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sábado, 28 de novembro de 2015

Sobre mudança


Você anseia o quê?

Você reclama da sua vida
das suas coisas você reclama
De tudo o que conquistou
e também do que lhe veio
De súbito.

Você se cobra ser outro projeto
outro rumo você cobra a si mesmo
Mas com qual intuito?
Com qual intuito?

Perdeste mais tempo de vida
desfazendo o já feito
Do que gozando o gosto
do que lhe veio.

Perdeste muito nessa ladainha
dos reclames sem fim.

Falsa modéstia!

Você é o que deseja
Você é feito do que lhe põe fim
então,
por que tanta gritaria?
por que tanto chorare?

Perceba: a vida está passando
e você a está perdendo
por tanto reclamar.

Perceba: você está aí
nu sobre a cadeira
fumando no quarto de hotel que lhe informaram não se poder fumar.

Você é isso
para o qual ainda não inventaram remédio
Portanto aceite
você é isso, cara
Você é o resto.

Alma perene no deserto de seres sem vocação.

Você é muito, moleque
então reconheça
Você é enzima
à putrefação.

Você catalisa a dor
sem trocadilho
Vais direto ao ponto
você é preciso.

E eu preciso de você
assim, desse jeito horrendo
que você acha ser.

Sobre mudança
sobre mudar
sobre ser outra coisa
perceba novamente:

há algum instante não distinto do anterior?
há alguma coisa no seu corpo
que permanece igual?
Não.
Então, por favor!

Ou se aceite
ou mude-se
fique mudo
Cale essa boca
e esqueça-se do mundo

Por favor.
Avante.
Adiante.
Sem fim previsto.
Morra no susto do desperceber.

Ande!
Vá!
Pelo amor!
Seja aquilo que se é.
Seja aquilo que você sempre foi

mas teima seu olhar em não ver.

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