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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

constatação

as coisas mais lindas que escrevo
são saídas.

as mais lindas coisas
que eu escrevo
são desculpas
para amores
para a vida.

eu de tudo me retiro
e dai então nasce
a tal poesia.

se me colo
se desejo
se vou e
cravo
minha
atenção:

precipito-me
e pareço brincadeira
sem consideração.

mas,

se torno a vida difícil
e por isso um tanto mais
impossível
vêm os versos acenando a mim
e ao buraco-mor-coração

eles gostam dessa dor
as metáforas bailam esse estado
constante do ser-putrefação.

que triste. eu penso,
que triste essa condição.

em que rima eu fui amarrar meu mote?

constato,
hoje mais triste
que a poesia não nasce tanto assim da vida
a poesia,
hoje constato
nasce dessa negação
dessa incapacidade minha
para criar afeto
invés de canção.

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