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segunda-feira, 26 de abril de 2010

as coisas viraram enciclopédia muito cedo,

a sua poesia nasce que horas?
todo dia.
e quando?
no limite entre acordar e dormir.
preciso assim?
mais impreciso impossível.
e dói?
você quer saber se dói?
é.

dói.
mesmo?
não. mas dói. ela, como dizer, nasce gritando.

gritando pela voz?
gritando pelo corpo. entende?
não. seria mais fácil ver.
olhe para mim.
sim. é você.
ontem a minha irmã me disse que o fim…
que fim?


qualquer fim. ela disse que o fim lhe dá nostalgia.
sabe o que é?

nostalgia?
o fim. sabe o que é?
todo mundo sabe. quer dizer, todos já viveram algum fim.
e então?
acho que o fim é o ponto de partida…
hum…

é sério. acho que é quando a nostalgia começa.
você não precisa articular conceitos e criar uma narrativa.
mas eu quero.
então vá lá.
vala. você quis intuir?
não. eu apenas disse que fizesse.
o quê?


você está perplexado.
eu?!
é. nada pode escapar da sua capacidade de definição. relaxa.
eu não posso.
por quê?
porque eu queria que ela escutasse
. que assim como eu lembrasse com detalhes o dia em que foi dormir para sempre. eu pergunto por que ela não pode acordar. eu pergunto usando porquês. mas ela não volta. não vem. não fala nada. está em algum lugar que eu não posso encontrar.

daí sempre que eu acordo é essa busca que não acaba. que em mim não quer cessar. sempre essa busca. tentando vê-la em todo e qualquer lugar. vê-la nas músicas, nos

livros, por entre as coisas do quarto. neste silêncio. neste diálogo inventado contigo, que sequer existe. posto você seja um personagem inventado para conversar comigo isso que não consigo deixar morrer. o amor pelo o que já se foi. o amor como forma-fixa do incompreender. ela não vai voltar. mas e se eu ficar nisso investido? durarei mais anos do que duraria a princípio? serei mais confiante do que agora e an

tes? quantos poemas mais virei a escrever? desculpa. eu calei você. e você nem sequer é um personagem. eu queria acreditar.

pode falar. você está doendo, é isso.

não é dor. é incompreensão.

eu para mim já tinha concluído que você havia entendido tudo.

tudo o quê?


pára de perguntar. você entendeu que o caminho é esse. para rimar: o caminho leva ao fim.
não rimou.
enfim, deixa.
não, por favor.
a sua poesia nasceu errada.
não, fica comigo. conversa.

ameniza este dia. fica.

imagina. o dia te chama. vai e chora com ele. vai e brinca. sem cobrança, ok?

sem cobranças.

ok?


não faz sentido.
isso foi uma afirmação. não foi pergunta. sequer protesto ou reclamação. viste? você está amadurecendo. olha para esse fim, pequeno, e se delicie nele. o caminho é mesmo o do meio. o fim é mesmo outro princípio.

a questão é que as coisas viraram enciclopédia muito cedo, lá nos princípios. e todo mundo sofre porque o gabarito não bate. sendo assim, não sofra. escreva outra bíblia. crie outras verdades.

nós humanos criamos tudo. criamos formas mil para a mediocridade. criamos modelos inúmeros de prosperidade. e por que não mais mentiras por que não outras verdades? a poesia nasce a todo segundo desde que se olhe para este outro mundo. qual outro mundo você me perguntaria. eu te digo. esse mesmo. esse nosso outro mundo. que se faz outro toda vez que o lançamos o olhar. que nunca é o mesmo. que sempre é outro.

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