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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Manhã

O corpo levanta sozinho

Dessa vez, o despertador é quem se atrasa

A luz lá fora
Os olhos dando bom dia ao tempo
Eis a vida que um dia
já faz anos
Eu imaginava

Queria não ter pressa
queria não ter fome assim tão cedo
Queria não ter segredos
E que o amor fosse tangível
à pele recém-acordada

Mas perdi tudo
E tudo é muito
quando o mundo
é ciranda-oferenda
que não cessa
nunca acaba

As iras, inda carrego-as comigo
como também carrego
as unhas sujas de terra
Por ter regado o meu pequeno jardim
hoje cedo
Todinho

Vês? Às vezes o amanhecer vem
depois da noite
às vezes no meio da tarde
como ontem, às vezes
só amanhece quando fechamos os olhos
deitamos cansados sobre o travesseiro
e então
tudo o que vier
será iluminação

Talvez eu quisesse
não importaria
Mas talvez eu quisesse
fazer da minha vida
menos espetáculo
E mais manhãs
como esta, presente mas livre daquela tenaz agonia.

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