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sábado, 9 de fevereiro de 2008

A Seiva

Ela escorre pelo caminho.



Tortuoso caminho de linhas
Grossas
E curtas
Apavoradas pelo tempo.

A seiva escorre
E dito isso
Nela palavras morrem
Nela a vida se remove
E se ausenta
E tudo que é dor
Impaciência
Silencia.

A seiva branca
E branda
Escorre feito rio
E feito isso
Densifica o caminho
E eterniza as marcas.

Os rasgos rabiscados
Os nomes ali talhados
Tudo que toca
E na pele comove
A seiva é bruta
E remove
Rumo à eterna
Confusão das horas.

E se a toco
Foi por não ter forças
De te prender junto a mim
Foi por não saber
Domar
A liberdade
Por não saber amar
A privacidade.

Se os perco, os meus filhos
Foi por neles ver
Rios de seiva
Sangrar
E nisso
Despedaçaram-se
Eles e - também -,
A minha...

Silêncio.

Deixo que as mãos toquem
Apenas
A própria produção
De nossos dedos.

E não posso dizer
Não posso desprender-me
Assim
Tão facilmente
Como quem perde
E resignado
Apenas chora
E já passou o tempo
E noutro espaço
A dor melhora.

Como dizer a brutalidade
De algo tão espesso
E passageiro
De algo que escorre
Ligeiro
E mal chega o dia
Jaz ligeiro tocando a terra?

Como dizer aos tios
Que vão me interrogar
Que era seiva de amor
E não falta de ar?

Como dizer
Que o sangue não é branco
Que o líquido que escorrega
Consumindo segundos deste mundo
É chuva
E não morte?

Eu os corto, filhos.
E literalmente
Sou capaz de vê-los secar
Até que germinem
Em outro dia
Noutra agonia
A verdade incontida
Que por vocês
Em mim grita.

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