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domingo, 21 de março de 2010

revoada manhã


o café esfriou. eu levantei desliguei a cafeteira coloquei o restante do café na caneca. mas o café esfriou. é que eu vim para o quarto apoiei a caneca sobre a mesa e me perdi durante um tempo olhando para dentro. num tempo suficiente para o calor do café se esvair e eu, no entanto, persistir. nisso aqui. em mim. no peito. como se diz?

as formigas estão tomando conta do meu quarto. na tela do computador, sobre a mesinha de cabeçeira, outro diz eu abri a carteira e elas saíram aos montes. uma manada de pequenas formigas. uma revoada de pequenas famintas. saíram velozes e tomaram meu braço e depois a mão e, num primeiro momento, elas não querem nada. por isso eu as deixei percorrer meu corpo. controlando a impaciência diante do incessante trotar de tantas pernas no atravesser dos meus pelos.

as unhas sujas. eu não as consigo limpar. eu as corto. eu acho que preciso lixar. mas tenho sono. hoje acordei com sono. depois de dormir dez horas seguidas, acordei com sono. estou com sono. preciso comprar comigo uma briga. me espremer contra a parede e decidir meu destino imediato. o que eu estou fazendo? o que eu estou criando? como lidar com tudo isso que às vezes sem nem mesmo perceber eu trago junto a mim, eu disponho – sem ver – ao meu lado?

eu bebi o café frio. eu matei já umas cinco formigas. meu peito continua liberto continuam minhas unhas imundas. e eu aqui. buscando um título para a postagem. buscando algo mais para este parágrafo pensando na frase seguinte expondo esta criação que não é nada exceto o instante. que já foi. ficou na frase anterior. e não haverá articulação entre café formiga e unhas sujas.

eu provo o que há debaixo das unhas. seriam formigas mortas? eu provo o que se prendeu nos dentes. isso eu sei é o café amargo. eu provo a mim mesmo como estar preso num ciclo que sequer alguém compreende. por que eu estou escrevendo isso? não importa. mesmo. sou todo confusão.

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