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domingo, 24 de fevereiro de 2008

Posso fingir que não sou inteligente...

Eu poderia conversar com você e dizer que tudo o que virá a seguir é sincero. E você então acreditaria, pois antes de eu falar qualquer outra coisa, eu vou ressaltar o quanto era verdadeiro aquilo ali que eu ia dizer. E por ter sido veemente em minhas afirmações, por ter sublinhado a minha sinceridade, eu deduzo, você não vai perceber que eu minto.

Eu minto, porque eu te amo. Eu minto, dizendo que tudo em você é feio, e triste, e medonho, enfim, é vazio. Eu minto por segurança, pois não mentir seria te amar, e isso eu já não posso. Não posso, apesar de querer. Mas amor envolve relação. De mim com outro, do outro com outra mão. E sem a sua mão, eu não posso seguir. Não adiante.

Então, não é um dia que você percebe que eu estava mentindo? E imagino que em você as coisas doem por demais, porque é muito ruim eu ter lhe exigido fidelidade, sinceridade, quando de minha parte isso faltou. Eu te cobrei sem ter me cobrado o mesmo. E você chorou, se desesperou, gritou, pediu ajuda para tentar compreender aonde se escondia todo esse semblante horrível que eu disse estar preso em seus olhos.

Mas hoje, no entanto, você me olhou fundo. E diferentemente de outros tempos, que já passaram, eu não pude te olhar profundamente. Assim, desviei-me de você. Envergonhado, temendo ser descoberto. Foi então que você pode ver, que o semblante horrível que em você se desfazia, era apenas o meu olhar sobre o seu. Era apenas o meu desejo de amor. Era apenas a minha incapacidade de deixar jorrar esse coração... Que agora implode, implorando por alívio.

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