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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Languidez

Tenho a boca seca
não de amor
nem de água
não de fala
boca minha seca de fumaça

e tudo então fica nebuloso
tudo em mim fica passível
de não ser o que digo
de parecer precipício
quando
dentro
é caminho

Boca minha precisa molhar
não no gesto
mas no ficar
persistir nas poças
e repousar

e tudo então será pranto
serás boca minha piscina
onde as crianças que invento
encontrarão seu eco
seu gesto
sua rima

Uma voz suave repete a construção
um menino se perdeu e está de pé
pés firmes no lábio inferior
mãos sedentas no de cima
olhando para fora
dessa caverna toda minha

e tudo então dela parte
tudo ou pode ser grito
silêncio gemido
ou disparate

tudo então pode voltar
cair para dentro e naufragar
na poça do intestino
no mar que carrego comigo
sempre dentro
sempre revolto
sempre preciso no desalinho de suas ondas
e contornos
e curvas

minha boca
é deserto
é aridez
é peito além do aberto
além do exposto
ultra-além do protesto

e tudo então
vira poesia
pois nada escapa ao vento
que vento
ao tentar fazer compreender
a rima impossível que se tornou
o morrer.
one two three four five six seven eight einstein on the beach

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