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sábado, 15 de agosto de 2015

Rastro

Como um vício
Amanheci sujo e dependente
O café da manhã apesar de farto
Me foi indiferente
O espelho do banheiro
Confirmou meus receios:
estava eu saindo de um tempo
em que o corpo foi suprido
Sem receios.

Como um lastro
Sua ausência se fez presente
Caminhei um dia inteiro
De mim ausente
Porque você seguia no meu passo
Fazendo do meu caminho
Trajeto em embaraço.

Não quis resolver
Não sofri menos
Fiz como deveria
Toquei a face desse monstro
Que me inferniza
Toquei seu rosto
Sorri em silêncio
Não há o que fazer
Exceto o tempo

O tempo.

As ruas circulam pessoas
E todo o tipo de gente
Lá fora a manhã vira tarde
E eu nem escovei os dentes.

Haveria outra coisa que não esta certeza?

Sobrevive um rastro seu
Que já não anula meu coração
Seu sorriso perdeu forma
Sua forma perdeu cor
Sua ausência virou fantasma
E minhas palavras

Voltaram a ser palavras apenas.

Hoje eu não quero nada exceto o que já tenho: este tempo, este silêncio, está vaga (a me lembrar que o corpo demanda esforço para se curar das faltas).

Hoje eu não quero nada
Exceto isto
Sobre
Viver.

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