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terça-feira, 2 de março de 2010

Convite ao Embate

                        
Havia ficado impactado com a fome de preenchimento
do mundo, eu havia ficado perplexo
em como se abriu pela base
e como se deixou cortar
nos convidando:
venham a mim se curvar
deitem em meu seio
façam-me
de novo
planície inabitada.

E havia no mundo uma multidão
havia no solo um genocídio
havia pele cabelo cabeça
não houve comiseração
O mundo abriu sob nós seu abraço
e nos convidou ao esmague:
juntem-se-me
juntem-me às partes.

Planície revoltada
Terra seca gangrenando horror
Ele ousou pedir união
E tudo ruiu
E tudo rachou
os prédios as vias famílias
tudo soterrado
tudo morrendo pela terra
tudo chocolate granulado
e havia sangue
mas havia sangue
não era calda de morango
era rio caudaloso
aura do humano
se liquefazendo
em postumidade.

E hoje uma criança perdida reapareceu
Está de pé, com os pés tímidos
descalços
Ela sobrevive com as mãos na barriga
com os cortes cicatrizando
de tanta poeira
de tanto silêncio
Hoje é ela só na planície inteira
Morreram-se quase todos para amenizar o buraco
Já não é tanto assim
ela pensa sem pensar
ela olha o redor
tudo é vazio
a obra deve estar quase terminada
A mídia já nem fala em sua dor
De sua dor a mídia nem fala nada
não porque suas lágrimas secaram
mas porque pela lágrima ela mata a sede

E neste momento
outra criança
é soterrada
Jaz refém do abraço opressor
quem dera fosse da mãe
e quem dera do tio primo irmão avô
abraço mais concreto que estes
só do muro sobre ela veloz
muro-esmagador.

Persista. Eu lhe peço.
Sonhe as estrelas.
Eu vou esboçá-las aqui.
Eu vou esboçá-las aqui.
Peça ajuda em silêncio.
Peça ajuda em silêncio.
Não abra a boca
a terra quer te engolir!

Até que alguém lhe pegue pelas mãos
e lhe lamba os olhos ressequidos

retirando de ti a respiração opressa

e instaurando o equilíbrio
a paz
o equilíbrio
a paz
que não veio até agora.
Que não veio.
Que até hoje parece não querer
vir.

Mas que existe.
Dure. Ela há de chegar.
           

2 comentários:

Thaís Nogueira disse...

PUTA SENSIBILIDADE PRA FAZER TANTO EM PALAVRAS.

Anônimo disse...

aiê! amei, bj
vianna

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