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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Da afasia

Um pouco mais de força
Não
Mais que isso
Bem mais
Não importa se dói
Talvez tenha que doer
Para sair dessa cova
Talvez seja mesmo preciso
Doer
Doer

E então se abre um sorriso
Ou se preferir
Um buraco entre dentes
Uma cova outra
Talvez até sonora
Talvez até um pouco mais
Duradoura
Vai doer
Precisa

Você se mira nesse espelho
Observa as ranhuras dos sonhos que não vieram
Reconhece que choveu dentro de casa
E você não estava aqui
Nem lá
Onde você esteve
Para que tudo ficasse assim
Tão desassossegado?

Com quantas letras se escreve essa azia?

Quantas mais tentativas?

Você pensa
Você pondera
Você sabe
Que só não morreu
Porque amanhã cedo trabalha
Amanhã cedo
Você trabalha

Portanto,
Doa
Pode doer
Amanhã tudo se anestesia
Você
Sua dor
Sua dopada ira.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Não não não sem motivo

Haveria
sim
num futuro
Motivo haveria
mas por ali
naquele soluço de tempo
nada nada tinha a oferecer

e mesmo assim
Quis ofertar-se
quis ser herói de um destino
sem eixo
Posicionou-se
semi-certeiro
e avançou
intrépido

Logo cedo
percebeu o tom do baque
havia se movido com tanta força
que para trás de seu movimento
havia ficado
tudo ruim, tudo muito ruim
mas o errado

- percebeu -

sempre foi uma possibilidade.

Depois escovou os dentes
desistiu do chá
deitou-se sobre a cama suja
fechou os olhos
mas ficou aceso
pensando em piolhos
ratazanas
e sobre como havia se tornado um puto
um puto
não uma puta.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Retesar

Por dias
Tantos seriam
Que esqueceria
Propriamente
O vício que o consumia.

Talvez por dias
Uma semana
Ou quase
Cinco ou seis noites
Manhãs e tardes

O corpo em contato
Com roupas, apenas,
Nos banhos sabonetes
Solidões apaziguadas
Talvez

Mas nada além disso
Nem pronto um arrepio
Um risco
Nada mesmo
Apenas a sobrevivência

PARA além da carne exposta
Além do gozo jorro forte
Nada nada
Apenas a certeza de que
Se sobrevive sem Isto.