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terça-feira, 13 de novembro de 2012

1406

não
não foi desta altura
que ela se jogou.

os números
confundem
as dores.

não é apartamento
número de casa
ou avenida.

a culpa é toda da poesia.

sim,
hoje ela em destaque
hoje ela alvo
do meu amor
da minha
arte.

grito!
esperneio!
em silêncio
escrevo
eu escrevo
eu escrevo!

com mãos crispadas
unhas roídas até o sangue exposto

eu hoje
tento
sobre estas letras
trocar
a dor
por suspeito abandono -

ao menos
haverá alguém a quem se reportar.

ao menos
- eu acredito -
um dia
você poderá
se voltar
a mim

por mim

que seja,
por pena.

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