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sábado, 13 de dezembro de 2008

De uma hora para outra

Eu não tenho nada para dizer
Eu sinto que eu me espremo e que quero me fazer compreender
mas não há nada
agora há nada a dizer

De uma hora para outra
há muito sobre o que falar
numa viagem apenas
eu penso no chão na chuva
no meu cansaço
no meu bem-estar

Mas ainda assim
ainda nesse vagar
eu me perco
e recomeço a perceber
que não há nada a dizer
nada nada nada há


De uma hora para outra
a chuva sobre mim despenca
de uma hora para a outra
já não há mais nada em minha dispensa
de uma hora
assim
para outra
resta só o silêncio

e mudo
eu persisto
acompanhando o trajeto do tempo

De uma hora a outra
dessa outra a uma depois
nesse rumo os ponteiros avançam
e de uma hora para outra
eu já fui o meu futuro
o meu passado

eu perduro no tempo
eu nu tempo
sou perdulário

e os dias são poucos
as horas são poucas
amores são mortos
e a tarde é sempre curta
sempre curta
curta
rude
e sem afeto

Tento tudo direto
não posso oscilar
pois de uma hora para outra
eu posso cair
eu posso mesmo tombar
numa fração deste mundo
eu posso me desaparecer
eu posso te desesperar

eu posso
não sei se devo
eu vejo
não sei se anseio
eu medo
silencio
adormeço
e de uma hora para outra
é manhã outra vez.
.

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