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terça-feira, 5 de julho de 2011

13/10/07

ocupo o escuro
desse espaço
que me abriga
e não me cobra
entrada
e não me permite
saída

até que o banho se faça
que o pranto desfaleça
que a dor se
converta
em lágrima
calor

saudade
afeto
mãe
pai
em não saber
em nada saber
exceto da agonia deste viver

estou escuro
olhos brilham
quando há água
e a sede
me faz chorar
bebo o pranto
de minhas próprias dores

o que me faz ficar
e não correr?
o que me faz aceitar
que é justo te perder?

eu não sei
mas existo
e dôo
e fico
e me canso

desejo um piano
para nele encostar
minha dúvida
e converte-la em
canto

um piano
com ou sem calda
como a sobremesa
o acréscimo
o presente à criança
delicada.

para dizer aleluia
ouvindo-se a si mesmo
num tempo seu
próprio
mas como os outros
passageiro.

eu desejo um piano
de teclas amareladas
para nele sentir as horas
e através delas resistir
à sacada
ao vôo
e ficar presente
no amanhecer do sol
e na beleza nele acumulada

falo de sóis
de agrestes que não sei quem são
falo do que me é maior
e do que é menor nessa amplidão

falo desta lágrima que seca
desde quando iniciei estes versos
deste som que cega meu ouvido
mas mantém-me vivo
pulsante

falo de feridas
que sangram
e eu não sei
cicatrizar

do sangue que não vejo
mas que jorra

eu falo disto
de você
daquilo que não sei
em mim prender.

do amor
da família
da saudade
do medo
enfim
da vida.

as mãos tocam acordes
pintam cores e sortes
ao mãos junto aos dedos
tecem linhas e gracejos

as mãos aceleram-se
em mim
precisam correr
para vazar o que desejo
contar
o como quero me ser.

as mãos me obedecem
na precisão do que ouso
ser (para mim e para elas)

as mãos correm
voam, me esperam

são estas mesmas mãos
que enchem o mundo
as profissões

as mãos dos que já as perderam
para onde foram?

de quem morreu,
onde encontrar?

Mãos que viveram
Que tocaram
E que carícias
Receberam

Para onde foram
As mãos que já não consigo
Tocar?

E se as amo
Para onde?
Como acha-las agora?

Mãos de mãe
Mãos com tempo
Que passavam-se pelo mundo
Dando a ele e aos homens
Um calor que os
Assegurasse
Da morte prematura.

As mães que me receberam
Que me fizeram
E me perderam

Eu choro pelas mães
Que em vão filhos perderam
Pois não haveria em si,
No mundo,
Amor capaz de detê-los?

No dia do meu aniversário
Marco um encontro com a
Morte
Encontro apenas para conhecer
Ainda mais de perto
O futuro dos homens
O meu futuro,
Por certo.

No dia do meu aniversário,
Que poetizar o mundo
O seu real estar
Conferindo-lhe as cores
Que por ventura
Precisarei inventar.

Cores que digam ao mundo
A mistura que me tornei.
Ao mundo, o quem sou.

Em meu aniversário
Tentarei, com força,
Assimilar os abraços.
Tentarei receber os beijos
E não duvidá-los.

No dia do meu aniversário
Quero perceber que
Morri um pouco mais
E que assim
A vida me importa ainda
Pois é ela
Fulgás.


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