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sábado, 14 de março de 2009

ATAQUE: inconsciente coletivo

PDD me chama atenção pelo poético, mas, sobretudo, pela violência disfarçada em poesia. A violência dos versos. A violência dos ritmos. A construção do drama que não precisa se explicar tanto, do drama que se constrói na reunião dos cacos. Dois personagens bem delineados, isso dá fome de dirigir. Uma relação onde força não tem a ver com musculatura. Onde gêneros (masculino e feminino) desprendem-se facilmente de tudo que os rotula para encontrar enfim a liberdade – maldade – dos sexos. Gêneros aproveitam-se de seus clichês e subvertem-se com mais forças. O feminino extrapolando a docilidade. O masculino diante do pós-soco, morrendo pela fragilidade. Ansiedade. Ansiedade. Dois pólos.

Sobretudo, trabalhar o que possa ser uma encenação. Quais estruturas já fixadas me servem e quais não? O que significa pensar – ou não – o palco italiano? O que significa o tom em que atuam os atores? Qual é a necessidade de representação e qual é a necessidade de atuação, de ver os atores falando de si mesmos, sem fingir, sem ser outra coisa além do que já são? Eu acho que pensar uma encenação deve agora vir desde o começo. Pensar desde o início o porquê das coisas é um ótimo pretexto para encontrar com os atores uma forma para aquilo que está sendo apresentado. Eu acho que a minha ansiedade em encontrar forma é natural. Mas penso que talvez o que eu tenha que ter mais claro sejam as questões existenciais. No sentido de que o mais importante é realmente ir tendo clareza do local exato onde o texto em mim reverbera. É ter noção exata do que nele me é realmente imprescindível.

Pode ser interessante também o trabalho com a palavra. Afinal, são os dois ali falando. Por mais que eu tenha que pensar um local da ação, imprescindível, o local da fala é o local primário por excelência. Comunicam-se por ela. A fala é a principal ação. Logo, o pensamento mal se formula e já adquire no verbo a sua primeira textura.

A necessidade de te contar coisas... Malgrado minha vontade.

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