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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Eu menti...

Porque achei que isso fosse resolver alguma coisa. Eu menti porque pensei que fosse doer menos em você. Eu menti porque acabou o meu chiclete. Eu menti porque estava sem dinheiro. Eu menti porque estava com medo. Eu menti porque meu computador estava com defeito. Eu menti para te tirar de perto de mim. Eu menti porque tenho muita vergonha de ser quem eu era. Eu menti porque ainda não sei falar. Eu menti porque nos seus olhos eu intuí que você não fosse gostar. Eu menti porque eu era discurso. Eu menti porque eu sou fantasia. Eu menti porque a percepção de quem eu sou - de fato - me azucrina. Menti porque nasci gritando. E sorri para amenizar o encontro. Menti porque as pessoas mentem. Menti porque queria testar. Menti porque gostei. Menti porque não queria mentir. Menti porque disse a verdade. Menti porque a tosse quase me matou. Menti porque o verbo me faltou. Menti naquele dia. Menti no momento final. Menti por medo de você se achar menos especial. Menti o tamanho do pênis. Menti o tamanho da calça. Menti o tamanho do meu desejo. Eu menti o início querendo acreditar já lá no meio. Eu menti aos pedaços. Menti sedução e menti sobre ter marca-passos. Eu menti doenças. Eu menti saúde para poder te acompanhar. Eu menti meus medos eu menti meus sonhos eu menti tudo para ficar mais tempo perto de quem eu queria. Eu menti meu choro achando que você sentiria falta de mais algumas lágrimas minhas. Eu menti porque estava gritando. Eu menti porque mentira pega. Eu menti porque exercitava. Eu menti porque sou ator. Eu menti porque sou autor. Eu menti porque sou desculpa. Menti porque sou seguro. Menti porque sou incapaz de tolerar o peso da sua ausência. Menti a manhã. Menti a tarde. Menti a madrugada. Menti você inteiro. Menti minha mãe inteira. Menti meus receios e amanheci nu e cortado. Menti minha fala e amanheci calado. Menti meu corpo e sobrevivi machucado. Menti aquela música e nunca mais a esqueci. Menti sua distância e hoje sonho em te ter sempre mais perto de mim. Menti que falaria de volta se me desse vontade e fui pego pela vontade sucessivas vezes depois. E eu mentindo, achando que mentir fosse dar jogo. Menti porque não sei. Menti porque eu continuo sem saber. Menti porque não há mentira maior que a sinceridade. Menti porque poderia ter sido com outro. Menti porque não aceitei ter te perdido. Menti porque, ora, eu sou teu amigo. Menti para imaginar você aqui. Menti para não ir por completo. Menti para chorar contigo o seu desespero. Eu menti durante esse texto. Menti durante quase todas as frases. Menti brincando de redigir algo vazio de mim. Menti achando que fosse suprir a falta de alguma poesia. Eu menti acreditando ser mentira - esse desejo imenso meu de ver o mundo e chorar da sua alegria. Eu menti quando escrevi você sem ninguém em mente. Eu menti quando disse ser solitário. Na verdade, tenho achado que eu sou doente. Mas costumo mentir. Então, francamente... Que segurança temos sobre as coisas que sentimos?

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