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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Da dor dos meninos

Machuquei muitos meninos.

Neste ano, sobretudo,
os feri sem reserva
Posto eu também
tenha sido muito
ferido.

Revide?
Vingança?
Descompromisso?
Não, não mesmo
nada disso.

Machuquei os meninos todos
na tentativa tenaz de me refazer
cá comigo.

Machuquei-os com delicadeza
com sutileza
e sem perversa engenharia.

Machuquei-os nos ois
e, mais que tudo,
em tantos e tantos
adeus.

Machuquei-os por não saber
o que me fazer de mim.

Doeram os meninos,
apaixonaram-se
Mas sei
(porque também assim foi e continua sendo comigo)
Eles sobrevivem
porque os moços não cessam
de se refazer.

Machuquei seus sorrisos
desmanchei tantos sonhos
Dei gozo, gozos
abraços, tantos foram
Mas sobrevivi
inerte
aos seus corações.

Matei um bocado de esperanças
flagelei inúmeras confianças
E mesmo assim, sobrevivo
Impune.

É só que da dor dos meninos
não se faz tesouro
não se ilude,

doem
doem muito
mas sobrevivem
muito ainda.

Machuquei os meninos
e me machuquei em cada
um
de seus abraços.

Seus beijos, me perderam
seus laços, me cegaram
mas
e sempre mais um
mas

aqui estamos nós.

Eu aqui
Ele lá
O outro acolá
E sempre a rimar
a dor dos meninos
não cessa
Posto desejam tanto
aquilo
que a vida não lhes reserva:

amor.
amor.
só isso,
amor.

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