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sábado, 27 de março de 2010

a revolta das que não foram ainda

sumiram todas, isso eu sei dizer.

partiram deixando apenas o rastro
um resquício de seus corpos
como se juntas dissessem
o que agora poderá você fazer
sem nós para te socorrer
sem nós ao seu lado
para alimentar
suas catástrofes.

sim, eu sinto, eu sei
que elas se rebelaram
não outra vez pela poesia
nem pelo excesso de rimas
nem sequer pelo excesso
de ar

hoje elas se rebelaram
porque eu não lhes trouxe nada
outra vez
de novo.

eu não lhes dei face ousada
não lhes coloquei em risco
hoje nem ontem acho que nem sequer amanhã
se anuncia em nosso quintal
qualquer tentativa interessante.

e se olham
se testam
se xingam
porque hoje perceberam que algo me roubou de mim
perceberam hoje que fui de mim sequestrado
e que ficaram orfãs
hoje apenas crianças.

que fazer?

eu nunca as preteri,
mas, sim é verdade
hoje eu não troco este amor por nada.

reinventem-se, é o que peço a vocês.
mudem o tema
mudem a forma
a língua
o que for – não importa -

mas me deixem por mais tempo
viver essa alegria
essa coisa que nem de mim se vai
e que nem ni mim fica.

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