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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Aos fantasmas

Por fim
depois de sete anos
Pareço-me
perverso o bastante
e hiper desacordado
É pois, confesso
A falta de sono
tem lá seu charme
É que os sonhos
passam a caminhar acordados
Lado a lado.

Caros fantasmas,
a vida'política me inflama
já não posso mais
Ver-me em blogs
diminuído
moendo a alma
sem dor digna de câncer
capaz de me mover
à cova familiar ou ao sepulcro
das ruas.

Caríssimos fantasmas,
eis a minha mais tísica
e robusta ironia:
fazer mesura a vocês
que me roubaram
anos e anos de vida pública
e Política.

Sim, já lá se foram sete
Mas, cá já se comemora uma noite
Interrompida por versos
que me flecharam a atenção
e me confrontaram com o fato
desencarnado e seguido
aos dois pontos:

Morreste meu pai, Logo
é hora então de acabar
com toda e qualquer
Ineficiência do espírito
É hora de acabar já
com toda doença
Do corpo.

Portanto, aqui endereçado
Aos fantasmas desta década
em meia noite destronizada:
Sinto o cheiro da merda gotejando
meu inerte nariz
E escreverei
meu direito à guilhotina!

Sete anos em silêncio é muito tempo
Deforma qualquer imagem:
da virgem escrota
da Poesia
até a fé cega na modernização
da puta Modernidade!

Aos fantasmas,
aqui estou eu
Virtualizado
Envolto em marcador tecnocrata
Amortecido por moda juvenil,

Cá estou eu
ciente do atraso através do qual
da vida me perdi, pelo qual
Aqui estou
Eu
virtual
Virtuoso
e veementemente vingativo

Eu
Vilipendiador
da distância de Alice a este mundo
de mim
Distanciado.

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