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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

ABRA

é antes de tudo a mim
para onde direciono este tiro.
diz respeito a porta primeira
ao porta segredos
à porta comporta
de todo e qualquer
desejo.

destino o tapa não à face
desfilo o tiro não ao peito
mas à metáfora
ao que de mim foi feito
quando brinquei de verso
e não nos seus beijos.

primeiro aqui
depois voar,

primeiro o soco
então auscultar

as passagens
os caminhos
estratagemas
pelas quais eu venho ante a ti
e te falo com clareza:


hoje tive vontade de te tocar.

e rangendo a porta-peito, a ti endosso:

quer dizer que quero estar perto.

e roçando a chave ao meio, firmo certo:

quer dizer que quero apertar
seu segredo contra o meu
sua dúvida
contra o meu mistério

juntos podemos assumir o risco
de sabermos sozinhos
como fazer túnel entre uma cova
e outra


aproveitemos, pois
elas talvez ainda estejam rasas
e seja possível
acariciar.


aproveitemos, eu te peço
minha porta quer ser alvejada
meu peito quer ser por ti sequestrado


abra.

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