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quarta-feira, 15 de abril de 2015

tempos turvos de caos cruento e humanidade desfigurada*


bela foto, não?
a cor da camisa dela é linda
já tive camisa de mesma cor.
belo cavanhaque, hein, senhor polícia?
gosto também do seu relógio
e do bigode propenso à paraquedista.
belas armas, hein, pessoal?
nem hollywood faria assim tão igual.
pretas e sólidas
perfurando o quadro
e me fazendo crer que tudo isso é mesmo possível.
mas e a dor?
o horror?
o seu filho sob o mandato de aço na testa negra
arma negra na preta careca cabeça
luta de igual com igual.
belo enquadramento, hein, senhor fotografia?
ela à direita
ele à esquerda
o carro ao fundo
anunciando os faróis deste novo velho mundo.
mas
que decepção, hein, humanidade?
que decepamento estridente
este que tu sofres.
que pancadaria
que horror que chacina
que baixeza vil
que rima repetitiva.
volta-se à guerra
para o quê
exatamente?
mais uma mãe munida a faca
tentando proteger seu culpado filho inocente
mais uma arma vestida em uniforme
deformando rostos deformando a arma
suas sortes.
que natureza, hein, ser humano?
minha poesia seca ante seu absurdo.
quisera eu ter força
queira eu ter
- e inda tenho - 
força capaz
de fazer do verso
arma capaz de coser
e colar
o homem a seu semelhante
o homem luz a sua escuridão completante.
que decepção!
hoje!
como ontem!
hoje!
que dezfazimento!

* a partir de trechos da peça A SANTA JOANA DOS MATADOUROS de Bertolt Brecht.

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