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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

cada um no seu poema

depois fiquei pensado
que cada um acha
o seu poema
e com ele
se contenta
ou não

e o poema, coitado
perde a sua liberdade
e vai virar coisa
de alguém
que só o quer
por auto-admiração

tipo
tipo
eu sou o cara deste verso
isso que foi escrito
é por minha causa
foi por mim

e então morre o poema
sempre que um bamba
vem bancar o dono do mundo
e exige que o verso
que a rima
lhe façam devoção.

não!
por favor, gente, não!
assim não!

deixe o poema ser de todo mundo
deixa ele servir ao seu egocentrismo
e também à delicadeza de outro ser
deixe-o servir àquilo que não sabemos
ser possível
nem sequer sabermos entender.

tem sempre um poema para cada um
no mesmo instante em que para outro
ele também se dará.

poema é feito puto
prostituto
ele vai com quem lhe mirar
o par de olhos
ele vai com quem
lhe desejar,

portanto

sem exclusividade
porque você
quando aqui reconhecido
não é nada mais do que você
entendeu?

você
verso limpo
camaleão
você que é você
você que não sou eu
você aos montes
eu então...

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