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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

1ª Semana do Núcleo de Dramaturgia SESI Cultural


Programação completa em
dramaturgiaemnucleo.com.br/semana.html

Repetição

Você sabe
Ainda continuo
Ontem também
Amanhã é certo
Tudo no mesmo
Mesmo ritmo

Porém
algo foi mudado
Se foi a confiança
se foi o tempo que passou longe
não sei
Algo aconteceu
algo está mudado

Uma paz
talvez, uma paz
Uma paz como nunca antes
me acalmando os passos
e pedindo
lenta
tranquila
Deixa ir, deixa acontecer

O sol no rosto
aquele dia
dentro do carro
indo em sua direção
e eu agora percebo
Tudo passa
até o sobressalto

Repito alguns gestos
repito aqui
dentro
no molde, na forma
no repetir mesmo
repito
alguns gestos
eu me procuro quando lá
te procurei
e nada

Agora
essa repetição
essa cisma
essa busca já ciente
de que nada virá
exceto o tempo
calor, sol
Canto nua dentro de casa

Poderia, se possível,
ser impossível
e o sou
eu Sou
agora
Pedra em fiapos
música em voz fina
alta
tão sem medo
tão preta escuta
escuta?

Eu vez ou outra
me encho de força
para quê?

Para continuar o caminho
apenas para isso
Continuar.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Rebeldia

Não antes pensava
Gesto louco
Faça brava e solta
Laminado olhar
Faltou ficar
Corte

Prove
Prove o que há.

Sua consciência
Seu propósito
Um sono estupendo
Por você
Me abandono

Não quero
Nem serve
Não serviria

Sua causa nesse abismo é muito ruim
Sua sina me dá azia.

Foge
Para longe
Some fundo
Dessa vista

Acabou?

Não quero mais esses dias
De pequenas guerras
Batalhas anemias

Que morta!
Morra! Morda!

sábado, 18 de novembro de 2017

Aquilo que ainda não

Não, colado estou

O que escrevo
isso que chamo de poesia
É só um modo de outro
de andar o dia-a-dia.

Pouco, não?

Talvez.

Não dependo do seu olhar sobre mim,
sigo vago caminhando aberto
Em tantos caminhos impossíveis.

Escrevo uma poesia
um treco, uma coisa, sim, um negócio
Isto! Escrevo e, assim, posso continuar.

Continuar o quê? A vida?

Nem tanto, nem tão pouco.

Continuo sem saber o quê.

Distante
em linhas sem marcação
palavras pretas anunciam
- como que fiscais -
a minha perdição e algumas possíveis
transformações.

Por isso?

Para modificar
transtornar, sobretudo, para contrariar
aquilo que sinto
o peito
Este peito
aquilo que sinto
torno, pela poesia,
mais uma possibilidade
do que um gesto já todo feito.

Serve para isso? Você me pergunta.

Você não existe.

Eu insisto.

Hoje, hoje é já tantos anos,
hoje a poesia para mim é isso:
dizer e ser aquilo que ainda não.

Aquilo que ainda não foi
nem chegou
nem floresceu
nem andou...

Você, meu irmão

É difícil que brotem palavras
sobre isso que hoje
mais que antes
Resta soterrado entre nós.

Alguma relação possível?
Algum gesto? Confidência?
Eu não sei quem foi você
Você nem imagina quem eu possa ser.

Escrevo para desnortear
as palavras que saem de mim
sem que eu precise de você
para tocar seu coração.

O que foi você, meu irmão?
O que fizestes?
O cúmulo,
como pudeste?

E olha que nem fiz julgamentos
Fiz silêncio
acuado, me guardei de ti
Fiquei mudo.

Olhos, no entanto, meus olhos
não emudecem.
O pouco de você que eles
de fato
Viram

É tão já passado.

O toque
em tanto tempo
Se resume a um ou dois
abraços
mal dados.

O que nos aconteceu?

O fato é
que após o seu gesto
Não tive força ainda
para tentar gesticular nosso reencontro.

Você se priva de mim
Eu me privo de ti
os dois: privados
daquilo que não cessa de querer aparecer

a vida
nossa
compartida
Por que postergamos isso?

É medo de para sempre se odiar
ou certeza de que se nos encontrarmos
sem dúvida alguma
Iremos nos compreender?