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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Suprema

Ida ao desconhecido.


Ele amanhece pleno
sempre nasce amolecido
e vai no toque às coisas
criando calos
calos de amor, ele diz
calos porque o encontro
dele
com o mundo
é mesmo feito pelo toque
externado


Nada nele assim se intimiza
e tudo explode, tudo corre a pele
para virar ribanceira
no sorriso
que salta do seu sorrir


Entende, ele me pergunta
Quando eu sorrio eu sorrio para fora de mim
Não posso nele me bastar
ele não pode ser meu fim
ele tem que partir
tem que voar, eu completo


Mais ou menos,
me parece que ele não quer ser contrariado
e vai me falando que não é bem assim
que isso de voar é metáfora
e que não acontece
de fato


E então eu sorrio levemente
pensando nisso da metáfora
E ele ri em profusão
e diz
chegou em você
Eu pergunto chegou o quê
ele diz isso, esse sorriso


E eu respondo não
porque seu sorriso não voa e sendo assim,
como entregá-lo ao outro
se ele é incapaz
de voar


Foi quando ele me beijou
e fez cravar nesta minha cara
hoje
suprema entristecida
a presença
inexorável
da felicidade.

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