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segunda-feira, 29 de março de 2010

Que não seja descrição.

Hoje a minha poesia quedou na primeira esquina.
Foi você passar por mim que o verso morreu.
Cravado em ti ficou
o verso hoje de mim se perdeu,
em troca, tive, infeliz
que me contentar com seu sorriso.

As coisas definitivamente se equilibram com a devida imprecisão.

Se antes em versos eu fazia e refazia o seu rosto
Hoje, quando o tenho em minhas mãos,
já não me restam porém palavras
e toda e qualquer tentativa de descrição
morre indefesa
jaz atropelada

pelo nosso amassar
pela nossa empreitada

Não me aparece outra opção.

Ou eu tenho você
ou eu tenho a poesia

Ou eu tenho sua carne
ou eu tenho lindas azias
e ondas sem fim adjetivando o destino
especulando os pelos
e refazendo o abrigo
que veja só

hoje

faz bem frisar
- eu não tive -,
posto você tenha passado pela esquina
e nem sequer tenha me visto
e nem sequer acenou
e nem sequer eu cheguei em casa
já depois
e fiz nascer poesia
poeminha
pranto bobo
bela agonia…

Tudo errado. Amanhã, quem sabe,
um beijo apazigue esta demência…

Amanhã, quem sabe,
estas palavras se reajustem
e façam nascer algo que não seja descrição
mas algo assim
feito leite derramado.

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