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segunda-feira, 25 de junho de 2012

14h15

Você poderia me perguntar se tudo isso é verdade. Você poderia me olhar fixamente e segurar meu rosto, caso eu quisesse de ti me esconder. E então, mais uma vez, você me perguntaria silencioso: o que aconteceu? E pediria me conte, por favor, me conte. E eu balançaria a cabeça lentamente, como se dissesse um não medroso e incapaz.

E como numa dança, tudo de novo se repetiria, para que alguém que porventura estivesse nos vendo, enfim, para que este alguém entendesse um pouco mais sobre nós. Um pouco da nossa batida. A cabeça. O olhar fixo. O não tímido, sempre um não, sempre tão tímido. E então alguma fala incompreendida pela distância de nosso voyeur.

Só que desta vez eu diria tudo. Olhando a ti ou não, eu olharia. Eu diria sobre as coisas que me atormentaram nesta noite, diria sobre os sonhos de guerra, sobre os sonhos que descrevem e me lançam em ladeiras com rodinhas. Eu diria das coisas doces, das surpresas não bem-vindas. Eu contaria a você o meu tremor e seu olhar, lento e fixo, de novo e mais uma vez, me consertaria.

Lá longe, na distância, nosso voyeur entenderia se tratar de reconciliação. O que ele nunca soube, porém, é que entre nós dois não há desenlace. Nosso encontro é sempre de novo, e mais uma vez, devoção mútua e escuta transparente.

Não importa o que pensem os outros. Nem que nos vejam. O que persiste entre a gente ainda é privado. E, por isso mesmo, de todo o mundo.

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