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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Cartas morrem

Eu escrevi uma carta. Talvez tenha sido a primeira que fiz endereçada a você. Sempre soube que a tinha. Sempre soube que pela carta eu lhe diria tudo aquilo que não consigo. Hoje estive próximo. Quase lá chegando, quase a carta lhe entregando. Eis que o acaso, o destino, o tempo, um atraso, me impediu de te entregar.

Agora, resta esta carta aqui sobre a cama. Esperando.

Cartas morrem?

Cartas sofrem o que um corpo é capaz de sofrer?

Cartas sobrevivem ao tempo e a falta?

Temo pelas palavras. Acho que com o tempo, ali no papel presas, talvez elas queiram se desprender e possam então lhe dizer, um dia, outra coisa que não o planejado. Outra coisa, mas não o hoje que, novamente, eu fui incapaz de dizer.

Que eu me importo, pai.

Que eu me importo.
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