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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Russo

Pai,

deve ser estranho, eu sei.
Eu consigo imaginar.
Deve ter sido muito estranha
essa distância
que tanto nos serviu
para nos diferenciar.

Mas, veja:
aqui estamos nós
de novo
frontes ao encontro

Ainda assim, eu sinto
pai, deve ser estranho

Você fuma?
Sim.
Foi só eu parar de fumar que vocês começam.
É.
Cada um sabe de si.
Não é mesmo?

Sem ironias, pai
eu nem estava fumando
Mas deixei sobre a mesa
o maço
retinto
brilhando

Para te perguntar:
é mesmo possível viver uma vida inteira
fingindo ser quem não se é?

Eu não sou desses, pai
e essa é a mudança
que venho a te oferecer:

que cada coisa seja aquilo que deseja ser
que cada ser seja aquilo que pulsa em si
não terás desculpa
não terás remendo

O seu pavor
o seu medo
é formidável
não queira fugir dele
continue,

assim,
amanhã serás mais velho
e inda mais forte do que sempre
fostes tu.

Eis um poema selador do encontro.

Hoje, pai, eu te amo
porque já nada mais
escondemos um do outro.

Do seu,
Diogo.

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