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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

essa morte que não passa

sobrevive
em tosse
encatarrada
como se de mim
quisesse sair um resto
que não me larga
que não me larga

cruzo os dias
com o peito doendo
não por medo de pôr fim
mas porque o que sobrou
ainda me faz ser
ainda me faz ser
mesmo que ainda
assim
tossindo
assim
engasgado
atravessado
por um catarro espesso

que embaraço!

a esperança de um novo ano me acalenta

quero dormir dentro da piscina

vendo no céu de estrelas

as feridas em suturação.

sobre essa morte que não passa
mal sabe ela
eu sei viver em putrefação

pois fique
que eu te rego
e rendo-te em rosas
fica, vai, morte
fica em mim

que eu te faço apaixonar
pela vida torta
pela vida torta

fica, vai
se você é forte
fica, morte
que verás o que minha preguiça
é capaz de lhe atravessar pela aorta,


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