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quinta-feira, 12 de julho de 2018

Carão

E se te olho e me espanto
De antemão, peço desculpas
O espanto, esse meu espanto
É reflexo direto de uma fatalidade
Quando te vejo, esse seu carão
Quando eu o vejo
Ele mata a minha ideia do que deveria ser o mundo, as coisas todas e suas pessoas

Ora, eu te vejo
E me espanto
Que fazer?
Meu espanto é um aprendizado
Ele me ensina a ver mais
E com mais calma
Ele me ensina, você, seu carão
A morar na realidade, esta
Dessa sua cara grande
Que não é a do príncipe
Mas a que temos hoje

E veja
Veja bem
Lhe sou grato
Sou grato a vocês dois
Voce e seu carão
Não sei quem manda em quem
Mas ambos são lindos
Lindos
São lindos
É lindo
Você é lindo

E essa clareza
Sustenta as minhas forças
Pois se vamos beijar ou bailar
Beber ou nos drogar
É certo, já é certo
Estamos de acordo com o encontro que esta vida nos fez encontrar

Você tem um carão!
Que cara grande,
Que homem
Que graça
Sou feliz no tamanho do seu gesto
Grande
Imenso
Cara de amorzinho.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Couro

Arranco?
Sim.
O que descubro?
Todo aquele silêncio cinicamente emudecido.
Como continuo? Outra pele, senhor? Seria possível?
Não, ele me diz. Ande sem nada.
Pelado?
Não.
Como, então?
Pleno e assumido junto ao que lhe restou.
As vísceras?
Não, estúpido. Os vícios.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Fora da estação

E nem havia malas prontas
Só o que havia era um cansaço
De vida longa, grandiosa
Quase ancestral.

Ali estava aquele ser humano.
Era ser humano sim.
As coisas, se a ele olhassem, diriam
E3ser humano, por certo.

E nisso de esperar, a ansiedade
Furou o destino e o fez sair
Sorrateiro
Da pista.

Agora ele, o tal ser humano,
Do lado de fora da estação
Tão sem rumo
Tão sem compromisso

Tão livre. Estranho, pensou.
Ele pensa. No auge do seu esgotamento
Ele reconhece que dar um passo
Para fora da linha o salva de sua maior tormenta

Existir.

Existir como se tivesse em si alguma função definida.

Não sou nada, nunca serei nada
A parte isso, tenho em mim todos os destinos
Do mundo.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Prática Perdão

e então te trazer para perto
não como quem pede desculpas
mas como quem sabe
que de fato será possível
fazer diferente

durar outros minutos
com a mão acariciando seu corpo
durar outros sorrisos
quando te fazendo rir
fosse por muito
ou pouco

não importa
invade, às vezes, sabe?
esse desejo nutrido
de te abraçar
sem vergonha
de um súbito casamento

acasalar?
nem me importa mais
porque sei que é mais belo
a claridão do seu silêncio

Pressão baixa

E vi-me ir ao fim de tudo
Sem pressa
sem preço
Fui inteiro
descendo rumo ao centro
da solidão
Exasperada solidão quieta
e tão colada ao mundo.

A vista nublada
A mão trêmula
Uma saudade do futuro
e mesmo assim
Sem pulso

Cruzei-me por dentro
tropecei em meus passos
desejei o fim de tudo
não de tudo
mas de mim
o meu fim
seria melhor?
Seria sim.

Um pouco de sal.

Apenas um tanto.

E tudo voltou
e se não desisto de mim
é porque ainda há o mar inteiro
a ser saboreado.