Mas preciso retornar. Para pintar com outras cores essa ficção que é ficção desde que alguém se disponha a ler ou contar. A minha ficção é minha, mas ouço mosquitos dentro do quarto. São 23h33. Obrigado. Mas desculpem-me. Sempre. Obrigado. Não batam palmas. Eu amo essa música. São 00h55. Agora, por fim, não mexo em mais nada: são 01h23 no horário de Brasília.



Para desbravar mais esse problema da ficção, veja as imagens de

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Bones

Tudo pleno de passar tão corrido
tanta bagunça tanto som sem sentido
e eu aqui, de fato, crente na confiança deste segundo
crente na possibilidade desse meu sorriso a ti ser seguro
ser preciso e capaz de mover o adiante para cá
bem perto de nós.
Não é uma ode nem sequer uma canção
é só um desejo profundo e expresso neste calor ameno do verão
Eu posso dizer tanta coisa leve que eu tenho medo de nos fazer gravitar
sobre o real sobre as coisas lidas como fáceis e do dia-a-dia
Eu posso te dizer tanta coisa boa, meu amor
que a palavra amor ela mesma ficará sem rima
porque a sua diferença é só o que importa.
Calma, ainda está cedo
eu ontem dormi pensando em ti e acordei na hora
sem pressa
sem peso
sem nada
exceto claro-sempre
a sua falta.
Estou tranquilo.
Ter você aqui seria o mesmo que ter a própria desgraça.
                        

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

DEPÔ

Esforço desmedido para não se perder dentro do próprio buraquinho morenonegro
Tentativa abusada de se render e fazer gerar revelação
Sonho próximo de caber em mim alguém mais que não me seja
mas
que o possa ser.

O QUE EU DIGO SÃO CARÍCIAS QUE TIVERAM A SUA DOÇURA DUVIDADA

SOU A POSSIBILIDADE ETERNA DESSE DOCE DESSA SETA DESSA EMPREITADA

sábado, 12 de fevereiro de 2011

abdhomem

movo frenético o abdômen
entre sentir desejo
e sentir fome
eu danço
incompleto que sou
ao menos faço refrão disso
e amanheço o domingo
vestido em mim
fantasia.

nada pode ser tão duro
quanto o tempo
nada pode ser tão louco
quanto o corpo
nada pode ser
independe

hoje é domingo
amanhã segunda-feira
e depois
e depois
é quase domingo outra vez
é quase segunda de novo

que fazer, jesus
se não creio em ti?
que fazer, cristo
se não sei quem tu és?
que fazer, meu deus
se você é meu sem desejá-lo?

danço nu frenético
ao centro da sala
danço para apaziguar
o instante
e aumentar o calor
já reinante nesta sala

chega, eu me digo
chega, eu não digo nada
chega e senta aqui
o que podemos fazer
para lidar com o buraco
dessa estrada?

dança, abdômen
dance,
e farás do movimento
sua assinatura
seu coágulo exposto
sua crença inabalada

dance, abdhomem
você é só esse ventre
e mais nada.



Para ouvir mais dessa mesma impressão,



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Rascunho Salvo

estou calmo, lento
como fosse capaz
de suprir este instante.
estou duro
ser resvalante
que vai tragando a dor
e se movendo nela
adiante.
sim, tudo em mim
embaça e germina:
nada de fato me mata
se eu puder ao menos
deitar-me sobre esta cama
e brincar nu
ao vento.
tudo em mim pede sempre
volte a ser pequeno
volte a ser pequeno.
é assim
que minhas ficções me invadem
que medos meus se multiplicam
e que eu sinto ser
eu mesmo
de verdade.
sabem?
aquela coisa da verdade
que não é
nem deixa de ser?
aquela sensação
de que não importa nada
exceto
o próprio ânimo
deste corpo exaltado?
a própria manutenção
de um pequeno tempo
sobre a aridez
deste peito
socialmente
amedrontado

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Malásia

é o que te falta
esta doença
esse ser propenso
ao delírio
e ao corrimento.
te falta, eu sei
olho no seu olho e
(não) vejo
miro teu escarro
e é translúcido
ou seja
nada em ti reverbera
ou seja
isso indica que és puro
infeliz
nada em ti cria azia
e nisso sofres
da felicidade dos ignorantes.

eu te chamo
vem
sente-se
eu sei ser educado
te assusta?
sentar ao meu lado?
fica
mais uns minutos
espera
respira comigo esse mesmo ar
acende o cigarro
não fumas?
eu também não
eu também não
mas podemos mentir
eu te ajudo
mente
vem?
eu te chamo
eu te convido
te convoco
te ponho ao meu lado
e por baixo
sorrateiro
te invado
ponho a mão no negócio
movo rápido
esse gestus
esse treco
esse lapso
e desnudo-te sob a mesa
fatiado
e te faço de tão certo, incerteza
e assim
te consumo
estás doente, me precipito ao rumo
ao centro
e peço
para os dois
um café
todo amargo
e já meio calmos
sim
já meio mexidos
eu lhe digo
está doendo?
você não fala
você não tem palavras
mas pode enfim
agora
dizer algo
que não seja
esta cegueira
maldita
dos que não tem vírus
dos que não tem derrame
dos que não tem nada
exceto fatos


se você quer mais do cancro, tente
privo-me sim, privo-me não

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Fragmentos

E então disse Kay:

É que estou vivendo tantas coisas neste momento que gostaria que estivessem todas elas no meu próximo livro. O último que escrevi, eu mesma queimei. Mas este não! Este livro terá todas essas impressões que me tomam à vida neste momento.

Sobre a moça que fez muitas plásticas

- Mas ela ainda está viva?
- Na verdade, não. Morreu faz tempo. Mas o plástico demora a se decompor você sabe.


Sobre a minha mãe morta atrás da porta

Deitá-la-ia sobre uma maca coberta por cobertores. Abriria seu peito, tamanha foram nossas dores. E ainda assim, ela sorriria para mim. A morte lhe cai de maneira plácida. Mas realmente ao abrir o peito de mamãe uma rede intrincada (de nada explícito e tudo ao meio) iria se revelar. As linhas do coração de mamãe são como as de um tear. Complicadas de se entender. Impossíveis de se separar.


FRAGMENTOS
Diogo Liberano

Quando eu vi Susana morta, pela primeira vez...

... Ela estava deitada, parecia dormir. Encostei a cabeça na porta de seu quarto e respirei fundo, querendo dizer que estava chateado por tudo o que acontecera, mas que ainda assim, ali estava louco por reconciliar-me. Depois o que ouvi foi o seu não silenciar. Ela já estava um pouco fria. O silêncio não preenchido me fez pensar. Susana se matou...

Passeando os dedos pelos livros novos e cheirosos.

Porque não os queria levar para casa. Os livros de casa eu conheço, de uma forma ou outra. Ali, não! Todos desconhecidos, contentei-me em tocar-lhes os rostos e lançar-lhes sorrisos. Pequenas manifestações de alguém que também divide com eles os mesmos sentimentos e emoções neles descritos.

Diálogo Fast-Food

- Eu jamais compro esse sanduíche para o meu irmão. Ele faz muita sujeira.
- Moça, mas eu pedi de maçã.
- O senhor quer esperar? Fica pronto em 7 minutos.
- Isso porque estou num Fast-Food, não?
- Vou dar só a batata. Faz menos sujeira.

Gente, ta batendo um desespero.

Por isso resolvi sumir. Existe outra alternativa para quem não quer morrer? Posso apenas dormir? Posso trancar este período na faculdade e resgatar a vida que perdi? Posso comer doce sem temer a morte? Posso dormir sem cueca e só com short? Posso aprender como desfazer rimas? Posso te perguntar? Qualquer coisa pode me salvar? Ou o que me salvará é a própria morte, enfim? Posso parar de digitar e deixar o resto de força só para mim? Posso, por favor? Dormir com cobertor? Ler o que eu quiser? Ver filme pornô? Posso comprar? E não vender? Posso deitar e nunca mais me fazer sofrer?

O Lago

Tem um lago aqui em casa. Ele é escuro. Fomos nós que criamos. Eu tenho medo. Há muitas crianças dentro de casa e mais outras no quintal. Tenho medo de ouvir um barulho de queda na água e achar que foi um pato, quando na verdade, terá sido um filho meu. Justamente um dos que ainda não sabem tudo, quem dirá nadar.

 A Carta

Decidi escrever assim para mamãe:

Mãe,
Decidi ir embora. Não quero voltar mais para casa, pelo menos, não tão cedo. Sinto que não estou cabendo.


[...]



Essas coisas foram escritas eu não sei quando. Não são de agora. Mas são, independente disso. São esquisitas. Eu não me reconheço. Enfim...

podia ser só vazio




mas não é só isso.
de fato, não é só isso.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Pacto

Este é o primeiro e último poema sobre você.
Para não desperdiçar em versos aquilo que quero gastar
apenas quando estivermos juntos.
                

Se você quer ver mais uma promessa que não deu certo, acesse
Um último isqueiro

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Febrero

mês para ficar doente, tamanha a quantidade de trabalho. horários longos marcados na agenda. hoje é dia primeiro de fevereiro e eu sofrendo que não há poesia em mim faz dias. dois dias. um talvez. tudo ao mesmo tempo. muito trabalho. muitos convites. muita coisa legal e aquela sensação de meu deus, estou perdendo a noção, eu aceito tudo, eu quero tudo, eu faço tudo. mas como faço comigo mesmo? o que é que eu faço comigo? eu não tenho jeito. estou cansado de mim, mas todas essas coisas assim me comovendo, me convidando, acabam oxigenando de certa forma a minha estrutura. é início de mês e eu aqui trocando a poesia pela sinceridade. quer dizer, eu aqui postando sobre como andam as coisas de fato. amanhã acordo cedo e falta pouco menos de 40 minutos para o dia primeiro virar o dia seguinte. e eu queria ir dormir antes do dia virar. mas estou gravando cd's, procurando músicas e aqui escrevendo. e queria tirar um foto para deixar aqui registrado e me ver, adiante, sei lá, para lembrar todo o deslumbramento deste instante. veja bem: faz alguns minutos a luz aqui acabou. deu duas piscadas fortes. tempo para desligar o monitor e o ventilador, para que não ficassem ligando e desligando e eventualmente queimando. só que eu estou me sentindo incomodado faz alguns minutos. e percebo agora que esqueci de ligar o ventilador de volta. um segundo.liguei de novo. ai. venta em mim. e os olhos pesando e o íntimo contorcido e semi-revoltado, me perguntando como farás para alimentar seu coração? não vês? ele está faminto. e se fizer greve, como vai ser? eu prefiro não falar mais nisso. fico devendo a foto. mas asseguro o instante. o calor, a casa limpa, a faxina de ontem, a arrumação dos papéis. e há trabalho. deus! há trabalho! não vou me demorar. beijos. para quem? não importa. not yet.



se você quer ler outro texto meu que tenha a palavra faminto:
CAOS