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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Eu Era

Ah, vida virtual.
Como me cansa a sua ginástica.
Cansa-me a sua alegria
Exaure em mim minha penúltima graça.
Desfile da Opinião
Entidade tornada importância.
Cartório de atestados falsos
Sobre o existir.
Perdemos. O Capital, outra vez,
Ganhou o Game.
Resta reinventar. Sair do círculo
Ou junto a ele torná-lo inoperante?
Fomento ao horror
Enzima da intolerância
Ah, era virtual
Como é robusta a sua insignificância.
Na manhã seguinte
Com a queda de luz em toda a cidade
Você quica dentro de casa
Desconectado do instante.
Você percebe a indignação
De um corpo tornado Repasse.
Você se vê num vislumbre de espelho
Você nem existe
Você foi só Feed
E nada embate.

sábado, 2 de setembro de 2017

Deus

Dentro
O que há somos nós.
Tudo junto, indiscernível.
Dentro
Eu te peço que me deixe partir
Mas o seu amor
Sobrevive em mim
Para me proteger.

Por quê?
Por que o desejo infame
De te perder?
Você me persegue
Não porque há mal nisso
Mas porque assim é o amor.

Dentro
Oscilo o pavor e o cuidado
As vozes que me cuidam
São visíveis apesar dos olhos
Cerrados.

Que difícil romper o asfalto sobre o rosto.
Chorar, que difícil,
Agradecer, impossível.
Vamos tentar. Mas, vamos tentar.

Inevitável.

Uma paz brota. Alada, ela voa
Me convoca.
Eu vou. Perdendo algo para encontrar
Um Deus que não seja
Apenas eu mesmo.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Específico

Ainda não.
Chego à porta.
Talvez agora.
Não sei.
Passam por mim todas as certezas
Acumuladas em quantos anos?
Quase trinta.
Trinta anos.
Três décadas.
Quase três mil certezas.
No mínimo
Tentar
No mínimo chegar à porta
E bater
E entrar
E beber
Engasgar
Deixa vir
Deixe estar
Em você agora junto a ti se abre
Aquilo ainda não vivido.
Específico.
Especial.
Como se chama?
Não forje nome a princípio.
Adiante, Diogo.
Adiante, meu amigo.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Expurgo

Como que tangível
Esse isto
Indizível, porém
Eu sinto.

Pego sem ver
Toco sem nem encostar na coisa
Vou tirar, sacar de mim
Te expulsar.

Após tanto tempo
Eu sinto, eu sei
Você está saindo de mim
Porque já não há mais força aqui

Para você sugar.

Expurgo
Como quem se deixou usar
Expurgo
Eu te expurgo.

domingo, 20 de agosto de 2017

Limite

Haveria sim algum impedimento.

O excesso de revoluções
cansou o corpo.
O corpo, este corpo,
Ele não aguenta mais.

Sinuoso, observa
Os letreiros que informam
Atrações outras mais ousadas
Que aquelas hoje tão
Distantes.

Um estalo resignado salta destes lábios.

Haveria sim um limite
Um vago embaço
Parafuso que não fica
Nem sai

Haveria sim que se considerar
Já velho demais.

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O entardecer sublinha este cansaço.
Haveria revolução mais plena
Do que se ter alguma consciência?

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Eles conversam sobre os dias.
Falam de como teriam feito
Toda aquela história.
Falam, eles, do morno
Que preserva algum desejo.
Debocham, ácidos, dos que tentam
A todo o custo
Fazer o que num dia eles fizeram.

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Haveria sim que reconhecer
O limite como linha do horizonte.
Nem corte, nem precipício
O limite como presente instante.

Haveria então que durar no seco
Saborear o desconforto
Dançar em sapatos
Esboçar pela voz o dialeto
Dos roucos.

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Haverá um dia em que sim
A revolução terá sido nada mais
Fazer.