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domingo, 21 de dezembro de 2008

CorpoCostura

Eu sinto o meu corpo
Tentando sozinho se refazer
ele estica suas mãos
e eu vendo elas assim no alto
pendendo
não consigo compreender

o que podem querer dizer
o que significa esse gesto
como se o aceno
fosse o pedir pelo socorrer.

Tenta o meu corpo se refazer
e não cruza tanto mais as pernas
quer me colocar de pé
mas eu me canso
e não consigo compreender
porque tanto vagar
porque tanto correr

o que podem querer dizer
o que as faz mover o diante
como se adiante
houvesse algo a saber.

Tenta o meu corpo se refazer
e nisso o que eu quero sempre se distrái
pois é ele indo de um jeito
e eu pensando noutro caminho

Como podemos ser o mesmo
se eu penso em destino
e ele pensa em estar

Como podemos
se um vai para um lado
e outro se faz de morto?

Eu e meu corpo
precisamos nos dar as mãos
precisamos juntos ir nos fazer
compreender
o que em mim nele dói
e o que nele me é intolerável
incapaz de dar prazer

Estamos juntos, fadados
o nosso destino é um mesmo resultado
a nossa ferida abre um mesmo buraco
e o nosso sangue é o que nos costura

Por isso, corpo
não se jogue dessa altura
porque eu tenho medo

Não se precipite em meio a fumaça
porque meus olhos ardem só de pensar
o baque da nossa união
ir assim se desfazendo
perdida rumo a um chão
qualquer
de concreto
sob um automóvel que sairá discreto

Não queiramos nos perder
Não deixemos o tempo avançar
e nesse percurso
a gente nada fazer

Vamos dar as mãos
e juntos
ousaremos dizer
a mesma língua
o mesmo rosto
o mesmo peito
a mesma edificação

Não mais eu sobre você
nem você sob minha jurisdição
somos um só
porque haveria então entre nós
uma cissão?
?

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