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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Mote

O que te faz seguir sem parar?
Ele se pergunta ao espelho. Ele realmente talvez precise entender. Por que vai sem freio? Por que não cede a um segundo que seja de divertimento? Estás sisudo, duro, sem recreio, como pode? Pára um segundo e veja o seu redor: ele é todo ameno e complexo. Por que reina você sozinho dentro do silêncio que cava para si? O que te faz mais especial do que um simples ser que vai como os outros? Por que precisa ser tão diferente?
Temo a morte.
Ele se diz. Firme ao espelho. E isso não te faz menos passageiro...
Temo a morte, ele irrompe contra si mesmo.
Por isso então você corre? Que loucura! Você não pode se achar melhor por isso...
Deu defeito. No meu tempo. Na contagem das horas. Eu sou mais do que simplesmente... Passageiro.
Eu sou possível do sumiço. Sou provável ao esquecimento. Poderia desaparecer sem você me dizer nada. Eu posso não ser falta.
E então? O que você inaugurou? Tudo é assim, porque que com ti deveria ser diferente?
Porque eu sou pai.
Pois não?
Sou pai, eu repito, sou pai.
Pai de quem que eu não vejo.
Não importa dizer. Eu não ponho um filho vivo para que ele me lembre toda vez de quem é feito. Meus filhos nascem livres de mim e isso me torna ainda mais quem eu sou, é nosso segredo, eu sou a passagem mais demorada sobre o mundo, tamanha a aflição das crianças nesse imenso recreio que parece não querer cessar... Você não sabe,
mas elas conheceram outros amigos que foram capazes o suficiente de as levar
para onde? NÃO SEI.
por quê? NÃO IMPORTA,
importa que foram e me deixaram mexido
deixaram-se somado e subdividido
em cada esquina de seus sorrisos
deixaram-se-me repleto
em cada tentativa sua de manejo deste mundo
e de outro - que são -
como posso dizer?
acho que passageiro
mundo de verbos e pausas
de sentidos expressos
de furtos e cruzamentos
que mundo é esse deles, meus filhos
que não paro de entrar
sem nem ter para ele sido feito?
que mundo é esse
onde meus pés não funcionam
onde minha voz não serve?
eles seguem, você verá
cada filho nele segue livre
capazes que são de quebrar
e enfim,
comigo os levar.
Sorte que são muitos,
eu me digo ao espelho. Sorte que estou mais dividido do que só ao meio. Sorte a minha. Nunca mais ser capaz de colar. Ser pedaço. Ser estrela. Ser o todo incapaz de se completar e que por isso, está sempre a vagar... Sempre a vagar. Sempre com aquele espaço - não falta - aquele espaço onde você pode hoje - tendo lido isso aqui - se deitar e enfim, rest..
AR.

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