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sábado, 13 de novembro de 2010

confissão

aqui venho eu mais uma vez
dispoto a tudo o que não sei
mas desde já tentando ser
alguma coisa na qual possa confiar

venho eu aqui de novo escrever
sempre via escrita eu tentanto o mundo tocar
parece poesia
mas é o que é
eu não posso me abster
se assim um dia me vi falando
com tudo aquilo com o qual não se pode
ou deve
falar.

um cansaço me toma de mim
e eu persito tentando compreender
eu tentando hoje de novo mais uma vez
eu pensando hoje e agora
como faz para ser
sem tanto remendo
ser sem sofrer a progressão
natural inevitável
que é o tempo

eu aqui me exigindo a mim mesmo
eu aqui querendo me provar
que posso tirar fruto
desse espaço tantas vezes árido
e o mesmo

eu aqui querendo me fazer valer
eu querendo projetar em palavras
algum sentimento que talvez tenha já esquecido
eu tentando capturar algum segundo
que fosse
para assegurar-me a não ir
quedar
em precipícios

que hoje são tantos
meu deus
por que em alguns dias eu me afundo sem irritação?
por que em alguns dias eu sigo caindo sem duvidar?

eu vou eu aceito eu desde já
estava indo
é só que parei me olhando desperto
eu parei e me reconheci perdido
e então
vem a poesia piorar o sentimento
vem a poesia achar que é cola
achar que eu sou parte
revelar que eu não tenho mais jeito

exceto
talvez
ser continuar
como alguém que se pretende eterno
não para ser deus
não por ser incrível
alguém que se pretende eterno
até que o tombo
resolva num só estalo
pôr-me fim,
assim
sem mais nem menos
sem chance de me deixar perceber

que eu morrera
num dia desses
em que a alma
pediu silêncio ao corpo
para enamorar-se
com outros impossíveis.

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