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terça-feira, 23 de março de 2010

Prego

faz dias que nada fica.
nem feito memória
nem feito cicatriz
tudo a qualquer tempo de mim se afasta
e nada sobra.

ventania sobre as coisas no quarto postas.
os livros impacientes
a poeira reinando e ausente
tudo em pleno movimento
exceto o íntimo
móbile inerte.

o que espera,
pergunto a mim.
e num silêncio movediço
sinto fome
sede e desejo
e nada enfim salvo aqui em mim
permanece.

o que espero,
pergunto a ti.
e resta nuvem precipitando
o seguir do dia e da noite.

nada difere.
tudo em abandono.

por que se enerva,
pergunto a mim.
porque se enervo,
pergunto a ti.

não quero deter respostas.

eu só pergunto.

eu só,
pregunto a ti.

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