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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A compreensão vem pela pele.

A chuva caindo lá fora e aqui, aqui onde eu escolhi estar, tudo parece em ordem. E parecer não quer dizer não estar. É apenas que as aparências mal acordaram e tudo ainda é sincero e saudável. Eu bebo este café sem açúcar. Por vontade de experimentar. Eu pego o ônibus para casa mas desço antes, desço noutro momento, noutro lugar.


Se eu conseguisse dizer a vocês o que está transbordando neste momento. Talvez assim eu pudesse vir a me dizer poeta. O que é ser poeta, então? É dizer isso que me extravaza? É saber o nome das coisas que se escondem ou das cores das coisas que se jogam da sacada? Ser poeta é ver o

"c"
caindo numa gota e depois o
"h"
e mais tarde o
"u"
seguido do
"v"
que é esmagado pela gota
"a"

É conseguir em si desmembrar o mundo e dizê-lo ampliando os segundos.

É isso tudo que estou tentando dizer. Como se tivesse que dar conta de cada gota que neste momento, que nesta terça-feira, agora, chuva, 22°C ou 72ºF, nesta cidade do Rio de Janeiro que de acordo com Drummond, de dois milhões de habitantes.


Eu poderia aqui ficar e nisso aqui eternamente tentar dizer. Meus amores, meus prazeres, medos, sonhos, todas essas coisas costumamos buscar e/ou dizer. Mas neste momento, nesta fração do agora, tudo feito como a chuva fará, também evapora. E resta o meu corpo, paciente, respirando demais ou pouco, na batida de cada gota resta um corpo, ouvinte ao seu prazer de ser testemunha do mundo que desaba para de novo vir a ser. Para de novo vir nascer.

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Um comentário:

Anônimo disse...

o sobrancelhudo mais poeta que conheço!

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