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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Um último isqueiro

Quero determinar os prazos

As mortes

De certas pendências

Em minha vida.


Dou-lhe seu último isqueiro

Para que se ateie fogo

Por completo

Até quando este gás durar

Até quando durar este afeto

Descabido

Da autodestruição.


Dou-lhe apenas mais este último

Para que nele se debruce

E se faça morrer

Para que nele veja a sua vida

Perecer

Sem sentido

Sem propósito

Mesmo sorrindo.


Não mais do que este

Um último

Por tudo já tentado

Este é o último

Inconscientemente estipulado

Aceito

Pacto travado

Com o corpo

E a agonia

De sua morte.


.


A minha poesia nasce no susto

Sem planejar

Sem nem sequer espaço

Possível

Para fazê-la germinar


Por isso morrem tantas

Tentadas

Não até o fim

Nem sempre por mim


Mal nascem e são jogadas

Estupradas

A sua beleza é a sua postura quando as olho

E me pergunto

Estão acabadas?


.


Quando eu judio demais do meu corpo

Palavras respondem em sobressalto

As coisas não se encaixam

E o não encaixe é a própria dor

Gritando

Velando

Pelo corpo que o próprio

- nosso –

Horror


Perfuro-me em músicas

Que gritam e dizem outras línguas

Queimo a pele em cigarros distintos

Todos para provar

Que sou livre

E quanto mais livre

Mais fadado à morte.


.


Mas não consigo separar

Não consigo morrer o corpo

E deixar a poesia superar

A beleza da putrefação

As cores distintas que o dito cujo escorre

Ao se despedir,


Minha cabeça pesa sem jeito

Querendo sobre a cama desabar


Entre a cama e a parede, porém há um vazio

Para a poeira acumular


Vez ou outra, acordo caído

Com a cabeça no buraco entre a cama-parede

Com o espaço que sempre esqueço de limpar


.


Eu potencializo

Aumento

Diminuo demais

Eu sou volátil

Incapaz talvez de te assegurar a limpidez

Da chuva


Sempre talvez ela será negra ou

escura.


.


Desse sol que sempre falo

Poucas vezes o olhei

Poucas vezes sustentei

Enfrentar

O artista

Da minha diária aniquilação.


.


Fumaço

Neblino

E me precipito,


Como entender um ciclo

Se todo o fim

É meu desejo de quedar?


.


Me jogo em tudo

E ignorante

Acho que rasgar faz sempre parte


Me juventudo

E digo o que nem sempre preciso

Achando que a sinceridade é amor

E que amar

É dizer sempre a verdade.


.


Lembro-me bem

A música em repetidas vezes

Os dois, nós dois

Avançando os corpos

E um terceiro ali

Espiando

Esperando

Para ver até onde conseguiríamos chegar

Caso conseguíssemos atuar

Que estávamos sós

Feito um Romeu

E sua Julieta.


.


Prorrogação.

O amor agora não pode chegar

Não estou pronto

Não estou limpo

Posso me decepcionar,


Só mais uma semana

O amor pode em seguida chegar

Meu amor, pode em seguida chegar

Pode chegar, meu amor

Já uma semana se passou

E você deve ter se esquecido


Vem.


.


Nunca tanto assim em fragmentos

Estou sedento

Por todas as gotas

Por tantos remendos,


Em fragmentos

Não quebrado

Mas comendo miúdos

Trocando trocados

E fazendo o dia ser inteiro

Repleto de tantos pedaços.

.

Falta adjetivar

Dizer doce em você

Viver rubro o amanhecer

Falta compreender

Que nem sempre um nome ira dizer

Isso que não consigo descrever.


.


Costas cravejadas

Não de beijos

Nem de arranhões,

Costa minha cravejada

Do peso

Das indecisões.


.


Há pessimismo demais em não ver o que há de morte

na vida.

.

Um comentário:

Anônimo disse...

faltou a palvra torpor!
rsrs
brincadeira....
bem bom!
parabens

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