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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

um improdutivo


é como se eu estivesse acordado
mas sei que sonho
falta-me força
infelizmente
para cessar a escuridão
e abrir sorriso em forma de sol

sinto calor
mas minha pele está seca
sinto desejo
mas minha cabeça segue baixa
como se devesse ao mundo
algum sentido ainda por vir

penso que talvez seja o ano
coloco, confiante, a culpa nos astros
e no entanto
todos os dias
começo a vida
procurando por traços
pistas
riscos no céu
que possam mudar
o significado
desta vida sobre corda fina
exposta

poderia ser drama maior
mas é só como eu me sinto
sou um mar de palavras
um verso sem ponto final
uma forma disforme
um improdutivo
que não cessa
de gastar-me a energia toda

dói-me tudo
e sigo-me matando
comendo
bebendo
fumando

dizendo: isto
é estar vivo

que bom
ao menos
que o tempo
não para

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