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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

oh, sim, eu poderia


ficar aqui
escrevendo
poesias.

não que sejam
poéticas
não que sejam
belas
fruto de um engasgo
d'alma
não que sejam
fortes
dilaceradoras
que sejam
estas palavras que escrevo
capazes de afetar
alguém
ou algo
ou mesmo nada.

não são.

são bobas
desatrevidas
são palavras que não são minhas
- nunca seriam -
são descompromisso puro
sabe tipo
aquela azia?

que vem
pós-almoço
que rouba um pouco do sossego
mas que se esquece
e ali fica
doendo
sem chamariz
doendo
sem grito
ou morte
apenas presente
latente
dor de quem tem a sorte
de doer
sem sentir neblina.

oh, sim
eu poderia
ficar aqui
não houvesse o sono
o sexo
o silêncio
e a fome
a fruta
o pão

fora da geladeira

azedando.

não,
eu poderia
eu poderia
mas sabe?

eu não sei.

sabe?

eu não sei.

e isso
faz tudo parecer
necessário.

não me conte
não me faça saber
que se isso for
assim
desse jeito triste

se isso for assim
certo
como quem sabe
eu vou
eu juro
eu me mato.

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