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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Fragmentos

E então disse Kay:

É que estou vivendo tantas coisas neste momento que gostaria que estivessem todas elas no meu próximo livro. O último que escrevi, eu mesma queimei. Mas este não! Este livro terá todas essas impressões que me tomam à vida neste momento.

Sobre a moça que fez muitas plásticas

- Mas ela ainda está viva?
- Na verdade, não. Morreu faz tempo. Mas o plástico demora a se decompor você sabe.


Sobre a minha mãe morta atrás da porta

Deitá-la-ia sobre uma maca coberta por cobertores. Abriria seu peito, tamanha foram nossas dores. E ainda assim, ela sorriria para mim. A morte lhe cai de maneira plácida. Mas realmente ao abrir o peito de mamãe uma rede intrincada (de nada explícito e tudo ao meio) iria se revelar. As linhas do coração de mamãe são como as de um tear. Complicadas de se entender. Impossíveis de se separar.


FRAGMENTOS
Diogo Liberano

Quando eu vi Susana morta, pela primeira vez...

... Ela estava deitada, parecia dormir. Encostei a cabeça na porta de seu quarto e respirei fundo, querendo dizer que estava chateado por tudo o que acontecera, mas que ainda assim, ali estava louco por reconciliar-me. Depois o que ouvi foi o seu não silenciar. Ela já estava um pouco fria. O silêncio não preenchido me fez pensar. Susana se matou...

Passeando os dedos pelos livros novos e cheirosos.

Porque não os queria levar para casa. Os livros de casa eu conheço, de uma forma ou outra. Ali, não! Todos desconhecidos, contentei-me em tocar-lhes os rostos e lançar-lhes sorrisos. Pequenas manifestações de alguém que também divide com eles os mesmos sentimentos e emoções neles descritos.

Diálogo Fast-Food

- Eu jamais compro esse sanduíche para o meu irmão. Ele faz muita sujeira.
- Moça, mas eu pedi de maçã.
- O senhor quer esperar? Fica pronto em 7 minutos.
- Isso porque estou num Fast-Food, não?
- Vou dar só a batata. Faz menos sujeira.

Gente, ta batendo um desespero.

Por isso resolvi sumir. Existe outra alternativa para quem não quer morrer? Posso apenas dormir? Posso trancar este período na faculdade e resgatar a vida que perdi? Posso comer doce sem temer a morte? Posso dormir sem cueca e só com short? Posso aprender como desfazer rimas? Posso te perguntar? Qualquer coisa pode me salvar? Ou o que me salvará é a própria morte, enfim? Posso parar de digitar e deixar o resto de força só para mim? Posso, por favor? Dormir com cobertor? Ler o que eu quiser? Ver filme pornô? Posso comprar? E não vender? Posso deitar e nunca mais me fazer sofrer?

O Lago

Tem um lago aqui em casa. Ele é escuro. Fomos nós que criamos. Eu tenho medo. Há muitas crianças dentro de casa e mais outras no quintal. Tenho medo de ouvir um barulho de queda na água e achar que foi um pato, quando na verdade, terá sido um filho meu. Justamente um dos que ainda não sabem tudo, quem dirá nadar.

 A Carta

Decidi escrever assim para mamãe:

Mãe,
Decidi ir embora. Não quero voltar mais para casa, pelo menos, não tão cedo. Sinto que não estou cabendo.


[...]



Essas coisas foram escritas eu não sei quando. Não são de agora. Mas são, independente disso. São esquisitas. Eu não me reconheço. Enfim...

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